- -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

NOBEL DA PAZ
Rigoberta Menchu defende autobiografia

CIDADE DA GUATEMALA - Numa entrevista chorosa, publicada ontem no jornal Prensa Libre, Rigobeta Menchu, prêmio Nobel da Paz de 1992, defendeu sua autobiografia das acusações de ter sido parcialmente fabricada. "Hoje e pela vida toda eu defenderei o conteúdo do livro", disse ela.

O jornal norte-americano The New York Times publicou na última terça-feira uma história baseada em suas próprias investigações e no novo livro do antropólogo David Stoll, onde diz que detalhes-chave da história de Menchu são falsos.

O livro de Stoll levanta dúvidas sobre o relato de Menchu da morte de seu irmão, queimado vivo pelo exército durante a longa guerra civil da Guatemala. Além disso, mostra que Menchu não era tão pobre ou iletrada quanto afirma em sua autobiografia.

Menchu questiona as razões de Stoll, alegando que alguns antropologistas impõem sua própria realidade à vida dos índios. Ela prometeu uma investigação para corroborar seu livro, "escrito com o sangue de seus pais", que morreram na guerra.

Desde que ganhou o prêmio Nobel, Menchu se tornou um símbolo da luta dos índios maia da Guatemala. Seus críticos no país acusam o livro de conter falsidades ilusórias com o propósito de apoiar a causa das guerrilhas de esquerda.

O Comitê do Prêmio Nobel negou ontem que fosse colocar em julgamento a nomeação da indígena guatemalteca por causa das acusações de fraude em sua história. O Comitê também elogiou o trabalho desenvolvido por Rigoberta Menchu acerca dos direitos humanos da tribo maia e de outros grupos latino-americanos.


 
 

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