PESQUISA
Remédios
para evitar depressão podem
causar danos nos fetosA administração de
antidepressivos em gestantes pode
provocar seqüelas neurológicas
nos bebês, revela pesquisa
realizada na Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE). "Os
riscos são maiores a partir do
sexto mês de gravidez, quando o
embrião entra no chamado
período crítico", adverte
a autora do estudo, a
nutricionista Tereza Deiró.
O período
crítico vai do terceiro
trimestre de gestação até dois
anos de idade. Tereza Deiró, que
ensina na Universidade Federal da
Bahia e fez seu mestrado na UFPE,
explica que nessa fase o sistema
nervoso central da criança fica
mais vulnerável às agressões
externas. A professora realizou
os testes em ratos e fez a
equivalência dos resultados para
humanos. "Eticamente não se
pode fazer esse tipo de estudo em
gente", justifica.
Nos ratos o
"período crítico" vai
do nascimento até o 21º dia,
coincidindo com o aleitamento.
Tereza separou os ratos em dois
grupos, um controle e outro
submetido à injeção
subcutânea de um inibidor de
receptação de serotonina
(antidepressivo).
A serotonina,
lembra a pesquisadora, é um dos
neurotransmissores existentes no
cérebro que realizam a sinapse -
ligação entre os neurônios, as
células do sistema nervoso
central.
O segundo grupo
foi ainda subdividido em três,
com administração de dosagens
de cinco miligramas de droga por
quilo de peso (mg/kg), 10 mg/kg e
20 mg/kg. "Fizemos a
avaliação sensório-motora,
através dos reflexos, observando
os níveis de seqüela
neurológica", conta a
professora Tereza Deiró.
REFLEXOS -
A pesquisa avaliou sete tipos de
reflexos nos ratinhos: fechar a
mão a partir de um estímulo,
virar o corpo depois de ser
colocado com o dorso para baixo,
dar a volta e subir em uma rampa,
responder a um susto, recuar ao
chegar na borda de uma
superfície, girar o corpo antes
de cair e responder à
proximidade de um obstáculo a
partir do contato com as
vibrícias (bigodes).
"Os
animais do grupo controle
respondiam aos estímulos mais
rápido que os submetidos à
droga", afirma a
pesquisadora. Ela também
analisou o peso, tamanho e tomou
as medidas do crânio.
"Avaliei os ratos por 110
dias, mesmo depois de suprimir a
droga, e observei que os
submetidos ao antidepressivo
tiveram redução do peso
corporal e do crescimento",
diz.
Eles também
passaram a ingerir mais água.
"Ainda não sabemos o
motivo", adianta. Os testes
foram feitos no Laboratório de
Fisiologia da Nutrição da UFPE.