GOVERNO
FHC
assegura que entrega dos cargos
é "formalidade normal"BRASÍLIA - O
presidente Fernando Henrique
Cardoso classificou ontem o
pedido para que os ministros
entreguem os cargos 15 dias antes
do fim do mandato como uma
"formalidade normal",
que se justifica quando há
reeleição. "É para não
haver constrangimentos",
explicou o presidente, diante dos
ministros militares, no Clube
Naval, em Brasília, durante o
tradicional café de manhã de
confraternização de fim do ano.
Os ministros militares, no
entanto, entendem que estão
dispensados dessa formalidade,
sob a alegação de que o
presidente é o comandante
supremo das Forças Armadas e, a
qualquer momento, nomeia e demite
quem quiser.
Mais tarde, no
Palácio do Planalto, o
ministro-chefe da Casa Civil,
Clóvis Carvalho, afirmou que,
embora no caso das Forças
Armadas esta questão de cargo de
confiança seja diferente, como
os cargos de ministros são
políticos, mandar a carta de
demissão "facilita a
vida" do presidente.
Carvalho
lembrou que a tese segundo a qual
o cargo pertence ao presidente é
geral e acentuou que hoje se
está vivendo uma nova rotina,
criada com a reeleição, daí a
necessidade da formalidade da
carta. O ministro da Casa Civil,
que não soube dizer quantas
cartas havia recebido, informou
que os ministros estão pedindo
aos ocupantes do primeiro
escalão e dos cargos de
confiança para fazer o mesmo.
DIVERGÊNCIAS
- O PFL começou ontem a
superar as divergências internas
causadas pela reforma
ministerial, ao definir o nome do
deputado Sarney Filho (PFL-MA)
para ocupar o Ministério do Meio
Ambiente no segundo governo do
presidente Fernando Henrique
Cardoso. Ainda não está
decidido, porém, se o atual
Ministério do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos será mesmo
dividido.
A divisão do
Ministério do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos em dois, ao
contrário, não encontra
consenso dentro do PFL. Isso
deverá mudar o quadro da
sucessão, até porque a pasta
atualmente pertence ao PFL de
Pernambuco, Estado do
vice-presidente Marco Maciel.
Exatamente no
Estado do vice-presidente é que
está a maior dúvida do partido.
A executiva pefelista entende que
Pernambuco não pode ficar sem um
ministério, pois haveria o risco
de enfraquecer a posição de
Maciel. Por isso, o partido agora
luta para ficar com a pasta da
Ciência e Tecnologia, que seria
acrescida do Ensino Superior,
hoje pertencente ao Ministério
da Educação.
Para comandar
esse ministério, o nome mais
forte é o do senador eleito
José Jorge (PFL-PE). O
presidente do Congresso, senador
Antonio Carlos Magalhães
(PFL-BA) vinha defendendo o nome
de Inocêncio Oliveira para um
ministério, mas ele deverá
continuar na liderança do PFL da
Câmara.