QUARILHAS
Violência
ameaça paralisar obras da
Adutora do Oeste, em Ouricuripor CLÁUDIA PARENTE
Correspondente
OURICURI -
As obras da Adutora do Oeste
podem ser interrompidas mais uma
vez. Agora, não por falta de
recursos ou de vontade política,
mas devido aos constantes
assaltos sofridos pelas empresas
que trabalham na obra. No
principal trecho da adutora -
entre Orocó e Ouricuri - dezoito
carros já foram roubados e um
caminhão seqüestrado por
quadrilhas que atuam na região.
Amedrontados, operários e
engenheiros ameaçam paralisar os
trabalhos do primeiro trecho da
adutora, previsto para ficar
pronto até o próximo dia 22.
Os assaltos aos
veículos das empresas envolvidas
com a construção da Adutora do
oeste começaram a acontecer há
cinco meses, segundo
informações de um engenheiro
que não quis se identificar.
"Quando os veículos saem
para visitar os vários trechos
da obra, são surpreendidos por
homens bem armados que se postam
na frente do carro, obrigando o
motorista a parar", conta,
acrescentando que ele mesmo já
foi vítima de uma tentativa de
assalto. Por isso, tem evitado
realizar o trabalho de
supervisão em alguns canteiros
da obra, situados em locais mais
arriscados. "Se alguém
reagir, eles atiram, como fizeram
comigo", lembra.
Para complicar
ainda mais a situação, um
caminhão Munck, usado para
transpostar tubos e equipado com
um grupo gerador, máquinas de
solda e ferramentas de montagem
de tubulação foi seqüestrado
na manhã da última
segunda-feira, entre os
municípios de Orocó e
Parnamirim. Pela devolução do
veículo, os assaltantes estão
pedindo a quantia de R$ 10 mil.
Apavoradas, as empresas que
alugam equipamentos para a IKAL,
construtora responsável pela
adutora, estão ameaçando
abandonar o negócio. "Sem
equipamentos nem transportes, as
obras vão parar", alerta um
engenheiro.
Um
funcioriário da IKAL, que
também não quis se identificar,
revelou que a empresa já teve
nove veículos roubados, além do
caminhão seqüestrado, que
estava sob sua responsabilidade.
"Há quinze dias, durante
uma tentativa de assalto a três
carretas, um motorista foi ferido
à bala. A violência está se
tornando tão banal que um dos
nossos caminhões foi assaltado
duas vezes no mesmo dia: quando
ia e quando voltava de um dos
canteiros da obra", conta.
EXPEDIENTE -
O diretor regional do
Departamento Nacional de Obras
contra a Seca (Dnocs), Gaspar
Uchoa, informou que o órgão já
enviou um expediente para a
Polícia Rodoviária Federal
(PRF) solicitando cobertura no
local. "A situação é
lamentável", afirma Uchôa.
"A falta de segurança está
pondo em risco o desenvolvimento
da obra", alerta. Uchôa
disse ainda que na tarde da
última terça-feira, um grupo de
engenheiros do Dnocs foi alvo de
vários disparos, mesmo escoltado
por uma guarnição da PRF.
Apesar dos
contratempos, o diretor regional
do Dnocs declarou que continua
mantido o prazo de conclusão do
ramal principal para o dia 22
deste mês. Preocupado com os
assaltos, o presidente da
Comissão Permanente de Combate
à Seca, Fernando Aquino, teme
que a água só chegue em
Ouricuri em 20 de janeiro do ano
que vem.