JC
NEGÓCIOS
Fernando
Castilho
Cesta
de Natal Digital
O telefone
celular digital, quem diria,
virou cesta de Natal. Daquelas
que todo mundo passa na Diplomata
ou Casa dos Frios e fica sonhando
ganhar uma bem grande. Cheia de
coisas que a gente nem precisa,
mas que nos deixam felizes só de
ter na despensa. E para ter o
prazer de rasgar o papel
celofane.
Só assim se
explica a corrida de mais de 20
mil pessoas que, em menos de dois
dias, detonaram o estoque das 40
lojas credenciadas e encheram de
ânimo o pessoal da Telpe
Celular, que já andava meio
ressabiado com o crescimento das
vendas do celular pré-pago da
BCP, aquele do Alô Fácil. E
prova, definitivamente, que o
problema desse mercado continua
sendo a impossibilidade da compra
do aparelho pelo consumidor
final, que agora é
essencialmente das classes C e D.
O negócio
telefonia atingiu uma disputa de
mercado tão acirrada em
Pernambuco que, aqui, as três
empresas estão antecipando
estratégias que só deveriam ser
adotadas depois do ano 2000
quando o mercado estivesse
saturado. Embora a questão da
compra do aparelho ainda seja o
grande inibidor de novos clientes
ao mercado.
Mas ninguém
deve esquecer que o estouro da
telefonia - que no final do ano
fez milhares de pessoas gastarem
quase todo o 13º na compra de um
aparelho digital - está
diretamente relacionado com a
força de nossa economia
informal. Foi ela quem elegeu o
celular seu elo de ligação com
o freguês.
Afinal,
ninguém está comprando celular
só para desfilar com ele na
cintura. O objetivo é ajudar a
ganhar algum dinheiro, na medida
em que pode ser localizado. E só
não cresceu mais porque na
verdade os preços no varejo
estão caríssimos. O que só
agora as companhias começam a
perceber e decidiram entrar no
circuito para cortar o preço
pela metade.
O
estado perde R$ 180 milhões
Independente da
decisão do presidente do
Tribunal Regional Federal, a
idéia de usar o dinheiro da
sobra da privatização da Celpe
está indo para o espaço. Se se
fechar a negociação da carteira
da Cohab com a Caixa Econômica
Federal, isso quer dizer que o
Estado de Pernambuco, para não
ser punido com a retenção das
transferências federais, estará
entregando um ativo (ruim, mas um
ativo). Não existe o que
comemorar, senão o fato de se
livrar do abacaxi que é a Cohab.
Mas o sonho de usar os recursos
da privatização do Bandepe
acabou. A Secretaria Nacional do
Tesouro, sequer, aceitou debater
a idéia tanto com os
representantes do futuro como do
atual Governo.
Magalhães
Desabafo do
prefeito Roberto Magalhães sobre
os tecnocratas de Brasília,
ontem, na Rádio CBN-Recife:
"Eles devem ser
preconceituosos porque tratam os
municípios como se fossem... Eu
prefiro nem dizer o que penso.
Aliás, o deputado Fernando Lyra
diz que eu sempre digo o que
penso. Mas, certa vez, lhe
respondi: Se eu dissesse tudo o
que penso, deputado, já estaria
morto há muito tempo".
Vem aí
a Belco
Começou,
ontem, a terraplenagem do terreno
de 130 mil m2, pertencente à
Prefeitura Municipal do Cabo de
Santo Agostinho, onde será
construída a nova fábrica da
Belco no Estado, localizada ao
lado da Refinações de Milho
Brasil, às margens da antiga
BR-10l Sul. Investimento de R$
100 milhões, a nova cervejaria
deverá ser inaugurada ainda no
ano de 1999. Foi uma das mais
rápidas negociações já feitas
no Estado. A empresa decidiu
ficar junto da RMB porque ela
fabrica hay maltose que substitui
a cevada no processo industrial.
A prefeitura comprou o terreno e
em menos de dois meses o liberou.
Gráfico
Problemas
operacionais impediram, na
edição de ontem, a publicação
da tabela a que se refere o
comentário da Coluna JC
Negócios relativa ao potencial
de consumo de Pernambuco.
Em tempos de
inadimplência alta, os lojistas
estão acusando o aumento da
incidência do chamado cheque
procissão: aquele que dá uma
volta na praça e volta para a
matriz.
Confirmada para
o período de 12 a 20 de março
do ano que vem, no Centro de
Convenções, a realização do
III Festival Nacional do Recife.
O primeiro patrocinador oficial
do evento é o Shopping Tacaruna.
A Sudene deve
aprovar, na reunião de hoje, o
maior volume de projetos do ano:
igual ao que aprovou durante todo
o ano, prejudicado pela
constantes mudanças das
reuniões do Conselho
Deliberativo.
Pois é: o
executivo Paulo Drummond preferiu
ficar no Grupo Brennand e não se
juntar à nova equipe do Governo
Jarbas Vasconcelos.
Apesar da ajuda
que o Governo Federal está dando
ao segmento liberando R$ 186,7
milhões, os estragos na
produção de cana são
irreversíveis. A safra
terminará de ser colhida mesmo
em janeiro.
Sem a carteira
imobiliária, a Companhia de
Habitação Popular de Pernambuco
(Cohab) deixa de ter razão de
existir. Ficará resumida a um
prédio hipotecado, 1.600
funcionários ociosos, 800 deles
espalhados pelos demais
secretarias e uma despesa de pelo
menos R$ 1 milhão por mês.
Um acordo
operacional com o Bradesco vai
permitir a transferência das
contas das sete agências que
serão fechadas pelo Banco
Bandeirantes no Estado. Os
clientes poderão ficar
movimentando elas nas agências
do Bradesco já que os ativos
serão transferidos para novas
contas.
Para se
refletir: em 1993, Pernambuco
comprometia 4,0% de suas receitas
correntes líquidas com serviços
da dívida. Em 1994, ela subiu
para 6,8%, passou para 8,1%, em
1995, para 9,8% em 1996, baixou
um pouco (6,7%) ano passado e
deve chegar, este ano, a 19,8%.
Já os encargos
com pessoal, que em 93 atingiram
74,3%, em 1994 eram de 63,3%, em
1995 de 83,3%, em 1996 de 76,4%,
no ano passado chegaram em 71,9%
e este ano estão beirando os 69%
(média até setembro), devendo
fechar em 71%. Pernambuco
considera neste conta os três
poderes.
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