- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998


JC NEGÓCIOS
Fernando Castilho

Cesta de Natal Digital

O telefone celular digital, quem diria, virou cesta de Natal. Daquelas que todo mundo passa na Diplomata ou Casa dos Frios e fica sonhando ganhar uma bem grande. Cheia de coisas que a gente nem precisa, mas que nos deixam felizes só de ter na despensa. E para ter o prazer de rasgar o papel celofane.

Só assim se explica a corrida de mais de 20 mil pessoas que, em menos de dois dias, detonaram o estoque das 40 lojas credenciadas e encheram de ânimo o pessoal da Telpe Celular, que já andava meio ressabiado com o crescimento das vendas do celular pré-pago da BCP, aquele do Alô Fácil. E prova, definitivamente, que o problema desse mercado continua sendo a impossibilidade da compra do aparelho pelo consumidor final, que agora é essencialmente das classes C e D.

O negócio telefonia atingiu uma disputa de mercado tão acirrada em Pernambuco que, aqui, as três empresas estão antecipando estratégias que só deveriam ser adotadas depois do ano 2000 quando o mercado estivesse saturado. Embora a questão da compra do aparelho ainda seja o grande inibidor de novos clientes ao mercado.

Mas ninguém deve esquecer que o estouro da telefonia - que no final do ano fez milhares de pessoas gastarem quase todo o 13º na compra de um aparelho digital - está diretamente relacionado com a força de nossa economia informal. Foi ela quem elegeu o celular seu elo de ligação com o freguês.

Afinal, ninguém está comprando celular só para desfilar com ele na cintura. O objetivo é ajudar a ganhar algum dinheiro, na medida em que pode ser localizado. E só não cresceu mais porque na verdade os preços no varejo estão caríssimos. O que só agora as companhias começam a perceber e decidiram entrar no circuito para cortar o preço pela metade.

O estado perde R$ 180 milhões

Independente da decisão do presidente do Tribunal Regional Federal, a idéia de usar o dinheiro da sobra da privatização da Celpe está indo para o espaço. Se se fechar a negociação da carteira da Cohab com a Caixa Econômica Federal, isso quer dizer que o Estado de Pernambuco, para não ser punido com a retenção das transferências federais, estará entregando um ativo (ruim, mas um ativo). Não existe o que comemorar, senão o fato de se livrar do abacaxi que é a Cohab. Mas o sonho de usar os recursos da privatização do Bandepe acabou. A Secretaria Nacional do Tesouro, sequer, aceitou debater a idéia tanto com os representantes do futuro como do atual Governo.

Magalhães

Desabafo do prefeito Roberto Magalhães sobre os tecnocratas de Brasília, ontem, na Rádio CBN-Recife: "Eles devem ser preconceituosos porque tratam os municípios como se fossem... Eu prefiro nem dizer o que penso. Aliás, o deputado Fernando Lyra diz que eu sempre digo o que penso. Mas, certa vez, lhe respondi: Se eu dissesse tudo o que penso, deputado, já estaria morto há muito tempo".

Vem aí a Belco

Começou, ontem, a terraplenagem do terreno de 130 mil m2, pertencente à Prefeitura Municipal do Cabo de Santo Agostinho, onde será construída a nova fábrica da Belco no Estado, localizada ao lado da Refinações de Milho Brasil, às margens da antiga BR-10l Sul. Investimento de R$ 100 milhões, a nova cervejaria deverá ser inaugurada ainda no ano de 1999. Foi uma das mais rápidas negociações já feitas no Estado. A empresa decidiu ficar junto da RMB porque ela fabrica hay maltose que substitui a cevada no processo industrial. A prefeitura comprou o terreno e em menos de dois meses o liberou.

Gráfico

Problemas operacionais impediram, na edição de ontem, a publicação da tabela a que se refere o comentário da Coluna JC Negócios relativa ao potencial de consumo de Pernambuco.

Em tempos de inadimplência alta, os lojistas estão acusando o aumento da incidência do chamado cheque procissão: aquele que dá uma volta na praça e volta para a matriz.

Confirmada para o período de 12 a 20 de março do ano que vem, no Centro de Convenções, a realização do III Festival Nacional do Recife. O primeiro patrocinador oficial do evento é o Shopping Tacaruna.

A Sudene deve aprovar, na reunião de hoje, o maior volume de projetos do ano: igual ao que aprovou durante todo o ano, prejudicado pela constantes mudanças das reuniões do Conselho Deliberativo.

Pois é: o executivo Paulo Drummond preferiu ficar no Grupo Brennand e não se juntar à nova equipe do Governo Jarbas Vasconcelos.

Apesar da ajuda que o Governo Federal está dando ao segmento liberando R$ 186,7 milhões, os estragos na produção de cana são irreversíveis. A safra terminará de ser colhida mesmo em janeiro.

Sem a carteira imobiliária, a Companhia de Habitação Popular de Pernambuco (Cohab) deixa de ter razão de existir. Ficará resumida a um prédio hipotecado, 1.600 funcionários ociosos, 800 deles espalhados pelos demais secretarias e uma despesa de pelo menos R$ 1 milhão por mês.

Um acordo operacional com o Bradesco vai permitir a transferência das contas das sete agências que serão fechadas pelo Banco Bandeirantes no Estado. Os clientes poderão ficar movimentando elas nas agências do Bradesco já que os ativos serão transferidos para novas contas.

Para se refletir: em 1993, Pernambuco comprometia 4,0% de suas receitas correntes líquidas com serviços da dívida. Em 1994, ela subiu para 6,8%, passou para 8,1%, em 1995, para 9,8% em 1996, baixou um pouco (6,7%) ano passado e deve chegar, este ano, a 19,8%.

Já os encargos com pessoal, que em 93 atingiram 74,3%, em 1994 eram de 63,3%, em 1995 de 83,3%, em 1996 de 76,4%, no ano passado chegaram em 71,9% e este ano estão beirando os 69% (média até setembro), devendo fechar em 71%. Pernambuco considera neste conta os três poderes.

E-mail:
castilho@jc.com.br

 
 

 

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