- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998


JC NEGÓCIOS
Fernando Castilho

O consumidor só está contido

Está nas bancas, junto com o número 677 da Revista Exame, um encarte sobre Pernambuco que deve ser lido e guardado por quem se preocupa R$ 2,00 com o futuro deste Estado que, apesar dos governos, insiste em crescer.

Num conjunto de tabelas sobre tamanho do PIB (US$ 21 bilhões), que quer dizer uma participação em termos de Brasil de 2,6%, o documento apresenta uma tabela sobre o potencial de consumo, feita com base nos estados da Consultoria Target, que mostra o porquê desse Estado ser líder de vendas em itens de consumo como carro, telefone e comida.

Como está dito na tabela aí embaixo, que só na área de alimentação existe mercado para US$ 4,4 bilhões, ou quase 30% (29,5%) de tudo que se pode vender na área urbana das cidades do Estado. Depois, vem o item manutenção do lar, com US$ 1,8 bilhão (12,5%), seguido de coisas como transporte urbano (6,4%), e mais 5,5% nos itens vestuário e calçados, ou nada menos que US$ 817 milhões em termos de vendas.

Tradução: freguês existe, mercado existe, tradição de consumo idem. Então o que está faltando? Acostumado a vasculhar números e pesquisas de mercado, o publicitário Carol Fernandes acha que o consumidor mudou seu comportamento com a enxurrada de notícias sobre a crise verbalizada pelo Governo Federal que não fez seu dever de casa.

Carol acha que o consumidor apenas se contraiu. Está de campana vendo o que vai acontecer, brinca ele. O que a pesquisa da Target está revelando ao mercado é que, enquanto a gente tem 2,6% do PIB, na outra ponta tem 3,3% de potencial de consumo. Poucos estados conseguem isso, não só no Nordeste, mas no Brasil.

Segundo a tabela da Target, esse potencial de consumo é de quase US$ 15 bilhões (US$ 14,981). E explica os números da recém-divulgada Pesquisa Nacional de Amostras Domiciliares, também de 1997, onde está dito que nas classes A, B e C pelo menos 97% das casas têm geladeira, fogão e rádio. Na classe B, 80% têm vídeocassete, 71% têm CD player e, pasmem, 66% possuem máquina de lavar. Na classe C, um em cada quatro lares tem um telefone fixo. Também pela PNAD, das 3.085 mil almas da Região Metropolitana, 700 mil têm telefone (fixo " celular).

O desafio, portanto, é do mercado em se adaptar à nova realidade. Em fazer o freguês se descontrair porque no fundo ele quer e precisa de produtos. "Falta uma proposta clara com uma promessa e razão da promessa. Daí, estabelecer uma negociação de preço compatível com o segmento para o qual o produto está dirigido", diz o publicitário, lembrando que acabou o tempo de tirar pedido. "Ou o mercado aprende a vender ou estará fora de qualquer estatística no ano 2.000".

Água da Coca

Está difícil para o Governo do Estado cumprir a promessa de levar água para a nova fábrica da Refresco Guararapes, em Suape. Apesar de, na festa de lançamento da pedra fundamental da empresa, há dois meses, a Compesa ter assegurado que levaria uma adutora ao projeto, nem o contrato a empresa assinou com o Grupo Franco que toca o projeto de R$ 45 milhões. Sem água de boa qualidade, está complicada a implantação da fábrica. Todo mundo no Governo promete ajudar, mas até agora nada. E olha que tem barragem vizinha ao futuro local da empresa.

Crédito a receber

Além da possibilidade de abrir onde quiser no Brasil 100 novas agências, o diretor regional do ABM-Amro, Floris Deckers, reconhece que comprar o Bandepe foi um excelente negócio por conta da grande quantidade de créditos fiscais que a instituição tem a receber da União, maiores que o próprio preço mínimo pago no leilão. É por isso que o secretário do Tesouro, Pedro Parente, diz que as empresas brasileiras estão muito baratas.

Transição

Junto com o presidente da AD-Diper, Sérgio Ferreira, o futuro secretário de Indústria, Comércio e Turismo, Carlos Eduardo Pereira, Cadoca, desembarcou ontem em Porto Alegre, para uma conversa de testa com 16 empresários locais.

Vem aí uma campanha da Cooperativa dos Panificadores do Estado de Pernambuco no sentido de estimular o consumo de pão, a partir das compras na padaria perto da casa do consumidor. Segundo o presidente da entidade Auvandir Pereira.

Hoje no Mar Hotel haverá a entrega do Prêmio Gere de Pernambucanidade a 10 personalidades empresariais, além do Real Hospital Português.

O Shopping Guararapes está ganhando uma nova loja do Laser Magazine.

A onda de promoções chegou ao segmento de panificação. Uma padaria na Avenida Visconde de Suassuna está vendendo 13 pãezinhos de 50 gramas por R$ 1,00.

Num congresso da Bahia, em março, o Norfertil, o anticoncepcional masculino da Hebron, será lançado para 120 países e para o primeiro teste mundial.

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castilho@jc.com.br

 
 

 

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