GOLFO
PÉRSICO II
Iraquianos
demonstram indiferençaBAGDÁ - Os
moradores de Bagdá marcaram o
início do fim de semana
muçulmano na noite de ontem sem
se amedrontar com o segundo dia
consecutivo de ataques militares
anglo- americanos.
Enquanto as
sirenes de ataques aéreos soavam
na capital iraquiana durante a
madrugada, uma noiva em seu traje
branco e seu noivo andavam
sorridentes pelo lobby de um
hotel de Bagdá devido à festa
de seu casamento.
Em um café no
distrito de Kasra, o som das
peças de dominó batendo nas
mesas de madeira encobria as
sirenes e os freqüentadores do
local diziam que um ataque aéreo
não interromperia o jogo
semanal.
O tráfego
estava mais tranqüilo do que o
habitual no elegante distrito de
Mansour na noite de ontem, hora
tradicional para festividades, e
apenas um punhado de pedestres
caminhava olhando as vitrines das
principais lojas.
Mas por toda a
capital iraquiana a vida
cotidiana fez poucas concessões
ao conflito militar. "Nós
desafiamos a América. Nós somos
o imperturbável povo
iraquiano", afirmou Hakim
Hamza enquanto amigos e parentes
comemoravam seu casamento com
Alia Jawad dançando na rua ao
som de trompetes e instrumentos
de percussão.
Mulheres
cobertas por véus dançavam com
homens vestindo jaquetas de couro
e com pequenas crianças para
celebrar o casamento antes de os
ataques serem realizados.
Os alertas de
ataques aéreos soaram quatro
vezes por volta das 22h locais
(17h em Brasília) antes de uma
série de explosões sacudir o
centro da cidade e furiosas
colunas de artilharia antiaérea
iluminarem o céu.
Em
aproximadamente meia-hora
dirigindo pelas ruas de Bagdá,
ainda iluminada apesar das
ameaças de novos ataques, duas
outras festas de casamento
passaram em comboios de carros.
Lojas de muitos bairros ainda
estavam abertas e algumas
pareciam estar fazendo ainda
negócios razoáveis.
"Todo
mundo tem de morrer. E você não
poder morrer duas vezes",
disse Ibrahim, esquivando-se do
perigo.