CALMA...
Receitas
para a conquista do bem-estarpor ELISABETH ORSINI
E MARCIA CEZIMBRA
Agência Globo
Dinheiro curto,
medo de desemprego, mau humor no
trabalho, problemas com os
filhos, decepções amorosas,
nervos à flor da pele. Isso é
vida? A resposta do psicólogo
americano, Richard Carlson, de 37
anos, é um sonoro não. Ele faz
parte da simple generation, uma
geração pós-yuppie que
valoriza a simplificação da
vida. E ganha cada vez mais
adeptos: seu último livro Não
faça tempestade em copo
d'água... e tudo na vida são
copos d'água (Editora Rocco) já
vendeu seis milhões de
exemplares nos Estados Unidos.
Carlson ensina
caminhos simples para que a luta
pela sobrevivência não atropele
a própria existência. São
regras para conviver melhor com
os filhos, valorizando o lazer, a
contemplação do mundo e de si
mesmo. Um dos cem exercícios
táticos para esta conquista do
bem-estar é viver cada dia como
se fosse o último. "Nossa
tendência é reagir
violentamente, superdimensionar
os problemas e nos apegarmos
demasiadamente às nossas
posições. Passamos a vida
destrinchando um problema atrás
do outro. Temos justificativas
sofisticadas para viver assim e
empregamos a maior parte de nosso
tempo e energia fazendo coisas
que não são tão
importantes", diz o
psicólogo, para quem é
fundamental aprender a
desenvolver a contemplação e
ter momentos diários de
meditação.
SER PELO TER
- Entre os pequenos truques
de Carlson estão exercícios
para tornar-se um ouvinte melhor
e enxergar o que há por trás
das ações das pessoas que nos
rodeiam. Segundo o autor, a
simplificação da vida é o
antídoto para a ilusão
contemporânea de que quanto mais
coisas a pessoa tenha - bens de
consumo, propriedades, altos
rendimentos - maior a
satisfação interior, o que
provocou uma corrida consumista
que anula a existência.
O sujeito deixa
de existir para se tornar
workaholic (maníaco por
trabalho), fascinado por fama e
dinheiro. "À medida que
incorporamos esta prática de
não fazer tempestade em copos
d'água, e tudo na vida são
copos d'água, construímos um
ser humano mais pacífico e
amoroso. A vida não deve ser
levada tão a sério",
sugere.
Longe dos
sábios conselhos de Carlson, os
brasileiros fazem o que podem
para não estragarem a vida com
bobagens, frescuras, coisas
insignificantes. A pior crise
econômica pode passar quase em
branco para quem sabe viver. Que
o diga a socialite Carmem Mayrink
Veiga, cuja receita de bem-estar
é não esquentar a cabeça.
"Eu simplesmente me desligo
e pronto. Se estou numa
situação desagradável,
imagino, por exemplo, que estou
comprando uma motocicleta roxa. A
única coisa que quase me tira do
sério é a pontualidade. Mas,
como não espero ninguém, não
é grave. Se você marca comigo
às 16h na porta de um cinema,
não vai me encontrar lá às
16h05m. Já estarei vendo o
filme", diz.
Nem todo mundo
é Carmem Mayrink Veiga. A atriz
Norma Bengell converteu-se ao
budismo para aprender a não se
destemperar. "Sempre tive
pavio curto. Uma vez tive uma
briga tão grande com o diretor
Daniel Filho que acabei saindo da
novela. Frescura! E me arrependo
até hoje", lamenta.