- - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

MEDO
Ação de traficantes aterroriza os moradores de Santo Amaro

A lei do silêncio impera no bairro de Santo Amaro, no Recife. Traficantes de drogas conhecidos como "Os Mosqueteiros" estão amedrontando a comunidade residente nas favelas do Campo das Vovozinhas, Campo do Onze, Bola na Rede e Salgado. Dos cinco líderes do grupo, dois foram mortos no último domingo, mas os três restantes continuam a aterrorizar a área. Os mortos eram conhecidos apenas como Robson e Pipos. Os outros são chamados de Marquinho, Chiquinho e Júnior.

Com medo de represálias, a população evita falar sobre o assunto abertamente. Os poucos que se arriscam afirmam que os líderes da quadrilha têm o comando da comunidade, contando inclusive com a conivência da Polícia Militar. "Toda hora a PM entra aqui na favela, mas nunca prende ninguém. Os policiais foram comprados pelos traficantes", denuncia uma moradora.

As pessoas do bairro dizem ainda que todos os integrantes da gangue vivem e residem na própria comunidade. "Eles nem se preocupam em se esconder. Todo mundo sabe quem eles são e onde moram, mas ninguém denuncia porque sabe que vai aparecer morto no outro dia", diz a mesma moradora, revoltada. No local, mais de oito mortes já foram atribuídas ao grupo.

Na favela do Campo das Vovozinhas, próxima ao Shopping Tacaruna, os moradores trancam-se em casa já a partir das 17h. "Aqui o povo sai durante a noite somente em caso de doença ou de uma necessidade muito grande", diz um antigo morador do local. "O perigo é a pessoa sair e não voltar mais", completa.

As pessoas que trabalham na região fecham suas portas mais cedo e, mesmo durante o dia, têm que fazer pequenos favores aos bandidos. "Num serviço que custa cerca de R$ 10,00, cobramos para eles R$ 3,00 ou R$ 4,00, quando cobramos", revela um cidadão que presta serviços na área, mas que teve medo até de revelar sua profissão.

GUERRA - Os moradores denunciam ainda que "Os Mosqueteiros" estão em guerra com outros grupos de traficantes da região, pois agora estão "trabalhando" também com drogas mais pesadas. "Antes eles vendiam somente maconha, mas agora estão trazendo também cocaína e crack", acredita um morador. Segundo esse mesmo morador, Marquinho, um dos líderes do grupo, é o responsável pela compra do "material" a ser revendido. "Ele está sempre viajando".


     

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