- - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

CASO MARIA DO CARMO
Começa, enfim, julgamento de procurador

Quase 21 anos depois de ter sido acusado de tentar matar a ex-mulher, a advogada Maria do Carmo Costa Carvalho, o procurador Luiz Fernando Dias dos Santos finalmente foi submetido a julgamento, ontem, no Fórum de Jaboatão dos Guararapes. Mesmo com o início da sessão, por volta das 9h, muitas pessoas ainda desconfiavam que o júri seria adiado pela quinta vez. Em função da complexidade do processo, que possui mais de 15 volumes, o julgamento deverá se estender até amanhã.

Na entrada do fórum, parentes e amigos do procurador e representantes do movimento de mulheres carregavam cartazes e faixas de apoio à Maria do Carmo e a Luiz Fernando. Logo no início do júri, um pequeno desentendimento entre os advogados de defesa e de acusação por causa de uma documentação anexada, de última hora, ao processo quase levou a um novo adiamento. O juiz José Roberto Moreira, no entanto, conseguiu contornar a situação e retirou dos autos os documentos apresentados pelas duas partes.

Para a filha de Maria do Carmo, Daniela Costa Carvalho, a culpabilidade do pai foi confirmada com o seu depoimento no júri. "O procurador havia dito no processo que tinha reconhecido a pessoa que atirou na minha mãe pelo clarão do tiro. Agora ele tentou mudar sua versão por saber que ela é absurda", observou. Já a cunhada de Luiz Fernando, Socorro Costa, afirma estar confiante de que a inocência do réu será provada. "Quem o conhece sabe que ele não seria capaz de fazer isso. Maria do Carmo foi induzida a acusar Luiz Fernando", avaliou.

Apesar de o julgamento ter sido iniciado, existe ainda uma pendência legal que, segundo alguns advogados, poderá anular o resultado da sentença. No mês passado, os advogados de defesa deram entrada com um habeas-corpus questionando a formação do júri, mas a solicitação ainda não foi julgada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. Caso a decisão seja favorável ao réu, é possível que o julgamento tenha que ser realizado novamente. A expectativa é que o pedido seja analisado até a próxima quarta-feira - último dia de atividades do Judiciário, antes das férias forenses.


     

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