JUROS
Fiepe
critica juros altos e prevê ano
de 99 difícilO discurso proferido
pelo presidente da Federação
das Indústrias do Estado de
Pernambuco (Fiepe), Armando
Monteiro Neto, ontem, na
confraternização anual da
entidade, não contou com o
otimismo geralmente reinante nas
festas de final de ano. Em meio
à crise econômica nacional, com
o setor industrial apresentando
baixos índices de produtividade,
Armando Monteiro Neto afirmou, no
início da cerimônia, que
"infelizmente, 1998 foi um
ano dificílimo para o setor,
quando fomos forçados a conviver
com uma política monetária
rígida e taxas de juros
absolutamente
incompatíveis".
Mesmo com a
presença do vice-presidente da
República, Marco Maciel, o
presidente da Fiepe não poupou
críticas à política econômica
adotada pelo Governo Federal.
"No auge da crise,
costurou-se com o FMI um regime
de assistência financeira que
não é garantia para a
superação dessa situação
delicada vivida pela economia
nacional". As afirmações
de Monteiro são orientações da
Confederação Nacional da
Indústria (CNI), que apresentou
a Fernando Henrique, essa semana,
um documento exigindo apoio ao
setor.
O empresário
Armando Monteiro Neto, deputado
federal eleito nas últimas
eleições (PMDB), citou o
desequilíbrio nas contas
públicas, a "complexidade
do sistema tributário que não
favorece o setor produtivo"
e a "infra-estrutura
ineficiente" como entraves
ao desenvolvimento industrial.
Ele prevê, caso não haja
mudanças no próximo ano,
"um biênio com aumento de
dívida pública e estagnação
econômica".
AGENDA -
O calendário de atividades
previsto para serem desenvolvidas
em 1999 pela Fiepe é formado, em
sua maioria, por reivindicações
junto ao Governo Fernando
Henrique. Entre as principais,
estão o avanço nas reformas
constitucionais - em especial a
tributária, para diminuir as
distorções de ICMS entre os
Estados e aumentar a
arrecadação -, a redução das
taxas de assistência bancária
(Tban) e de juros a longo prazo
(TJLP) - e a definição de uma
política industrial.