- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998


JOELMIR BETTING

Farra de consumo

NOVA YORK - Filas que dão a volta no quarteirão. Eis o que aguarda o Papai Noel aqui em Manhattan, neste último fim de semana antes do Natal. Filas para simplesmente entrar nas lojas mais badaladas, com investimentos publicitários de dezenas de milhões de dólares. Caso da Macys, da Bloomingdales, da Saks, da Bergdorf Goodman e até mesmo da requintada Tiffanys. Elas se permitem o luxo de cometer descontos de 30% a 50% em plena véspera do Natal, ainda que derramando gente pelas janelas. Cadê a inflação de demanda?

No último fim de semana, Manhattan literalmente virou um calçadão. A 5ª Avenida mais parecia uma procissão. A partir de hoje, o fenômeno recomeça até quinta-feira, véspera do Natal mais eufórico da década. As lojas de brinquedos vivem no sufoco diário desde o início do mês. Excursões de colégios e orfanatos misturam-se dentro das lojas com enxames de turistas estrangeiros e compristas americanos. Num raio de 50 quilômetros do Empire State vivem 8,5 milhões de americanos e 3,8 milhões de imigrantes. Entre os quais, 230 mil brasileiros.

Não há condição civilizada para as compras nas lojas da Disney, da Warner, da Fao Schwarz. Fila para entrar e fila para pagar. O mesmo rapa coletivo é registrado nas megastores da Nike e da NBA. Esta, inaugurada este ano, na 5ª Avenida, pela entidade nacional do basquete - cujos profissionais estão em greve desde outubro. Toda a vasta linha de produtos da NBA é de um mau gosto ardido. Mas vende mais que pipoca.

O varejo de brinquedos espalha-se por toda a cidade nesta chegada do Natal. Dezembro responde por 80% do faturamento anual da indústria do ramo - perto de US$ 24 bilhões este ano. Nessa faixa, a Disney, a Warner e a Fao Schwarz disputam a clientela com as redes nacionais da Wal-Mart, da ToysRUs, da Kmart e da Target. Sem contar a expansão das vendas diretas dos grandes fabricantes e das cadeias varejistas pela Internet. A Web já cobre 5% do faturamento dos três - maiores fabricantes: Mattel, Hasbro e Brio.

Está na moda, agora, os brinquedos emocionalmente corretos. Ou seja: nada de armas, de jogos, de brigas. Tenta-se abrir mercado para brinquedos educativos, com kits científicos e chips provocativos. O maior sucesso nessa categoria é o Furby, um bichinho da espécie animatronic. Ele dança, abana as orelhas e fala "furbish", com chiado carioca. Já está esgotado na maioria das lojas.

Intransitável

O maior metrô do mundo, malha de 425 quilômetros, não consegue dar conta do recado. Manhattan está entupida de carros. A velocidade média da frota não tem passado de 6 quilômetros - a mesma do bonde puxado a burro no Natal de 1898.

Barulhaço

O prefeito Rudolph Giuliani ainda não conseguiu dar um basta no buzinaço de Manhattan. Os táxis amarelos, conduzidos na maioria por imigrantes asiáticos, buzinam o tempo todo. E o que dizer da sinfonia inacabada das sirenes de bombeiros, ambulâncias e patrulheiros? Caso único no mundo.

Natal azul?

A farra de consumo só não entrou até agora em colapso porque o bom São Pedro está de plantão. Céu azul, frio de 5 a 10 graus. Nada de chuva, nada de neve. Claro, nós, brasileiros, torcemos pela chegada da neve, prevista para segunda-feira.

 
 

 

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