- - - - - - -- - - - - - - -- - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

PESQUISA
Remédios para evitar depressão podem causar danos nos fetos

A administração de antidepressivos em gestantes pode provocar seqüelas neurológicas nos bebês, revela pesquisa realizada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Os riscos são maiores a partir do sexto mês de gravidez, quando o embrião entra no chamado período crítico", adverte a autora do estudo, a nutricionista Tereza Deiró.

O período crítico vai do terceiro trimestre de gestação até dois anos de idade. Tereza Deiró, que ensina na Universidade Federal da Bahia e fez seu mestrado na UFPE, explica que nessa fase o sistema nervoso central da criança fica mais vulnerável às agressões externas. A professora realizou os testes em ratos e fez a equivalência dos resultados para humanos. "Eticamente não se pode fazer esse tipo de estudo em gente", justifica.

Nos ratos o "período crítico" vai do nascimento até o 21º dia, coincidindo com o aleitamento. Tereza separou os ratos em dois grupos, um controle e outro submetido à injeção subcutânea de um inibidor de receptação de serotonina (antidepressivo).

A serotonina, lembra a pesquisadora, é um dos neurotransmissores existentes no cérebro que realizam a sinapse - ligação entre os neurônios, as células do sistema nervoso central.

O segundo grupo foi ainda subdividido em três, com administração de dosagens de cinco miligramas de droga por quilo de peso (mg/kg), 10 mg/kg e 20 mg/kg. "Fizemos a avaliação sensório-motora, através dos reflexos, observando os níveis de seqüela neurológica", conta a professora Tereza Deiró.

REFLEXOS - A pesquisa avaliou sete tipos de reflexos nos ratinhos: fechar a mão a partir de um estímulo, virar o corpo depois de ser colocado com o dorso para baixo, dar a volta e subir em uma rampa, responder a um susto, recuar ao chegar na borda de uma superfície, girar o corpo antes de cair e responder à proximidade de um obstáculo a partir do contato com as vibrícias (bigodes).

"Os animais do grupo controle respondiam aos estímulos mais rápido que os submetidos à droga", afirma a pesquisadora. Ela também analisou o peso, tamanho e tomou as medidas do crânio. "Avaliei os ratos por 110 dias, mesmo depois de suprimir a droga, e observei que os submetidos ao antidepressivo tiveram redução do peso corporal e do crescimento", diz.

Eles também passaram a ingerir mais água. "Ainda não sabemos o motivo", adianta. Os testes foram feitos no Laboratório de Fisiologia da Nutrição da UFPE.

 
     

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