PERSONAGEM
O
monge eremita de 1001 atividadespor FABÍOLA BLAH
blah@jc.com.br
Trompetista,
diagramador, repórter, redator,
subeditor, editor e, por fim,
monge eremita. Simultâneo a tudo
isso, usuário voraz de OS/2,
criador de uma homepage sobre o
assunto, que tornou-se o
trigésimo site mais acessado em
todo o mundo na área de
computadores, contabilizando
quase duas mil visitas por dia.
Quem é esse? Algum gênio
norte-americano ou japonês que
passa o dia inteiro
escarafunchando o micro,
descobrindo as particularidades
de cada chip? Ou um internauta
desvairado, que perde horas a fio
do dia pela Rede, atrás de
informações para atualizar sua
página?
Nada disso. Ele
é um senhor de 87 anos, eremita,
que mora em algum lugar do
Brasil, sem entrar em contato
físico com ninguém. Na Web, é
conhecido como tio Macarlo, mas
seu nome verdadeiro é Carlos
André Velado Marcier. Em
entrevista via e-mail, ele
explica: "Meu primeiro
acesso à Internet foi pela IBM e
o servidor deles me deu duas
opções para login: carloma e
macarlo. Escolhi este último e
acabei ficando conhecido
assim".
O currículo de
Marcier é dos mais ecléticos.
Aos 19 anos, ele ordenou-se
exorcista na ordem dos
dominicanos e, até hoje, mantém
um site para a Ordem dos
Exorcistas da Igreja Católica
Apostólica Romana. Por 28 anos,
Marcier foi casado com Iolanda
Therezinha Marcier e, durante
este mesmo período, integrou a
Ordem Rosacruz A.M.O.R.C., de
onde é membro vitalício até
hoje. A Ordem Rosacruz é uma
organização internacional que
reúne homens e mulheres para o
estudo e aplicação prática das
leis naturais que regem o
universo e a vida. Com a morte da
esposa, ele resolveu tornar-se
monge na Ordem de São Bento, mas
não pôde ser recolhido ao
mosteiro. De acordo com os
preceitos do Credo Rosacruz, o
que ocorre é a reencaranção da
alma humana - para os católicos,
existe vida eterna. Esse conflito
de posições obrigou Carlos
André a tornar-se eremita.
MANUAL -
Nessa condição, Carlos André
Marcier não mantém contato com
ninguém no mundo exterior, a
não ser pela Internet. Para se
sustentar, passou a escrever e
editar publicações sobre
teologia, em latim e português.
Feitos em OS/2 Warp, os livros
foram cortados manualmente e
vendidos para estudiosos sobre o
assunto. Apesar desse dinheiro
ser suficiente para sua
sobrevivência, o monge resolveu
trabalhar com programação, na
linguagem C"" -
escreveu diversos aplicativos,
mas foi um programa para
compressão de dados e backup seu
maior sucesso. Em dois meses, o
software foi baixado e registrado
inúmeras vezes, por US$ 25,00,
com pagamento através de cartão
de crédito internacional.
"Foi a partir daí que
resolvi fazer o site sobre
OS/2", recorda-se.
O interesse por
computadores vem dos tempos de
jornalista. Na época em que a
redação do jornal carioca O
Globo foi informatizada, Carlos
André já escrevia uma coluna,
no caderno de economia, sobre
informática e tecnologia digital
- o espaço foi assumido,
posteriormente, por outros
jornalistas. "Hoje, cresceu
e está sob o controle de Cora
Ronái. Virou o Caderno de
Informática do jornal",
afirma.
Na época em
que era trompetista, Macarlo
tinha diversos amigos que lidavam
também com música. Um
violoncelista do Teatro Municipal
de São Paulo, usuário do OS/2
Warp, foi o responsável pela
iniciação de Carlos André
Marcier no sistema - ele já
buscava um software mais
produtivo do que o Windows, pois
precisava de um sistema mais
estável para lidar com música e
desktop publishing (edição de
textos e imagens, para produção
de livros e cartazes). "O
OS/2 foi uma opção que resolveu
meus problemas", diz.
Serviço:
http://macarlo.com