- - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

ALAGOAS
Polícia prende suspeito de intermediar assassinato de deputada

ARAPIRACA- As polícias Civil e Militar de Alagoas prenderam, ontem à tarde, o segurança do deputado federal Talvane Albuquerque (PFL-AL), identificado apenas como Jadielson, suspeito de ter intermediado o assassinato da deputada federal Ceci Cunha (PSDB-AL), na noite de quarta-feira (16), em Maceió. Uma outra pessoa, cujo nome não foi revelado, foi presa sob suspeita de ter participado da chacina, onde também foi morto o marido da deputada, Juvenal Cunha, 46, o cunhado dela Iran Carlos Maranhão, 33, e a mãe de Maranhão, Ítala Neide Maranhão Pureza, 58.

"As pistas que a polícia tem até agora indicam para um crime político. Com essas duas prisões, poderemos aprofundar os fortes indícios já colhidos", afirmou à reportagem o governador Manoel Gomes de Barros (PTB). As suspeitas da polícia sobre a possibilidade de envolvimento do deputado Talvane Albuquerque começaram na noite do crime, durante a vigília feita por lideranças políticas, representantes de entidades da sociedade civil e do poder Judiciário, na Assembléia Legislativa. Além de ser opositor de Ceci, Albuquerque é seu primeiro suplente. Segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, Geraldo Tenório Araújo, ele será diplomado mesmo que seja acusado de envolvimento no crime.

Na última eleição, Ceci renunciou à condição de vice na chapa do governador Manoel Gomes de Barros, candidato derrotado à reeleição, para concorrer a deputada federal. Com isso, tirou apoios políticos de Albuquerque, que também é de Arapiraca. O suplente chegou a denunciar que Ceci havia desviado R$ 300 mil da Prefeitura de Arapiraca para a sua campanha. Quando soube da chacina, Talvane disse para a mulher, Nireidi Albuquerque: "Agora me lasquei. Vão dizer que fui eu". Nireidi disse acreditar na inocência do marido. Ontem, ela não sabia onde ele estava. "Meu marido saiu depois que soube da notícia", disse.

FUZILAMENTO - Ceci foi atingida com um tiro de espingarda calibre 12 na base do crânio e um tiro revólver no joelho. O marido da deputada foi morto com um tiro de espingarda 12 e mais três tiros de revólver no tórax e abdômen; o cunhado de Ceci com dois tiros de 38: um no peito e outro na cabeça; e sua mãe foi morta com um tiro de 12 no pescoço. A perícia técnica no local durou quatro horas. Os corpos foram levados para o IML por volta da meia-noite, onde foram necropsiados e liberados ás 5h30 para o sepultamento. Segundo a polícia, foram usadas duas espingardas calibre 12 e três revólveres 38.

Segundo testemunhas, após a chacina, os três pistoleiros fugiram em um Fiat Uno Verde. Há informações de que um outro veículo, um Corsa de cor cinza, tenha sido usado, dando cobertura aos pistoleiros. Pela manhã, o Fiat Uno utilizado pelos pistoleiros foi localizado pela polícia queimado dentro do canavial no município do Pilar, perto da Usina Terra Nova, a 35 quilômetros da Capital. A PF e peritos da Secretária da Secretária de Segurança Pública do estado estiveram no local e constataram que o veículo foi queimado uma hora após a chacina.

A principal testemunha da chacina é o irmão do cunhado da deputada, Iranildo Maranhão Pureza, mantido em sigilo, sob proteção policial. Ele estava regando o jardim poucos minutos antes da chacina. Quando entrou para pegar uma fita VHS e voltou para entregá-la à deputada, ouviu os tiros e correu em direção aos fundos da casa, pulou o muro do quintal e se escondeu. Segundo ele, os pistoleiros entraram na varanda da casa e atiraram à queima-roupa. Um deles perguntou quem era a deputada Ceci e quando se certificou que era ela começaram atirar.

Policiais envolvidos nas investigações acreditam que a deputada e o marido vinham sendo seguidos desde o novo Fórum de Maceió, que fica a poucos quilômetros do local do crime. O carro da deputada, uma Blazer azul, era dirigido pelo seu marido. Ceci vinha ao lado dele. Em seu discurso na diplomação, ela disse que estava otimista com o destino de Alagoas. "Se existe no mundo uma pessoa feliz, essa pessoa sou eu. Eu sou feliz!".


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes