- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998


JOELMIR BETTING

Urso versus touro

NOVA YORK - Depois da megafusão, a grande reestruturação. Nascido este ano do casamento do Citicorp com o Travelers Group, comunhão de bens da ordem de US$ 146 bilhões, o Citigroup acaba de anunciar a demissão de 10.400 funcionários. Um terço dos cortes dentro dos Estados Unidos e dois terços nas subsidiárias espalhadas pelo mundo, Brasil no meio. Não se falou de outra coisa, ontem, nos bares superlotados de Wall Street.

Em plena confraternização natalina, o estado de espírito dos profissionais do mercado financeiro está mais para a fossa do urso que para a farra do touro. Um enorme touro de bronze, do tamanho de uma Kombi, é atração turística a menos de duas quadras da Bolsa de Nova York. O touro representa a força, o poder, a festa. Touro é otimismo, é mercado no alto e em alta. Quando as coisas não dão certo, o pessoal fala em "mercado do urso" - o da baixa encharcada de expectativas pessimistas.

O anúncio do bisturi de 10.400 no Citigroup de John Reed e Sanford Weill já era esperado. Admitia-se um corte de 3% do efetivo total por causa da superposição de cargos, tarefas e funções resultantes da fusão de dois gigantes financeiros aparentemente enxutos (pela severa reestruturação de todo o setor bancário americano na primeira metade da década). O corte saiu pelo dobro: 6%. Exposição de motivos: além dos ajustes da fusão recente, o Citigroup encara nova reestruturação para um mercado global em crise, dentro e fora dos Estados Unidos.

Outra não tem sido a explicação para as demissões de 4.500 profissionais do Chase Manhattan, de 4.300 da Merryl Lynch e de 850 do J. P. Morgan. Por enquanto. Todos os bancos de varejo e de investimentos, tais como as corretoras e fundos de hedge, amargam pesadas perdas nos mercados emergentes. E o que dizer da baixa das ações dos próprios bancos nos pregões de Wall Street?

Desde o tombo da Ásia, na última semana de outubro do ano passado, o estoque de ações em bolsa registra uma desvalorização acumulada de 47% no Citicorp, de 44% no Bankers Trust, de 34% no Chase Manhattan e de 33% no BankAmerica (que se fundiu este ano com o NationsBank). Nos cálculos da Securities and Exchange Comission (SEC), os 10 maiores bancos cotados em bolsa totalizam uma desvalorização patrimonial, desde novembro de 1997, de US$ 122 bilhões.

O Citigroup já reduziu sua exposição nos mercados emergentes. A ordem é estimular as operações de varejo do Citibank no mercado americano. O crédito ao consumo é o mais lucrativo do mundo.

Olho no olho

Quem diria? Os grandes bancos americanos deram de esnobar a Internet e o homebanking. Estão apelando para o contato pessoal com a clientela. Joseph Plumeri, do Citigroup, diz que "as pessoas gostam de calor humano quando se trata de consultas sobre saúde e sobre dinheiro".

Bola de deve

Negócio de alto risco por definição, o mercado de derivativos financeiros ignora a crise global e continua subindo feito rojão de quermesse paroquial. Nem a quebradeira de fundos de hedge consegue interromper a escalada dessa fantasia organizada.

Até quando?

A International Swaps and Derivatives Association informou terça-feira que o mercado global de derivativos deve fechar o ano com negócios totais de US$ 42 trilhões. Ano passado US$ 40 trilhões. Em 1990, US$ 4,1 trilhões. Na década, expansão de quase dez vezes. Por obra e graça da explosão das tecnologias da informação.

 
 

 

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