EXTRADIÇÃO
Situação
do general Pinochet em Londres
volta à estaca zeroLONDRES - Numa
raríssima decisão, cinco
juízes de um comitê de
apelações da Câmara dos Lordes
britânica acataram ontem, por
unanimidade, um recurso dos
advogados de Augusto Pinochet,
anulando o veredicto emitido pelo
mesmo tribunal no dia 25, que
negou ao ex-ditador chileno o
benefício da imunidade.
O presidente do
comitê, Nicolas
Browne-Wilkinson, anunciou que a
sentença anterior estava anulada
porque um dos juízes que votaram
contra Pinochet, Leonard
Hoffmann, é diretor de uma
entidade humanitária vinculada
à Anistia Internacional (AI) -
organização que tem pressionado
tribunais a abrir processo contra
o ex-ditador em vários países.
Esse vínculo,
no entender dos lordes do comitê
de apelações, deveria
inabilitar Hoffmann para julgar a
questão.
A surpreendente
reviravolta jurídica, porém,
não modifica a atual condição
de Pinochet, que continua sob
liberdade vigiada na mansão
alugada por seus partidários num
condomínio de luxo nos arredores
de Londres.
Até que a
Câmara dos Lordes se reúna para
um novo julgamento - que deve
ocorrer entre 11 e 20 de janeiro
-, o ex-ditador continua à
disposição da Justiça
britânica.
Pinochet foi
detido em Londres em 16 de
outubro, em atendimento a uma
ordem internacional de prisão
emitida pela Justiça espanhola -
que o processa pelo assassinato
de cidadãos espanhóis entre as
3 mil mortes e desaparecimentos
durante o regime militar que ele
liderou no Chile, de 1973 a 1990.
O PROCESSO -
Depois de a Câmara dos Lordes
ter emitido a sentença anulada
ontem, o ministro do Interior
britânico, Jack Straw, deu sinal
verde para o início do processo
de extradição do ex-ditador
para a Espanha.
Aos 83 anos,
depois de ter viajado para a
Inglaterra para submeter-se a uma
cirurgia de hérnia de disco,
Pinochet contava com a imunidade
por ter ocupado o posto de chefe
de Estado e por ser senador
vitalício no Chile - graças a
uma cláusula da Constituição
ditada por ele mesmo.
As idas e
vindas do processo que envolve o
general têm irritado o governo
chileno, que decidira esfriar
suas relações com a
Grã-Bretanha e com a Espanha por
causa da prisão de Pinochet -
que pode pôr em risco a
estabilidade democrática do
Chile.
Grupos de
familiares de desaparecidos
chilenos não perderam a
esperança de a Câmara dos
Lordes ratificar em janeiro, com
outro corpo de juízes, a
sentença do dia 25.