-- - - - - - - -- - - - - - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

QUARILHAS

Violência ameaça paralisar obras da Adutora do Oeste, em Ouricuri

por CLÁUDIA PARENTE
Correspondente

OURICURI - As obras da Adutora do Oeste podem ser interrompidas mais uma vez. Agora, não por falta de recursos ou de vontade política, mas devido aos constantes assaltos sofridos pelas empresas que trabalham na obra. No principal trecho da adutora - entre Orocó e Ouricuri - dezoito carros já foram roubados e um caminhão seqüestrado por quadrilhas que atuam na região. Amedrontados, operários e engenheiros ameaçam paralisar os trabalhos do primeiro trecho da adutora, previsto para ficar pronto até o próximo dia 22.

Os assaltos aos veículos das empresas envolvidas com a construção da Adutora do oeste começaram a acontecer há cinco meses, segundo informações de um engenheiro que não quis se identificar. "Quando os veículos saem para visitar os vários trechos da obra, são surpreendidos por homens bem armados que se postam na frente do carro, obrigando o motorista a parar", conta, acrescentando que ele mesmo já foi vítima de uma tentativa de assalto. Por isso, tem evitado realizar o trabalho de supervisão em alguns canteiros da obra, situados em locais mais arriscados. "Se alguém reagir, eles atiram, como fizeram comigo", lembra.

Para complicar ainda mais a situação, um caminhão Munck, usado para transpostar tubos e equipado com um grupo gerador, máquinas de solda e ferramentas de montagem de tubulação foi seqüestrado na manhã da última segunda-feira, entre os municípios de Orocó e Parnamirim. Pela devolução do veículo, os assaltantes estão pedindo a quantia de R$ 10 mil. Apavoradas, as empresas que alugam equipamentos para a IKAL, construtora responsável pela adutora, estão ameaçando abandonar o negócio. "Sem equipamentos nem transportes, as obras vão parar", alerta um engenheiro.

Um funcioriário da IKAL, que também não quis se identificar, revelou que a empresa já teve nove veículos roubados, além do caminhão seqüestrado, que estava sob sua responsabilidade. "Há quinze dias, durante uma tentativa de assalto a três carretas, um motorista foi ferido à bala. A violência está se tornando tão banal que um dos nossos caminhões foi assaltado duas vezes no mesmo dia: quando ia e quando voltava de um dos canteiros da obra", conta.

EXPEDIENTE - O diretor regional do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), Gaspar Uchoa, informou que o órgão já enviou um expediente para a Polícia Rodoviária Federal (PRF) solicitando cobertura no local. "A situação é lamentável", afirma Uchôa. "A falta de segurança está pondo em risco o desenvolvimento da obra", alerta. Uchôa disse ainda que na tarde da última terça-feira, um grupo de engenheiros do Dnocs foi alvo de vários disparos, mesmo escoltado por uma guarnição da PRF.

Apesar dos contratempos, o diretor regional do Dnocs declarou que continua mantido o prazo de conclusão do ramal principal para o dia 22 deste mês. Preocupado com os assaltos, o presidente da Comissão Permanente de Combate à Seca, Fernando Aquino, teme que a água só chegue em Ouricuri em 20 de janeiro do ano que vem.


     

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