- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 16 de novembro de 1998


PEOPLE NET
Sandra Carvalho

Cybercriminosos viram heróis

A polícia de Los Angeles acaba de prender mais um hacker super procurado: Justin Petersen. Ele foi encontrado na última sexta no seu apartamento com a "mão na massa", ou seja, usando um laptop para fins criminosos, no conforto de sua cama. Petersen é acusado de hackear uma instituição financeira e roubar, eletronicamente, cerca de US$ 150 mil. Ele deve pegar de 5 a 11 meses de prisão.

Petersen chegou a ser informante do FBI (Birô de Investigações norte-americano) na caça ao hacker Kevin Mitinick, em 1990. Por pura ironia do destino, ele foi preso no Centro de Detenção Metropolitano, mesmo lugar onde Mitinick ficou anos atrás.

Mas não pense que o hacker acha sua detenção coisa lá das piores. Muito pelo contrário. No seu website ( http://www.3xt.net/justin ), Petersen exibe fotografias, entrevistas e sua defesa online. Ele ainda tem copyright sobre o material disponível na webpage e muito mais.

Seguindo os rastros de seu hacker rival - Mitinick -, Peterson já se tornou uma figura pública e não deve demorar para que produtores de Hollywood se engalfiem por uma boa estória com o tal "herói digital".

O culto a cybercriminosos prova uma inversão de valores, pelo menos, entre o público internauta norte-americano. Por suas mentes brilhantes, eles mais parecem super-heróis do que vilões e quanto mais são procurados e detidos pela polícia, maior a popularidade. Para garantir a admiração da comunidade digital, a polícia talvez precise criar "cybercops", com profundo conhecimento em Internet e, principalmente, carisma. Tarefa fácil?

Privacidade

Um grupo de ativistas britânicos declarou à imprensa londrina, na última sexta-feira, que os membros do Parlamento são, em sua maioria, "ignorantes" em assuntos do tipo: criptografia, privacidade online e comércio eletrônico. Cerca de 20 ativistas resolveram descruzar os braços e criar um website ( http://www.stand.org.uk ) para monitorar o que está sendo feito no Parlamento inglês pela ou contra a Internet. O site fomenta a discussão e estimula ainda ao internauta britânico escolher um parlamentar e enviar para o e-mail do mesmo "lições" sobre a Internet, ajudando-o a entender o processo num cursinho intensivo e digital. Uma proposta de lei já em votação, por exemplo, sugere que o internauta tenha o e-mail monitorado pelo governo para fins de provas criminais. O grupo reclama e acha que esse é um passo para a perda de privacidade online.

Greve

Primeiro foram os espanhois. Depois alemães e italianos. Agora os franceses repetem o ato: greve contra as altas tarifas telefônicas, que tornam o acesso à Internet impraticável. O boicote foi feito no último domingo, com quase 800 mil pessoas desplugando o modem. A France Telecom não pareceu se importar muito com o protesto, mas a comunidade francesa internauta promete mais movimento. Cerca de 3 milhões de pessoas estão conectadas à Web. Elas pagam, por 40 horas ao mês, quase US$ 130,00. O movimento pretende baixar a tarifa para US$ 36,00. Mas a companhia avisa: não cederá. Os internautas prometem não desistir. Eles criaram a Adim (Associação dos Usuários Internautas Descontentes), que deve se juntar a movimentos similares em outros países da Europa.

Campanha

A Digital Freedom Network, entidade norte-americana sem fins lucrativos e que luta pela liberdade de expressão no universo digital, está convocando a comunidade internauta a participar de um massivo protesto online pela libertação de dois cientistas chineses. Lin Hai (cuja história foi contada nesta coluna na semana passada) e o físico Wang Yoocan foram presos por distribuir para 250 mil dissidentes chineses ao redor do mundo, via e-mail, mensagens pela democracia. "Ninguém pode ser punido por enviar e-mails", reclamam os membros da DFN. O protesto via e-mail coincide com a data de assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos na Assembléia Geral da ONU, há 50 anos. Para participar, visite o site: http://www.dfn.org/

Pesquisa

Os italianos estão cada vez mais comprando produtos via Web, revelou estudo feito pela companhia Osservatorio Internet Italia. A pesquisa mostra que quase 130 mil italianos têm comprado bens e serviços pela Internet. O software tem a preferência: 25% dos consumidores, contra 21% para livros e CDs, 12% para presentes em geral e 10% para hardware. Os produtos de viagens e serviços financeiros estão em últimos lugares, mas também em expansão. Cerca de 2 milhões e 600 mil italianos usam a rede. No ano passado, o número era de 1 milhão e meio. O perfil dos internautas é similar ao de outros países: a maior parte dos consumidores virtuais está na faixa de 24-35 anos. Menos de 30% são mulheres.

E-mail

sandramega@hotmail.com

 
 

 

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