SUCROALCOOLEIRO
Subsídio
visa acabar esquema com álcoolO Programa de
Equalização de Custos de
Produção da Cana-de-Açúcar,
que tem como algumas de suas
finalidades acabar com o
contrabando de álcool na região
e criar empregos na Zona da Mata,
vai beneficiar cerca 8,5 mil
produtores da região. O
programa, coordenado pela Sudene,
retira o subsídio do produtor de
álcool e o transfere para os
produtores de cana-de-açúcar.
Os termos do programa foram
assinados ontem, na sede da
Sudene, pelo presidente da
autarquia, Sérgio Moreira, o
vice-presidente da República,
Marco Maciel, e representantes de
associações e sindicatos dos
setore des açúcar e álcool do
Nordeste.
Pelo programa,
serão repassados - em um ano -
R$ 186,7 milhões a 25 mil
produtores de cana nordestinos -
Pernambuco ficará com 34,85%
desta verba. A cada mês, serão
repassados, em média, R$ 15,5
milhões aos produtores. O
superintendente da Sudene,
Sérgio Moreira, acredita que o
programa ajudará a fixar o homem
no campo e a viabilizar a
produção na região, que
também é voltada para
exportação.
Além desses
recursos, os produtores também
irão receber, como empréstimo e
a título de antecipação do
subsídio, R$ 76 milhões em duas
parcelas, a serem pagas em
janeiro e fevereiro. Este
dinheiro - calculado com base na
safra 97/98, que foi de 19
toneladas - será compensado ao
longo do processo de
equalização, a partir de maio
do próximo ano a julho de 2000,
a base de R$ 4,00 por tonelada.
Os recursos -
repassados à Sudene pela
Agência Nacional de Petróleo
(ANP) e provenientes da parcela
de preço específico da conta
petróleo/ólcool - deverão
atender a um volume de 36
milhões de toneladas de cana que
serão equalizadas a um preço de
R$ 5,0734 por tonelada produzida
e processada no Nordeste.
O presidente da
Associação dos Fornecedores de
Cana de Pernambuco, Manoel
Antônio Soares, acredita que,
com a equalização, as
indústrias farão uma economia
maior porque desembolsarão muito
mais dinheiro e com isso vão ter
mais R$ 5,07 por tonelada.
"Numa safra de um milhão de
toneladas, uma usina tem R$ 5
milhões, que ela vai deixar de
pagar ao produtor", compara.
Com a
equalização, a única perda do
produtor é o ágio da sacarose
(cana paga pelo açúçar que ela
tem). "Esse ágio que
tínhamos da sacarose nós
recebíamos em cima do preço de
R$ 19,70, que é o valor da cana
no campo. Perdemos o valor da
sacarose com a equalização
porque vamos receber também pelo
preço da cana no campo, que é
de R$ 14,99, então perdermos aí
12%", explica Soares.
REPERCUSSÃO
- Para o presidente do
Sindaçúcar, José Ranulfo, o
programa cria um diferencial em
termos agrícolas em relação à
Região Centro Sul. "Temos
aqui uma região com problemas
climáticos, topográficos e um
emprego de mão-de-obra em
relação às outras regiões bem
maior maior", lembra
Ranulfo. Segundo ele, o pleito
inicial dos produtores era maior
que o de R$ 5,07, mas o governo,
em função das limitações
orçamentárias, baixou a esse
valor. Limitou também em volume
de cana, que é de 48,5 milhões
de toneladas.
Para o
vice-presidente Marco Maciel, o
programa representará apoio a
quem produz e não a quem
especula com a venda do álcool,
muitos dos quais de outras
regiões do País. Ele destaca
que, historicamente, a Sudene
sempre esteve fora da agricultura
canavieira, mas que agora caberá
a autarquia coordenar e
supervionar o novo sistema de
pagamento de subsídio.