CIRURGIAS
Dois
transexuais trocam pênis por
vaginas em SPSÃO JOSÉ DO RIO
PRETO (SP) - O Hospital de
Base de São José do Rio Preto
deve realizar, hoje, duas
cirurgias para mudança de sexo,
sem autorização judicial. Pela
manhã, a transexual Maysa Stuani
da Silva, 28 anos, 1,88m, modelo
em Belo Horizonte, terá
extirpado o pênis e os
testículos e ganhará uma
vagina. À tarde, será a vez de
Guta, 31, cabeleireira. As
cirurgias estão entre as
primeiras no país realizadas por
um hospital universitário, com
base em resolução recente do
CFM (Conselho Federal de
Medicina).
A Unicamp
(Universidade de Campinas) fez a
primeira cirurgia de troca de
sexo no país, com autorização
judicial, no dia 8 de abril deste
ano. Esse tipo de cirurgia não
tem amparo legal. Segundo o
promotor de Justiça Eudes
Quintino Jr., 48 anos, o artigo
129 do Código Penal considera
lesão corporal gravíssima a
retirada de órgãos, com penas
previstas de dois a oito anos de
prisão. "Mas você pode dar
uma interpretação diferenciada
para a lei, considerando esse
tipo de cirurgia", disse o
promotor.
O departamento
jurídico do Hospital de Base
não obteve resposta, até o
final da tarde de ontem, a um
pedido de alvará judicial para
realizar a cirurgia. Com ou sem
autorização da Justiça, a
operação seria realizada,
segundo o urologista Carlos Cury,
53 anos, chefe da equipe. Ele se
baseia na resolução 1.482 do
CFM, de setembro de 1997, que
autoriza hospitais públicos ou
universitários a realizar, a
título de experiência,
cirurgias de
"transgenitalização",
como tratamento de casos de
transexualismo.
Diferentemente
do homossexual, o transexual tem
identidade feminina, age e vive
como mulher, segundo definição
do sexólogo e psiquiatra Sérgio
Almeida. O CFM considera o
transexual um portador de desvio
psicológico permanente de
identidade sexual.