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ARTIGO
Ai de
nós, vestibular
por JOSÉ
PAULO CAVALCANTI FILHO*
O vestibular
vai ficando cada vez mais
complicado. E muda todo ano.
Tanto que tenho certeza de que
não seria aprovado, hoje, em um
exame desses. Tenho consciência
de que estou ficando obsoleto.
Esqueci quase tudo que aprendi na
escola. Só que, em
compensação, aprendi fora dela
quase tudo que só se aprende na
vida. Estamos quites.
Semana passada
minha filha ensinou que não se
pode mais usar, na redação, nem
primeira pessoa nem gerúndio.
Pecado grave, segundo os
cursinhos. Pensando nisso decidi
(gerúndio e primeira pessoa, ai
de mim) passar olhos sobre um
tema recorrente nas provas de
português - as benditas
pontuações. Com a consciência
de que escrever a língua errada
do povo, língua certa do povo,
vai ficando a cada dia mais
difícil. Algum dia vou acabar
conseguindo. Mas fazer
pontuações corretas parece que
não vou conseguir, nunca.
Isto posto,
começo essa pequena
dissertação pelos pontos de
exclamação. Pomposos e tão
pouco usados. Claro que há
exceções, e alguns acabam
exagerando. Tom Wolfe, por
exemplo, escreveu mais de mil
pontos de exclamação só no seu
"A Fogueira das
Vaidades!". E a Rainha
Vitória, coitados de seus
contemporâneos, salpicava pontos
de exclamação em todas as suas
frases!
Já com
relação às vírgulas, tudo é
mais sutil. Delicado. Penso em
Apolo, que deu a Cassandra o dom
de prever o futuro; mas, por
vingança, a fez passar por
louca. E ninguém acreditava em
suas previsões. Porque ela
falava sem pausas, comendo as
vírgulas - vencerás não
morrerás. Sem que se pudesse
saber o sentido exato da frase:
"vencerás, não
morrerás"; ou,
indistintamente, "vencerás
não, morrerás". Depois da
tomada de Tróia, Cassandra
acabou assassinada - mas essa é
outra história.
E se para uns
virgulas faltam, em outros elas
sobram. Como no "Evangelho
Segundo Jesus Cristo", em
que Saramago usa (até onde
contei) uma média de 16 por
oração. E nem por isso seu
texto deixa de ser magistral.
Saramago inclusive nos ensina que
"o mau ladrão era um
rectíssimo homem, porque não
fingira acreditar que um minuto
de arrependimento basta para
resgatar uma vida inteira de
maldade ou uma simples hora de
fraqueza". O que bem valeria
para muita gente, hoje, lá pelos
confins do Planalto Central.
Já com as
aspas, o engraçado é que no
serviço público elas parecem se
prestar para tudo. Como em fato
narrado como verdadeiro por
pessoa idônea (mais ou menos);
referindo motorista levemente
egocêntrico que espinafrou
colegas com palavrões para todos
os gostos, pelo que acabou
suspenso. Razão pela qual
peticionou ao chefe da garagem,
exigindo ser informado sobre o
palavreado que teria usado para
merecer tão - segundo ele -
injusta suspensão. Tendo o chefe
da garagem apenas respondido, nos
autos, aproveitando as aspas:
"Vá à merda" Como
requer.
A ARTE DE
ERRAR - O Governo Federal
parece ter prazer em fazer as
coisa sempre errado. Como agora,
na regulamentação das Entidades
Filantrópicas; aprovada por Lei
Ordinária, quando seria
necessário Lei Complementar -
por força do artigo 146, II da
Constituição Federal.
Complicado é que ele foi
alertado sobre o erro e escolheu
fazer errado. Uma tara que só se
justifica pela auto-suficiência
de burocratas convencidos de que
sabem sempre mais que todo mundo.
Que não ouvem ninguém. Seria
cômico, se não fosse trágico.
RECURSOS DA
PRIVATIZAÇÃO - Em 30.11
São Paulo deveria ter pago 1
bilhão ao Governo Federal. Mas
pendurou, como 5 outros Estados.
Por aqui ninguém reclamou. E
agora reclamam que o dinheiro do
Bandepe não poderia ser usado
para pagar o funcionalismo. Sob o
argumento de não ser possível
firmar o mesmo aditivo contratual
que São Paulo acabou de fazer.
É preciso começar a pensar
Pernambuco com grandeza.
*José Paulo
Cavalcanti Filho é advogado
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