- -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

GOLFO PÉRSICO
Ataque já deixou pelo menos 25 mortos

BAGDÁ - Ampliando sua maior ação militar desde a Guerra do Golfo, os EUA e a Grã-Bretanha lançaram na noite de ontem e na madrugada desta sexta, pelo horário local, a segunda rodada de ataques aéreos contra o Iraque para esmagar sua capacidade de produzir armas de destruição em massa e anunciaram que os primeiros bombardeios foram um êxito, reduzindo a ruínas importantes edifícios militares na área de Bagdá.

"Não houve baixas americanas e estamos alcançando boa cobertura de alvos", comemorou o secretário de Defesa dos EUA, William Cohen. "Nossos alvos incluem o sistema de defesa aérea do Iraque, seus centros de comando e controle, campos aéreos e outras instalações e infra-estruturas militares".

O ministro iraquiano da Saúde, Umid Madhat Mubarak, informou no fim da noite de hoje que pelo menos 25 pessoas morreram e 75 ficaram feridas nos ataques em Bagdá desde a noite anterior. Um dos feridos foi o deputado ultranacionalista russo Vladimir Kostyuktin, que estava no Iraque a negócios, informou a chancelaria da Rússia. Em represália ao ataque, o governo russo chamou ontem de volta ao país para consultas seu embaixador em Washington, Yuli Vorontsov. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin, qualificou a decisão russa de "infeliz".

No ataque, um dos mísseis lançados contra a cidade iraquiana de Basra errou o alvo e caiu no porto iraniano de Khorramshahr, causando danos materiais num raio de 200 metros, perto da principal mesquita local. A chancelaria iraniana chamou o encarregado britânico de negócios e o embaixador suíço e entregou-lhes um protesto formal pelo incidente.

A segunda rodada da Operação Raposa do Deserto começou pouco depois do pôr-do-sol de ontem no Iraque e contou com a participação de bombardeiros pesados americanos B-52 - que, armados com 20 mísseis de cruzeiro cada um, decolaram da Ilha de Diego García, no Oceno Índico, para sua primeira missão na operação -, jatos da Marinha dos EUA baseados no porta-aviões Enterprise (no Golfo) e, também pela primera vez, Tornados britânicos com base no Kuwait.

Ataques lançados mais tarde, por volta das 22 horas locais (17 horas em Brasília), tiveram a participação de jatos americanos baseados no Kuwait. Nesse horário, jornalistas situados no telhado do Ministério da Informação posicionados relataram pelo menos 13 explosões na capital iraquiana. Uma das áreas atingidas, segundo testemunhas, foi o bairro residencial de Karada Mariam, no centro de Bagdá. Um míssil caiu perto do Palácio do Congresso.

O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Henry Shelton, informou que, na primeira noite, centenas de bombas, mais de 200 mísseis de cruzeiro e 70 aviões foram usados para atingir 50 alvos. Numa apresentação semelhante às da época da Guerra do Golfo, Shelton mostrou a jornalistas fotos de dois edifícios da sede do Diretório de Inteligência Militar em Bagdá e de uma base da Guarda Republicana em Abu Ghreib, na periferia da capital, antes e depois do bombardeio.


 
 

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