ENERGIA
Sem
BNDES, Celpe só cumpre 70% da
eletrificação ruralA Companhia Energética
de Pernambuco (Celpe) investiu
mais de R$ 149 milhões em 1998
em programas como de
eletrificação rural, fim das
ligações clandestinas,
expansão do sistema de
transmissão, entre outros. O
relatório foi divulgado ontem
pela diretoria de Gestão do
Sistema Elétrico, responsável
pela implantação da maioria dos
programas.
Segundo o
presidente da empresa, Fábio
Lopes, com esses investimentos, a
Celpe está mais do que pronta
para a futura privatização.
"A empresa está bem
ajustada. Não sofremos a
pressão da demanda do interior,
pois a área rural está 70%
eletrificada, as ligações
clandestinas foram reduzidas ao
máximo, possibilitando uma
redução nas perdas da companhia
de 19% para 17% e foram
instaladas 14 novas
subestações. A Celpe tem
condições de alavancar um boa
venda", acredita o
presidente Fábio Lopes.
Entre os
investimentos realizados, o de
maior repercussão foi o programa
"Luz que Produz", que
eletrificou mais de 70 mil
propriedades rurais.
Inicialmente, a previsão era
eletrificar 100 mil propriedades
rurais, mas para isso ele contava
com os R$ 700 milhões que o
Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) iria
repassar na antecipação da
venda da própria Celpe. Desse
montante, R$ 95 milhões seriam
destinados ao programa, estimado
em R$ 120 milhões. O restante
viria dos dividendos gerados pelo
lucro líquido da companhia.
Mesmo assim, a
Celpe só não realizou 30% do
estimado no programa. Para
continuar as obras, a companhia
atrasou dois meses o repasse de
pagamentos para a Chesf, dívida
que será paga, através de
acordo entre as duas partes, em
12 vezes. De acordo com o diretor
de Gestão do Sistema Elétrico,
Hélio Lopes, atualmente 55 mil
ligações rurais estão
totalmente concluídas. As outras
15 mil deverão estar prontas em
45 dias, segundo a previsão.
Para o
presidente Fábio Lopes, os
resultados dos leilões das
companhias energéticas de
Alagoas (Ceal) e da Paraíba
(Saelpa) não quer dizer que a
situação está negativa para a
futura privatização da Celpe.
Segundo o presidente, a crise na
economia nacional e em nível
mundial pode ser um dos
obstáculos para o interesse nas
energéticas. Além disso, a
legislação exige que cada
empresa só pode dominar até 20%
de cada mercado.