GOLFO
PÉRSICO
Ataque
já deixou pelo menos 25 mortosBAGDÁ -
Ampliando sua maior ação
militar desde a Guerra do Golfo,
os EUA e a Grã-Bretanha
lançaram na noite de ontem e na
madrugada desta sexta, pelo
horário local, a segunda rodada
de ataques aéreos contra o
Iraque para esmagar sua
capacidade de produzir armas de
destruição em massa e
anunciaram que os primeiros
bombardeios foram um êxito,
reduzindo a ruínas importantes
edifícios militares na área de
Bagdá.
"Não
houve baixas americanas e estamos
alcançando boa cobertura de
alvos", comemorou o
secretário de Defesa dos EUA,
William Cohen. "Nossos alvos
incluem o sistema de defesa
aérea do Iraque, seus centros de
comando e controle, campos
aéreos e outras instalações e
infra-estruturas militares".
O ministro
iraquiano da Saúde, Umid Madhat
Mubarak, informou no fim da noite
de hoje que pelo menos 25 pessoas
morreram e 75 ficaram feridas nos
ataques em Bagdá desde a noite
anterior. Um dos feridos foi o
deputado ultranacionalista russo
Vladimir Kostyuktin, que estava
no Iraque a negócios, informou a
chancelaria da Rússia. Em
represália ao ataque, o governo
russo chamou ontem de volta ao
país para consultas seu
embaixador em Washington, Yuli
Vorontsov. O porta-voz do
Departamento de Estado dos EUA,
James Rubin, qualificou a
decisão russa de
"infeliz".
No ataque, um
dos mísseis lançados contra a
cidade iraquiana de Basra errou o
alvo e caiu no porto iraniano de
Khorramshahr, causando danos
materiais num raio de 200 metros,
perto da principal mesquita
local. A chancelaria iraniana
chamou o encarregado britânico
de negócios e o embaixador
suíço e entregou-lhes um
protesto formal pelo incidente.
A segunda
rodada da Operação Raposa do
Deserto começou pouco depois do
pôr-do-sol de ontem no Iraque e
contou com a participação de
bombardeiros pesados americanos
B-52 - que, armados com 20
mísseis de cruzeiro cada um,
decolaram da Ilha de Diego
García, no Oceno Índico, para
sua primeira missão na
operação -, jatos da Marinha
dos EUA baseados no porta-aviões
Enterprise (no Golfo) e, também
pela primera vez, Tornados
britânicos com base no Kuwait.
Ataques
lançados mais tarde, por volta
das 22 horas locais (17 horas em
Brasília), tiveram a
participação de jatos
americanos baseados no Kuwait.
Nesse horário, jornalistas
situados no telhado do
Ministério da Informação
posicionados relataram pelo menos
13 explosões na capital
iraquiana. Uma das áreas
atingidas, segundo testemunhas,
foi o bairro residencial de
Karada Mariam, no centro de
Bagdá. Um míssil caiu perto do
Palácio do Congresso.
O chefe do
Estado-Maior Conjunto dos EUA,
general Henry Shelton, informou
que, na primeira noite, centenas
de bombas, mais de 200 mísseis
de cruzeiro e 70 aviões foram
usados para atingir 50 alvos.
Numa apresentação semelhante
às da época da Guerra do Golfo,
Shelton mostrou a jornalistas
fotos de dois edifícios da sede
do Diretório de Inteligência
Militar em Bagdá e de uma base
da Guarda Republicana em Abu
Ghreib, na periferia da capital,
antes e depois do bombardeio.