ENTREVISTA / Waldemar Borges
"A
oposição, agora, vai botar para
quebrar"Futuro líder da
bancada de oposição da Câmara
Municipal do Recife, para o
biênio 99/2000, o vereador
Waldemar Borges (PPS) é um dos
que insistem em radicalizar no
trato com o Executivo. Borges
ficou indignado com a troca dos
nomes indicados pelos
oposicionistas para compor a
chapa do presidente eleito da
Câmara, Fred Oliveira (PMDB), e
quer que a bancada atue de forma
contundente nas negociações dos
projetos do prefeito Roberto
Magalhães e da bancada
governista.
Jornal do
Commercio - Como o senhor analisa
os vetos aos vereadores Dilson
Peixoto e Sileno Guedes para a
mesa diretora?
Waldemar
Borges - Este fato,
lamentável, só ocorreu depois
que decidimos apoiar Fred
Oliveira para presidente, mesmo
sem ele ter alcançado o
consenso, como era a nossa
intenção. Fred havia recuado na
sua primeira postura que era
apoiar a candidatura de Homero
Lacerda (sem partido) e nos
ofereceu a 1ª secretaria e a 2ª
vice-presidência. Mas ele só
queria derubar Homero, que havia
nos prometido os cargos para
fecharmos com ele. Em dez anos de
Câmara, nunca vi nada assim. Uma
quebra de compromisso em menos de
24 horas.
JC - A atual
bancada de oposição sempre teve
uma relação boa com o prefeito
Roberto Magalhães, chegando a
ser convidada para discutir
projetos encaminhados pelos
vereadores oposicionistas. Como
será a atuação da oposição
depois deste acontecimento?
WB -
Este episódio do veto, seguido
da nossa exclusão da mesa, levou
a nossa relação com os
governistas e o Executivo para o
fundo do poço. Não sei se o
prefeito influenciou esta
decisão, mas Fred deixou de
cumprir um acordo e com ou sem a
participação do prefeito isto
massacrou de maneira
desrespeitosa a oposição.
Agora, eles que continuem botando
para quebrar e esperem o mesmo de
nossa parte.
JC - Depois
de terem passado dois anos
fazendo a chamada oposição de
propostas e interativa, sem
radicalismos, esta mudança no
relacionamento com o Executivo
tem a ver com uma estratégia,
desde já, voltada para a
próxima eleição?
WB - De
maneira nenhuma. Com toda
sinceridade, não estamos
pensando em eleição. Se
estivessemos há um ano do
pleito, aí sim poderiam até
dizer que seria este o caso. O
que queremos é acabar com esta
história de termos um tratamento
democrático unilateral. Quando o
prefeito quer vetar os nossos
projetos, veta sumariamente, mas
se é do seu interesse aprovar
matérias do Executivo, ele nos
chama e discute, fazendo com que
já cheguem trabalhadas para
serem votadas e sempre consegue
aprová-las. Vamos deixar de ser
ingênuos. Inclusive, ele tem que
dizer se é contra ou a favor da
estabilidade financeira dos
funcionarios, porque se, na
convocação extraordinária em
janeiro, mandar um projeto meia
bomba para tratar um assunto
sério apenas como uma questão
circunstancial, é melhor que nem
convoque a Câmara.