MEDO
Ação
de traficantes aterroriza os
moradores de Santo Amaro A lei do silêncio
impera no bairro de Santo Amaro,
no Recife. Traficantes de drogas
conhecidos como "Os
Mosqueteiros" estão
amedrontando a comunidade
residente nas favelas do Campo
das Vovozinhas, Campo do Onze,
Bola na Rede e Salgado. Dos cinco
líderes do grupo, dois foram
mortos no último domingo, mas os
três restantes continuam a
aterrorizar a área. Os mortos
eram conhecidos apenas como
Robson e Pipos. Os outros são
chamados de Marquinho, Chiquinho
e Júnior.
Com medo de
represálias, a população evita
falar sobre o assunto
abertamente. Os poucos que se
arriscam afirmam que os líderes
da quadrilha têm o comando da
comunidade, contando inclusive
com a conivência da Polícia
Militar. "Toda hora a PM
entra aqui na favela, mas nunca
prende ninguém. Os policiais
foram comprados pelos
traficantes", denuncia uma
moradora.
As pessoas do
bairro dizem ainda que todos os
integrantes da gangue vivem e
residem na própria comunidade.
"Eles nem se preocupam em se
esconder. Todo mundo sabe quem
eles são e onde moram, mas
ninguém denuncia porque sabe que
vai aparecer morto no outro
dia", diz a mesma moradora,
revoltada. No local, mais de oito
mortes já foram atribuídas ao
grupo.
Na favela do
Campo das Vovozinhas, próxima ao
Shopping Tacaruna, os moradores
trancam-se em casa já a partir
das 17h. "Aqui o povo sai
durante a noite somente em caso
de doença ou de uma necessidade
muito grande", diz um antigo
morador do local. "O perigo
é a pessoa sair e não voltar
mais", completa.
As pessoas que
trabalham na região fecham suas
portas mais cedo e, mesmo durante
o dia, têm que fazer pequenos
favores aos bandidos. "Num
serviço que custa cerca de R$
10,00, cobramos para eles R$ 3,00
ou R$ 4,00, quando
cobramos", revela um
cidadão que presta serviços na
área, mas que teve medo até de
revelar sua profissão.
GUERRA -
Os moradores denunciam ainda que
"Os Mosqueteiros"
estão em guerra com outros
grupos de traficantes da região,
pois agora estão
"trabalhando" também
com drogas mais pesadas.
"Antes eles vendiam somente
maconha, mas agora estão
trazendo também cocaína e
crack", acredita um morador.
Segundo esse mesmo morador,
Marquinho, um dos líderes do
grupo, é o responsável pela
compra do "material" a
ser revendido. "Ele está
sempre viajando".