-- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

BONITO
Circuito das águas

por LUIZ CLAUDIO FERREIRA

Estresse e preocupações não sobrevivem a nenhuma das nove cachoeiras de Bonito, cidade a apenas 135 quilômetros do Recife. Essas águas formam uma rota no Agreste, em meio a bolsões de Mata Atlântica, que vem atraindo turistas que desejam, além de tranqüilidade, também refresco aos dias cada vez mais quentes do verão. Quando a temperatura supera os 30 graus, o visitante não pensa duas vezes em se entregar literalmente às duchas das cachoeiras ou ao banho nas piscinas naturais que são formadas pelos caminhos do Rio Verdinho. Descobre, por tudo isso, que Bonito, de verdade, é estar e ficar saudável em contato com a natureza.

O caminho da cidade até todas as cachoeiras está recheado com o melhor espírito de aventura. O acesso é por estradas de terra que vez por outra fazem com que os visitantes vistam-se de poeira. Para chegar a algumas delas é preciso deixar o carro para trás e percorrer a pé trilhas por dentro da mata. Sacrifícios por caminhos esburacados e sem sinalização que são compensados pelas paisagens que serão vistas.

Esse é o caso da Cachoeira Véu da Noiva, a maior queda d'água no município com um total de 45 metros de altura. A secretária de Turismo de Bonito, Ednamar Ramos, afirma que o lugar é um dos mais visitados da cidade e explica que esse nome foi dado exatamente por causa da semelhança a um "grande véu". "São três quedas de 15 metros cada uma", diz. Para chegar a essa cachoeira é preciso percorrer a partir da cidade um total de 21 quilômetros, sendo que mil metros devem ser a pé por uma trilha.

Um percurso menos dificultoso é para a Cachoeira de Correntes, também chamada de "Cavuco" e "Caripó". São 22 quilômetros a partir do Centro de Bonito por uma estrada de terra batida que tem uma largura para um carro em cada sentido. Essa cachoeira, como outras sete, está situada num território privado.

PARQUE - O proprietário da área, Glauco Pinto, transformou o lugar no "Bonito Ecoparque", a ser inaugurado oficialmente no final de dezembro e limitou o acesso a 200 pessoas por dia a fim de controlar a limpeza do lugar. Tem como atrativos a cachoeira, seis piscinas naturais e também as reservas florestais de Mata Atlântica. "Parte dessa área (fazia parte de um engenho) foi devastada há anos atrás para a exploração da cana-de-açúcar. Estamos reflorestando inicialmente com 300 mudas de árvores, entre espécies como a pau d'arco, sucupira, ipê e fruteiras", garante Glauco Pinto.

Para ter acesso ao parque ecológico, o visitante paga R$ 1,00, aliás essa é a única cachoeira onde é cobrada entrada. O proprietário explica que essa taxa é pedida como um fundo para preservação dos atrativos naturais da cidade. O dinheiro vai para a Associação de Meio Ambiente de Pernambuco. Além de reflorestar, o Bonito Ecoparque já contará no ano que vem com quinze chalés na área da frente para receber os visitantes.

A Cachoeira de Correntes tem uma queda d'água de cerca de 20 metros de altura. Uma das piscinas que ela forma é considerada um lago, já que possui uma profundidade de cerca de 2 metros. Portanto, um mergulho exclusivo para quem sabe nadar. Outras cinco piscinas estão situadas num trecho de 400 metros por uma trilha aberta por entre árvores, hortas, pássaros e borboletas azuis. Um cenário de tranqüilidade que chega a surpreender até quem mora no lugar.

O caseiro e agricultor Clóvis da Silva reside com sua família (esposa e dois filhos) e trabalha no Bonito Ecoparque. "Às vezes olho pela janela e nem acredito no que eu estou vendo", diz. O agricultor está há cinco anos no lugar, desde que funcionava como um engenho, e não tem qualquer saudade dos prédios, casas e poluição com que ele convivia na capital diariamente.


     

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