JOELMIR
BETTING
Urso
versus touro
NOVA YORK -
Depois da megafusão, a grande
reestruturação. Nascido este
ano do casamento do Citicorp com
o Travelers Group, comunhão de
bens da ordem de US$ 146
bilhões, o Citigroup acaba de
anunciar a demissão de 10.400
funcionários. Um terço dos
cortes dentro dos Estados Unidos
e dois terços nas subsidiárias
espalhadas pelo mundo, Brasil no
meio. Não se falou de outra
coisa, ontem, nos bares
superlotados de Wall Street.
Em plena
confraternização natalina, o
estado de espírito dos
profissionais do mercado
financeiro está mais para a
fossa do urso que para a farra do
touro. Um enorme touro de bronze,
do tamanho de uma Kombi, é
atração turística a menos de
duas quadras da Bolsa de Nova
York. O touro representa a
força, o poder, a festa. Touro
é otimismo, é mercado no alto e
em alta. Quando as coisas não
dão certo, o pessoal fala em
"mercado do urso" - o
da baixa encharcada de
expectativas pessimistas.
O anúncio do
bisturi de 10.400 no Citigroup de
John Reed e Sanford Weill já era
esperado. Admitia-se um corte de
3% do efetivo total por causa da
superposição de cargos, tarefas
e funções resultantes da fusão
de dois gigantes financeiros
aparentemente enxutos (pela
severa reestruturação de todo o
setor bancário americano na
primeira metade da década). O
corte saiu pelo dobro: 6%.
Exposição de motivos: além dos
ajustes da fusão recente, o
Citigroup encara nova
reestruturação para um mercado
global em crise, dentro e fora
dos Estados Unidos.
Outra não tem
sido a explicação para as
demissões de 4.500 profissionais
do Chase Manhattan, de 4.300 da
Merryl Lynch e de 850 do J. P.
Morgan. Por enquanto. Todos os
bancos de varejo e de
investimentos, tais como as
corretoras e fundos de hedge,
amargam pesadas perdas nos
mercados emergentes. E o que
dizer da baixa das ações dos
próprios bancos nos pregões de
Wall Street?
Desde o tombo
da Ásia, na última semana de
outubro do ano passado, o estoque
de ações em bolsa registra uma
desvalorização acumulada de 47%
no Citicorp, de 44% no Bankers
Trust, de 34% no Chase Manhattan
e de 33% no BankAmerica (que se
fundiu este ano com o
NationsBank). Nos cálculos da
Securities and Exchange Comission
(SEC), os 10 maiores bancos
cotados em bolsa totalizam uma
desvalorização patrimonial,
desde novembro de 1997, de US$
122 bilhões.
O Citigroup já
reduziu sua exposição nos
mercados emergentes. A ordem é
estimular as operações de
varejo do Citibank no mercado
americano. O crédito ao consumo
é o mais lucrativo do mundo.
Olho no
olho
Quem diria? Os
grandes bancos americanos deram
de esnobar a Internet e o
homebanking. Estão apelando para
o contato pessoal com a
clientela. Joseph Plumeri, do
Citigroup, diz que "as
pessoas gostam de calor humano
quando se trata de consultas
sobre saúde e sobre
dinheiro".
Bola de
deve
Negócio de
alto risco por definição, o
mercado de derivativos
financeiros ignora a crise global
e continua subindo feito rojão
de quermesse paroquial. Nem a
quebradeira de fundos de hedge
consegue interromper a escalada
dessa fantasia organizada.
Até
quando?
A International
Swaps and Derivatives Association
informou terça-feira que o
mercado global de derivativos
deve fechar o ano com negócios
totais de US$ 42 trilhões. Ano
passado US$ 40 trilhões. Em
1990, US$ 4,1 trilhões. Na
década, expansão de quase dez
vezes. Por obra e graça da
explosão das tecnologias da
informação.
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