- - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

ENERGIA
Sem BNDES, Celpe só cumpre 70% da eletrificação rural

A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) investiu mais de R$ 149 milhões em 1998 em programas como de eletrificação rural, fim das ligações clandestinas, expansão do sistema de transmissão, entre outros. O relatório foi divulgado ontem pela diretoria de Gestão do Sistema Elétrico, responsável pela implantação da maioria dos programas.

Segundo o presidente da empresa, Fábio Lopes, com esses investimentos, a Celpe está mais do que pronta para a futura privatização. "A empresa está bem ajustada. Não sofremos a pressão da demanda do interior, pois a área rural está 70% eletrificada, as ligações clandestinas foram reduzidas ao máximo, possibilitando uma redução nas perdas da companhia de 19% para 17% e foram instaladas 14 novas subestações. A Celpe tem condições de alavancar um boa venda", acredita o presidente Fábio Lopes.

Entre os investimentos realizados, o de maior repercussão foi o programa "Luz que Produz", que eletrificou mais de 70 mil propriedades rurais. Inicialmente, a previsão era eletrificar 100 mil propriedades rurais, mas para isso ele contava com os R$ 700 milhões que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iria repassar na antecipação da venda da própria Celpe. Desse montante, R$ 95 milhões seriam destinados ao programa, estimado em R$ 120 milhões. O restante viria dos dividendos gerados pelo lucro líquido da companhia.

Mesmo assim, a Celpe só não realizou 30% do estimado no programa. Para continuar as obras, a companhia atrasou dois meses o repasse de pagamentos para a Chesf, dívida que será paga, através de acordo entre as duas partes, em 12 vezes. De acordo com o diretor de Gestão do Sistema Elétrico, Hélio Lopes, atualmente 55 mil ligações rurais estão totalmente concluídas. As outras 15 mil deverão estar prontas em 45 dias, segundo a previsão.

Para o presidente Fábio Lopes, os resultados dos leilões das companhias energéticas de Alagoas (Ceal) e da Paraíba (Saelpa) não quer dizer que a situação está negativa para a futura privatização da Celpe. Segundo o presidente, a crise na economia nacional e em nível mundial pode ser um dos obstáculos para o interesse nas energéticas. Além disso, a legislação exige que cada empresa só pode dominar até 20% de cada mercado.


     

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