POLUIÇÃO
Consema
quer barrar combustível com MTBEO Conselho Estadual de
Meio Ambiente (Consema) vai
encaminhar ao governador Miguel
Arraes um pedido de suspensão da
venda de combustíveis que
contêm a mistura
metil-tucil-butil-éter (MTBE),
liberado para comercialização
pela Petrobras. A decisão foi
tomada ontem, durante reunião do
Consema, no auditório da
Companhia Pernambucana do Meio
Ambiente (CPRH). O produto, que
ainda não chegou no Recife, foi
proibido no Paraná e em várias
cidades de São Paulo.
Segundo
Reginaldo Valença, representante
da Federação das Indústrias do
Estado de Pernambuco (Fiepe) no
Consema, a adição do produto à
gasolina pode causar sérios
problemas ao meio ambiente e à
saúde. Ele alertou que o uso de
10% de MTBE é o suficiente para
liberar 200 vezes mais dióxido
de carbono (CO2) que as
substâncias utilizadas
normalmente nos combustíveis.
"O MTBE causa dores de
cabeça, náuseas e tonturas,
além contribuir para o
desenvolvimento de tumores",
disse Valença.
Durante a
reunião, a Comissão para a
Questão de Agrotóxicos do
Consema apresentou um relatório
de atividades desenvolvidas por
órgãos estaduais que fiscalizam
a utilização de inseticidas em
atividades agrícolas. De acordo
com o vice-presidente da
comissão, Adeílson de Luna, as
amostras de tomates cultivados no
município de Camocim de São
Félix apresentavam cerca de 60%
de índice de inseticidas acima
do permitido, além da presença
de produtos clorados, os quais
são terminantemente proibidos
por lei federal. Para reverter a
situação, o Instituto
Tecnológico do Estado de
Pernambuco (Itep) implantou um
posto de monitoramento de
resíduos na Ceasa, com objetivo
de controlar a qualidade dos
tomates que chegam ao Recife.
Luna relatou,
ainda, uma denúncia sobre o uso
de inseticidas e de agrotóxicos
em pó na região de
Petrolândia. A ilegalidade foi
constatada por dois projetos de
fiscalização desenvolvidos no
município. "Agora resta o
Ministério Público apurar quem
são os responsáveis por estas
ilegalidades".