BONITO
Circuito
das águaspor LUIZ CLAUDIO
FERREIRA
Estresse e
preocupações não sobrevivem a
nenhuma das nove cachoeiras de
Bonito, cidade a apenas 135
quilômetros do Recife. Essas
águas formam uma rota no
Agreste, em meio a bolsões de
Mata Atlântica, que vem atraindo
turistas que desejam, além de
tranqüilidade, também refresco
aos dias cada vez mais quentes do
verão. Quando a temperatura
supera os 30 graus, o visitante
não pensa duas vezes em se
entregar literalmente às duchas
das cachoeiras ou ao banho nas
piscinas naturais que são
formadas pelos caminhos do Rio
Verdinho. Descobre, por tudo
isso, que Bonito, de verdade, é
estar e ficar saudável em
contato com a natureza.
O caminho da
cidade até todas as cachoeiras
está recheado com o melhor
espírito de aventura. O acesso
é por estradas de terra que vez
por outra fazem com que os
visitantes vistam-se de poeira.
Para chegar a algumas delas é
preciso deixar o carro para trás
e percorrer a pé trilhas por
dentro da mata. Sacrifícios por
caminhos esburacados e sem
sinalização que são
compensados pelas paisagens que
serão vistas.
Esse é o caso
da Cachoeira Véu da Noiva, a
maior queda d'água no município
com um total de 45 metros de
altura. A secretária de Turismo
de Bonito, Ednamar Ramos, afirma
que o lugar é um dos mais
visitados da cidade e explica que
esse nome foi dado exatamente por
causa da semelhança a um
"grande véu".
"São três quedas de 15
metros cada uma", diz. Para
chegar a essa cachoeira é
preciso percorrer a partir da
cidade um total de 21
quilômetros, sendo que mil
metros devem ser a pé por uma
trilha.
Um percurso
menos dificultoso é para a
Cachoeira de Correntes, também
chamada de "Cavuco" e
"Caripó". São 22
quilômetros a partir do Centro
de Bonito por uma estrada de
terra batida que tem uma largura
para um carro em cada sentido.
Essa cachoeira, como outras sete,
está situada num território
privado.
PARQUE -
O proprietário da área, Glauco
Pinto, transformou o lugar no
"Bonito Ecoparque", a
ser inaugurado oficialmente no
final de dezembro e limitou o
acesso a 200 pessoas por dia a
fim de controlar a limpeza do
lugar. Tem como atrativos a
cachoeira, seis piscinas naturais
e também as reservas florestais
de Mata Atlântica. "Parte
dessa área (fazia parte de um
engenho) foi devastada há anos
atrás para a exploração da
cana-de-açúcar. Estamos
reflorestando inicialmente com
300 mudas de árvores, entre
espécies como a pau d'arco,
sucupira, ipê e fruteiras",
garante Glauco Pinto.
Para ter acesso
ao parque ecológico, o visitante
paga R$ 1,00, aliás essa é a
única cachoeira onde é cobrada
entrada. O proprietário explica
que essa taxa é pedida como um
fundo para preservação dos
atrativos naturais da cidade. O
dinheiro vai para a Associação
de Meio Ambiente de Pernambuco.
Além de reflorestar, o Bonito
Ecoparque já contará no ano que
vem com quinze chalés na área
da frente para receber os
visitantes.
A Cachoeira de
Correntes tem uma queda d'água
de cerca de 20 metros de altura.
Uma das piscinas que ela forma é
considerada um lago, já que
possui uma profundidade de cerca
de 2 metros. Portanto, um
mergulho exclusivo para quem sabe
nadar. Outras cinco piscinas
estão situadas num trecho de 400
metros por uma trilha aberta por
entre árvores, hortas, pássaros
e borboletas azuis. Um cenário
de tranqüilidade que chega a
surpreender até quem mora no
lugar.
O caseiro e
agricultor Clóvis da Silva
reside com sua família (esposa e
dois filhos) e trabalha no Bonito
Ecoparque. "Às vezes olho
pela janela e nem acredito no que
eu estou vendo", diz. O
agricultor está há cinco anos
no lugar, desde que funcionava
como um engenho, e não tem
qualquer saudade dos prédios,
casas e poluição com que ele
convivia na capital diariamente.