NOBEL
DA PAZ
Rigoberta
Menchu defende autobiografiaCIDADE DA GUATEMALA -
Numa entrevista chorosa,
publicada ontem no jornal Prensa
Libre, Rigobeta Menchu, prêmio
Nobel da Paz de 1992, defendeu
sua autobiografia das acusações
de ter sido parcialmente
fabricada. "Hoje e pela vida
toda eu defenderei o conteúdo do
livro", disse ela.
O jornal
norte-americano The New York
Times publicou na última
terça-feira uma história
baseada em suas próprias
investigações e no novo livro
do antropólogo David Stoll, onde
diz que detalhes-chave da
história de Menchu são falsos.
O livro de
Stoll levanta dúvidas sobre o
relato de Menchu da morte de seu
irmão, queimado vivo pelo
exército durante a longa guerra
civil da Guatemala. Além disso,
mostra que Menchu não era tão
pobre ou iletrada quanto afirma
em sua autobiografia.
Menchu
questiona as razões de Stoll,
alegando que alguns
antropologistas impõem sua
própria realidade à vida dos
índios. Ela prometeu uma
investigação para corroborar
seu livro, "escrito com o
sangue de seus pais", que
morreram na guerra.
Desde que
ganhou o prêmio Nobel, Menchu se
tornou um símbolo da luta dos
índios maia da Guatemala. Seus
críticos no país acusam o livro
de conter falsidades ilusórias
com o propósito de apoiar a
causa das guerrilhas de esquerda.
O Comitê do
Prêmio Nobel negou ontem que
fosse colocar em julgamento a
nomeação da indígena
guatemalteca por causa das
acusações de fraude em sua
história. O Comitê também
elogiou o trabalho desenvolvido
por Rigoberta Menchu acerca dos
direitos humanos da tribo maia e
de outros grupos
latino-americanos.