DITADURA
Suíça
pede a extradição de argentinoBUENOS AIRES - O
ex-repressor argentino Emilio
Massera foi notificado ontem de
que a Justiça suíça pediu sua
extradição pelo desaparecimento
de um jovem suíço durante a
ditadura na Argentina (1976-83).
Massera, hoje
em prisão domiciliar pela
acusação de roubo de bebês
durante o regime militar, foi
conduzido a um juizado, onde foi
notificado formalmente do pedido
suíço.
Seu advogado,
Miguel Arce Aggen, rechaçou o
pedido alegando "questões
de territorialidade". Aggen
afirmou que Massera não está na
mesma situação de Pinochet,
pois o ex-ditador não foi
julgado no Chile e portanto não
cabe comparação entre os casos.
Massera,
ex-chefe do Exército argentino,
de 73 anos, foi preso em novembro
por sua suposta participação
num plano sistemático de roubo
de crianças nascidas na prisão,
mas por causa de sua idade,
cumpre prisão domiciliar.
Depois do
parto, as mães normalmente
desapareciam e os bebês eram
entregues a militares e policiais
que os adotavam como se fossem
seus ou eram levados a centros de
adoção. Em raras ocasiões as
crianças eram entregues aos
familiares das presas. Outros
quatro repressores argentinos
são acusados de participação
no roubo das crianças.
Entre junho e
dezembro foram detidos o
ex-general Jorge Videla, o
ex-vice-almirante Antonio Vañek
e o contra-almirante aposentado
José Suppicich.
Com a volta da
democracia, Massera, Videla e
outros militares foram condenados
em 1985 à prisão perpétua por
violação dos direitos humanos.
Mas em 1990, o presidente Carlos
Menen os indultou, provocando
fortes críticas da opinião
pública e das organizações de
defesa dos direitos humanos.