EDUCAÇÃO II
Professora
de presidiários recebe homenagemÀs vésperas de se
aposentar, a professora Neide
Torquato recebeu uma homenagem
que não esperava: foi agraciada
com a Comenda Educacional Paulo
Freire. A premiação - medalha e
diploma - é concedida pelo
Conselho Estadual de Educação a
pessoas que se destacaram nessa
área em Pernambuco. O governador
Miguel Arraes, o secretário
estadual de Cultura, Ariano
Suassuna, e o reitor da
Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE), Mozart Neves
Ramos, foram alguns dos
homenageados, graças aos
incentivos concedidos à
Educação. A solenidade foi
realizada ontem à noite, na sede
do Conselho.
Professora
estadual há 26 anos, há quatro
ela leciona aos detentos do
presídio Professor Aníbal
Bruno, na escola que funciona na
unidade carcerária. E foi esse
trabalho que lhe valeu a
indicação feita pelo Sindicato
dos Trabalhadores em Educação
de Pernambuco (Sintepe) como a
profissional que melhor
representava a categoria, em meio
a 40 mil professores da rede
estadual de ensino.
"Estou
muito feliz em ser
premiada", disse. "A
emoção de ganhar esse prêmio
só não é maior do que quando
vejo um dos meus alunos
lendo", contou. Segundo a
professora, esse resultado é
ainda mais compensador quando se
tem noção das dificuldades de
ensinar aos detentos.
Um dos fatores
que atrapalham o trabalho da
professora - e do grupo ao qual
ela pertence - são as
"ausências" dos
alunos. "Do lado de fora,
eles se ausentam por que
trabalham, vivem de bicos. No
presídio, isso se dá pela
transferência do preso ou pelo
alvará de soltura",
explicou Neide.
A falta de
tempo ainda interfere no
encaminhamento do trabalho.
Segundo a professora, enquanto os
alunos de uma escola tradicional
ficam quase cinco horas em sala
de aula, os detentos passam cerca
de três horas. O que se
justifica pela rigidez dos
horários e pelas regras
estabelecidas para garantir a
segurança no presídio.
Interrupção das aulas para
recontagem de presos e tentativa
de fuga também dificultam a
situação.
Além de Neide
Torquato, cinco professoras se
revezam para educar cerca de 150
detentos no Aníbal Bruno. Com
turmas da alfabetização à
quarta série do ensino básico,
eles têm aulas de arte e
educação e inglês, além de
supletivo. "Todo o material
que utilizamos é fornecido
gratuitamente pela Secretaria
Estadual de Educação, com
direito a equipamento de vídeo e
televisão", apontou.
O detento
Antônio Marcos de Lima, 21 anos,
está orgulhoso de sua
professora. "Ela merece o
prêmio porque ensina bem, é
paciente e acalma a gente nesse
lugar difícil. É uma segunda
mãe para todos nós", diz.
Geovani Carlos Gondim, 22 anos,
acha mais do que justa a
concessão do prêmio. "Dona
Neide merece porque é uma boa
professora, que se esforça muito
para ensinar a gente",
afirma. Benício Roque, 25 anos,
acha a professora
"ótima" porque ensina
bem e ajuda a todos.
"Principalmente discutindo
os nossos problemas",
ressalta.