ALAGOAS
Polícia
prende suspeito de intermediar
assassinato de deputadaARAPIRACA- As
polícias Civil e Militar de
Alagoas prenderam, ontem à
tarde, o segurança do deputado
federal Talvane Albuquerque
(PFL-AL), identificado apenas
como Jadielson, suspeito de ter
intermediado o assassinato da
deputada federal Ceci Cunha
(PSDB-AL), na noite de
quarta-feira (16), em Maceió.
Uma outra pessoa, cujo nome não
foi revelado, foi presa sob
suspeita de ter participado da
chacina, onde também foi morto o
marido da deputada, Juvenal
Cunha, 46, o cunhado dela Iran
Carlos Maranhão, 33, e a mãe de
Maranhão, Ítala Neide Maranhão
Pureza, 58.
"As pistas
que a polícia tem até agora
indicam para um crime político.
Com essas duas prisões,
poderemos aprofundar os fortes
indícios já colhidos",
afirmou à reportagem o
governador Manoel Gomes de Barros
(PTB). As suspeitas da polícia
sobre a possibilidade de
envolvimento do deputado Talvane
Albuquerque começaram na noite
do crime, durante a vigília
feita por lideranças políticas,
representantes de entidades da
sociedade civil e do poder
Judiciário, na Assembléia
Legislativa. Além de ser
opositor de Ceci, Albuquerque é
seu primeiro suplente. Segundo o
presidente do Tribunal Regional
Eleitoral de Alagoas, Geraldo
Tenório Araújo, ele será
diplomado mesmo que seja acusado
de envolvimento no crime.
Na última
eleição, Ceci renunciou à
condição de vice na chapa do
governador Manoel Gomes de
Barros, candidato derrotado à
reeleição, para concorrer a
deputada federal. Com isso, tirou
apoios políticos de Albuquerque,
que também é de Arapiraca. O
suplente chegou a denunciar que
Ceci havia desviado R$ 300 mil da
Prefeitura de Arapiraca para a
sua campanha. Quando soube da
chacina, Talvane disse para a
mulher, Nireidi Albuquerque:
"Agora me lasquei. Vão
dizer que fui eu". Nireidi
disse acreditar na inocência do
marido. Ontem, ela não sabia
onde ele estava. "Meu marido
saiu depois que soube da
notícia", disse.
FUZILAMENTO -
Ceci foi atingida com um tiro de
espingarda calibre 12 na base do
crânio e um tiro revólver no
joelho. O marido da deputada foi
morto com um tiro de espingarda
12 e mais três tiros de
revólver no tórax e abdômen; o
cunhado de Ceci com dois tiros de
38: um no peito e outro na
cabeça; e sua mãe foi morta com
um tiro de 12 no pescoço. A
perícia técnica no local durou
quatro horas. Os corpos foram
levados para o IML por volta da
meia-noite, onde foram
necropsiados e liberados ás 5h30
para o sepultamento. Segundo a
polícia, foram usadas duas
espingardas calibre 12 e três
revólveres 38.
Segundo
testemunhas, após a chacina, os
três pistoleiros fugiram em um
Fiat Uno Verde. Há informações
de que um outro veículo, um
Corsa de cor cinza, tenha sido
usado, dando cobertura aos
pistoleiros. Pela manhã, o Fiat
Uno utilizado pelos pistoleiros
foi localizado pela polícia
queimado dentro do canavial no
município do Pilar, perto da
Usina Terra Nova, a 35
quilômetros da Capital. A PF e
peritos da Secretária da
Secretária de Segurança
Pública do estado estiveram no
local e constataram que o
veículo foi queimado uma hora
após a chacina.
A principal
testemunha da chacina é o irmão
do cunhado da deputada, Iranildo
Maranhão Pureza, mantido em
sigilo, sob proteção policial.
Ele estava regando o jardim
poucos minutos antes da chacina.
Quando entrou para pegar uma fita
VHS e voltou para entregá-la à
deputada, ouviu os tiros e correu
em direção aos fundos da casa,
pulou o muro do quintal e se
escondeu. Segundo ele, os
pistoleiros entraram na varanda
da casa e atiraram à
queima-roupa. Um deles perguntou
quem era a deputada Ceci e quando
se certificou que era ela
começaram atirar.
Policiais
envolvidos nas investigações
acreditam que a deputada e o
marido vinham sendo seguidos
desde o novo Fórum de Maceió,
que fica a poucos quilômetros do
local do crime. O carro da
deputada, uma Blazer azul, era
dirigido pelo seu marido. Ceci
vinha ao lado dele. Em seu
discurso na diplomação, ela
disse que estava otimista com o
destino de Alagoas. "Se
existe no mundo uma pessoa feliz,
essa pessoa sou eu. Eu sou
feliz!".