- - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

ENTREVISTA / Waldemar Borges
"A oposição, agora, vai botar para quebrar"

Futuro líder da bancada de oposição da Câmara Municipal do Recife, para o biênio 99/2000, o vereador Waldemar Borges (PPS) é um dos que insistem em radicalizar no trato com o Executivo. Borges ficou indignado com a troca dos nomes indicados pelos oposicionistas para compor a chapa do presidente eleito da Câmara, Fred Oliveira (PMDB), e quer que a bancada atue de forma contundente nas negociações dos projetos do prefeito Roberto Magalhães e da bancada governista.

Jornal do Commercio - Como o senhor analisa os vetos aos vereadores Dilson Peixoto e Sileno Guedes para a mesa diretora?

Waldemar Borges - Este fato, lamentável, só ocorreu depois que decidimos apoiar Fred Oliveira para presidente, mesmo sem ele ter alcançado o consenso, como era a nossa intenção. Fred havia recuado na sua primeira postura que era apoiar a candidatura de Homero Lacerda (sem partido) e nos ofereceu a 1ª secretaria e a 2ª vice-presidência. Mas ele só queria derubar Homero, que havia nos prometido os cargos para fecharmos com ele. Em dez anos de Câmara, nunca vi nada assim. Uma quebra de compromisso em menos de 24 horas.

JC - A atual bancada de oposição sempre teve uma relação boa com o prefeito Roberto Magalhães, chegando a ser convidada para discutir projetos encaminhados pelos vereadores oposicionistas. Como será a atuação da oposição depois deste acontecimento?

WB - Este episódio do veto, seguido da nossa exclusão da mesa, levou a nossa relação com os governistas e o Executivo para o fundo do poço. Não sei se o prefeito influenciou esta decisão, mas Fred deixou de cumprir um acordo e com ou sem a participação do prefeito isto massacrou de maneira desrespeitosa a oposição. Agora, eles que continuem botando para quebrar e esperem o mesmo de nossa parte.

JC - Depois de terem passado dois anos fazendo a chamada oposição de propostas e interativa, sem radicalismos, esta mudança no relacionamento com o Executivo tem a ver com uma estratégia, desde já, voltada para a próxima eleição?

WB - De maneira nenhuma. Com toda sinceridade, não estamos pensando em eleição. Se estivessemos há um ano do pleito, aí sim poderiam até dizer que seria este o caso. O que queremos é acabar com esta história de termos um tratamento democrático unilateral. Quando o prefeito quer vetar os nossos projetos, veta sumariamente, mas se é do seu interesse aprovar matérias do Executivo, ele nos chama e discute, fazendo com que já cheguem trabalhadas para serem votadas e sempre consegue aprová-las. Vamos deixar de ser ingênuos. Inclusive, ele tem que dizer se é contra ou a favor da estabilidade financeira dos funcionarios, porque se, na convocação extraordinária em janeiro, mandar um projeto meia bomba para tratar um assunto sério apenas como uma questão circunstancial, é melhor que nem convoque a Câmara.


     

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