CASO MARIA DO CARMO
Começa,
enfim, julgamento de procuradorQuase 21 anos depois de
ter sido acusado de tentar matar
a ex-mulher, a advogada Maria do
Carmo Costa Carvalho, o
procurador Luiz Fernando Dias dos
Santos finalmente foi submetido a
julgamento, ontem, no Fórum de
Jaboatão dos Guararapes. Mesmo
com o início da sessão, por
volta das 9h, muitas pessoas
ainda desconfiavam que o júri
seria adiado pela quinta vez. Em
função da complexidade do
processo, que possui mais de 15
volumes, o julgamento deverá se
estender até amanhã.
Na entrada do
fórum, parentes e amigos do
procurador e representantes do
movimento de mulheres carregavam
cartazes e faixas de apoio à
Maria do Carmo e a Luiz Fernando.
Logo no início do júri, um
pequeno desentendimento entre os
advogados de defesa e de
acusação por causa de uma
documentação anexada, de
última hora, ao processo quase
levou a um novo adiamento. O juiz
José Roberto Moreira, no
entanto, conseguiu contornar a
situação e retirou dos autos os
documentos apresentados pelas
duas partes.
Para a filha de
Maria do Carmo, Daniela Costa
Carvalho, a culpabilidade do pai
foi confirmada com o seu
depoimento no júri. "O
procurador havia dito no processo
que tinha reconhecido a pessoa
que atirou na minha mãe pelo
clarão do tiro. Agora ele tentou
mudar sua versão por saber que
ela é absurda", observou.
Já a cunhada de Luiz Fernando,
Socorro Costa, afirma estar
confiante de que a inocência do
réu será provada. "Quem o
conhece sabe que ele não seria
capaz de fazer isso. Maria do
Carmo foi induzida a acusar Luiz
Fernando", avaliou.
Apesar de o
julgamento ter sido iniciado,
existe ainda uma pendência legal
que, segundo alguns advogados,
poderá anular o resultado da
sentença. No mês passado, os
advogados de defesa deram entrada
com um habeas-corpus questionando
a formação do júri, mas a
solicitação ainda não foi
julgada pelo Tribunal de Justiça
de Pernambuco. Caso a decisão
seja favorável ao réu, é
possível que o julgamento tenha
que ser realizado novamente. A
expectativa é que o pedido seja
analisado até a próxima
quarta-feira - último dia de
atividades do Judiciário, antes
das férias forenses.