CALMA...
II
Os
segredos das celebridades para
ter pazMuitos
conselhos do americano Richard
Carlson já são adotados por
vários brasileiros. Um deles, o
famoso de contar até dez antes
de estourar, é hábito do
compositor João Nogueira. O
estilista Marco Sabino relaxa com
uma massagem e o escritor
Silviano Santiago prefere fazer
tempestades em copos de uísque.
MARCO NANINI,
ator: "Eu procuro não fazer
tempestade em copos d'água
porque a vida já é muito
complicada. Quando uma coisa é
definitiva, viro a página e isto
me já dá um sentimento de
liberdade. Pegou fogo no Teatro
Casa Grande? Nada de dramas. Duas
horas depois estávamos reunidos
discutindo o futuro. Sempre penso
logo na pior das hipótese, assim
o que vier é lucro. Quando temo
que algo de ruim vai acontecer,
penso que pior seria se eu
morresse. O que pode haver de
pior que a própria morte?"
JOÃO
NOGUEIRA, compositor:
"Já fiz muita bobagem, mas
hoje aprendi a levar a vida com
humor e alegria. Tive problemas
sérios de saúde e, ainda assim,
com a ajuda da música, estou
conseguindo superá-los. O samba
me salvou. Estou fazendo shows
lindos e hoje encerro uma
temporada no Teatro Rival, onde
canto com meus três filhos. Mas
às vezes as pessoas me dizem
coisas que conto até dez para
não sair do sério. Na estréia
deste show, eu emocionadíssimo
de estar ali com meus filhos, que
são o que há de mais importante
na minha vida, ouço um
inconveniente me dizer que eu
tinha que abrir mais espaço para
meus filhos no mundo artístico.
Contei até dez..."
SILVIANO
SANTIAGO, escritor:
"Este negócio de tempestade
em copo d'água me incomoda
muito. Por que não fazemos
tempestade em copo de uísque? on
the rocks, chuva com granizo...
É muito melhor!"
VERA LOYOLA,
empresária: "Procuro tirar
o melhor da pior situação. Do
limão, sempre faço uma
limonada. Sempre tem alguém
chorando, mas sempre tem alguém
fabricando lenço para secar as
lágrimas. Mas arrependo-me de
muitas tempestades, de ter
chamado a atenção dos meus
filhos quando tiravam nota baixa
ou não comiam. Outro dia, minha
filha Anna Thereza me disse que
não toma sopa pastosa porque é
traumatizada. Ela lembrou que uma
vez eu peguei um prato com uma
comida pastosa e esfreguei na
cara dela porque ela não queria
comer.
TAÍS
ARAÚJO, atriz: "Já fiz
muitas tempestades em copo
d'água, principalmente com o
noticiário da imprensa. Quando
tirei a roupa na novela Chica da
Silva, todas as revistas
reproduziram do vídeo a cena. Eu
estava nua em todas as revistas.
Fiquei louca. Queria matar,
processar, me matar, achei a vida
tinha acabado. Bobagem!"
MARCO SABINO,
estilista: "Estou super
calmo, quase não faço mais
tempestades. Escuto música new
age, faço massagem Breema, com o
João Luís Moreira, uma terapia
que nasceu no Irã, toda feita no
solo em cima de tapetes iranianos
e persas. O corpo funciona
semelhante a uma cebola: as
frustrações vão sendo
colocadas sobre o corpo,
entortando-o, encurvando-o. A
massagem, através do toque, vai
retirando essas camadas. São
quase duas horas de massagem e o
João não diz uma só palavra.
Depois da sessão, olho bem
diferente para todo esse mundo
caótico."
TÚLIO,
jogador de futebol: "No
primeiro semestre de 1997 eu
jogava no Corinthians e me
venderam para o Cruzeiro. Mas eu
não sabia. Era véspera de um
jogo decisivo do Corinthians e eu
dei um ataque. Fizeram de
sacanagem para me botar nervoso e
também para que a torcida do
Corinthians ficasse contar mim.
Fiquei uma fera, xinguei, falei o
que não devia. Mas não me
arrependo. Hoje faria até pior.
Acho que as pessoas têm que
lutar pelos seus direitos tanto
no campo profissional quanto no
pessoal."