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JOELMIR
BETTING
Farra
de consumo
NOVA YORK -
Filas que dão a volta no
quarteirão. Eis o que aguarda o
Papai Noel aqui em Manhattan,
neste último fim de semana antes
do Natal. Filas para simplesmente
entrar nas lojas mais badaladas,
com investimentos publicitários
de dezenas de milhões de
dólares. Caso da Macys, da
Bloomingdales, da Saks, da
Bergdorf Goodman e até mesmo da
requintada Tiffanys. Elas se
permitem o luxo de cometer
descontos de 30% a 50% em plena
véspera do Natal, ainda que
derramando gente pelas janelas.
Cadê a inflação de demanda?
No último fim
de semana, Manhattan literalmente
virou um calçadão. A 5ª
Avenida mais parecia uma
procissão. A partir de hoje, o
fenômeno recomeça até
quinta-feira, véspera do Natal
mais eufórico da década. As
lojas de brinquedos vivem no
sufoco diário desde o início do
mês. Excursões de colégios e
orfanatos misturam-se dentro das
lojas com enxames de turistas
estrangeiros e compristas
americanos. Num raio de 50
quilômetros do Empire State
vivem 8,5 milhões de americanos
e 3,8 milhões de imigrantes.
Entre os quais, 230 mil
brasileiros.
Não há
condição civilizada para as
compras nas lojas da Disney, da
Warner, da Fao Schwarz. Fila para
entrar e fila para pagar. O mesmo
rapa coletivo é registrado nas
megastores da Nike e da NBA.
Esta, inaugurada este ano, na 5ª
Avenida, pela entidade nacional
do basquete - cujos profissionais
estão em greve desde outubro.
Toda a vasta linha de produtos da
NBA é de um mau gosto ardido.
Mas vende mais que pipoca.
O varejo de
brinquedos espalha-se por toda a
cidade nesta chegada do Natal.
Dezembro responde por 80% do
faturamento anual da indústria
do ramo - perto de US$ 24
bilhões este ano. Nessa faixa, a
Disney, a Warner e a Fao Schwarz
disputam a clientela com as redes
nacionais da Wal-Mart, da
ToysRUs, da Kmart e da Target.
Sem contar a expansão das vendas
diretas dos grandes fabricantes e
das cadeias varejistas pela
Internet. A Web já cobre 5% do
faturamento dos três - maiores
fabricantes: Mattel, Hasbro e
Brio.
Está na moda,
agora, os brinquedos
emocionalmente corretos. Ou seja:
nada de armas, de jogos, de
brigas. Tenta-se abrir mercado
para brinquedos educativos, com
kits científicos e chips
provocativos. O maior sucesso
nessa categoria é o Furby, um
bichinho da espécie animatronic.
Ele dança, abana as orelhas e
fala "furbish", com
chiado carioca. Já está
esgotado na maioria das lojas.
Intransitável
O maior metrô
do mundo, malha de 425
quilômetros, não consegue dar
conta do recado. Manhattan está
entupida de carros. A velocidade
média da frota não tem passado
de 6 quilômetros - a mesma do
bonde puxado a burro no Natal de
1898.
Barulhaço
O prefeito
Rudolph Giuliani ainda não
conseguiu dar um basta no
buzinaço de Manhattan. Os táxis
amarelos, conduzidos na maioria
por imigrantes asiáticos,
buzinam o tempo todo. E o que
dizer da sinfonia inacabada das
sirenes de bombeiros,
ambulâncias e patrulheiros? Caso
único no mundo.
Natal
azul?
A farra de
consumo só não entrou até
agora em colapso porque o bom
São Pedro está de plantão.
Céu azul, frio de 5 a 10 graus.
Nada de chuva, nada de neve.
Claro, nós, brasileiros,
torcemos pela chegada da neve,
prevista para segunda-feira.
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