ALAGOAS II
Impunidade
alimenta crimes em AlagoasBRASÍLIA -
Chocado com o assassinato da
deputada federal reeleita Ceci
Cunha (PSDB), de 46 anos, o
presidente Fernando Henrique
Cardoso enviou a Alagoas o
secretário-geral da
Presidência, Eduardo Graeff, e o
ministro da Justiça, Renan
Calheiros. "A chacina atinge
a todos. Sinto-me duplamente
atingindo por ser ministro da
Justiça e de Alagoas",
disse Renan, que designou
delegados e agentes da Polícia
Federal para realizarem
operações conjuntas com a
Polícia Civil de Alagoas.
O presidente da
Câmara, Michel Temer (PMDB-SP),
acompanhado de seis deputados
federais, e o líder do PSDB no
Senado, Sérgio Machado (CE),
também participaram do velório
e do enterro, em Arapiraca.
"Ceci era uma pessoa
extremamente dócil,
trabalhadora, e a violência
contra ela e sua família agride
o Congresso e o País. Queremos
que esse crime seja esclarecido o
mais rapidamente possível"
cobrou Temer.
O presidente
nacional do PSDB, senador
Teotônio Vilela Filho (AL),
estava indignado: "O Brasil
inteiro foi atingido com uma
violência carregada de ódio.
Ceci e toda a sua família
assassinada eram pessoas de
origem humilde, com uma
trajetória de trabalho. Estou
partido, indignado e quem tem
vergonha na cara tem de ajudar a
polícia a esclarecer esse
crime". Fernando Henrique a
todo instante era informado sobre
as investigações. Numa
declaração endereçada ao povo
alagoano, resumiu: "Esse
crime foi uma violência contra o
País. Vamos elucidar esse crime.
Não foi só um crime contra Ceci
Cunha, seu marido e seus
parentes. As instituições
também foram feridas",
frisou, em conversa com
Teotônio.
Em Maceió, O
governador de Alagoas, Manoel
Gomes de Barros (PTB), afirmou
que a impunidade é a principal
responsável pelos assassinatos
de políticos locais, como a
chacina na qual morreu Ceci
Cunha. "A impunidade é a
grande responsável pelo
assassinato da deputada Ceci
Cunha. Combatemos o crime
organizado, mas ele ainda está
presente. Só com socorro federal
para aparelhar as polícias
poderemos vencer essa
batalha", afirmou Barros.
Desde 93, nove
políticos alagoanos foram
assassinados no Estado. Segundo o
Fórum Permanente Contra a
Violência de Alagoas, 75% dos
assassinatos ocorridos no Estado,
nos últimos quatro anos, não
foram solucionados. A impunidade
citada pelo governador é uma
decorrência direta do
desaparelhamento do aparato
policial alagoano. Segundo a
Polícia Civil, cerca de 80% das
delegacias estão abertas, mas
não operam por falta de
telefone, rádio, carros e
homens. "O presidente
Fernando Henrique Cardoso não
pode estipular limite financeiro
para ajudar Alagoas a modernizar
nossas polícias. Caso não
ajude, será difícil os mocinhos
vencerem os bandidos em
Alagoas", afirmou o
governador eleito, Ronaldo Lessa
(PSB), que enviou telegrama a FHC
cobrando solidariedade.
A senadora
eleita Heloísa Helena (PT)
lembrou que Ceci foi a primeira
deputada federal alagoana.
"Um chacina dessa minutos
depois da nossa diplomação é
um desacato às instituições e
demonstra a arrogância do crime
organizado no Estado",
disse. O deputado estadual
reeleito Antônio Albuquerque
(PSD) resumiu: "O sentimento
é de insegurança total. Foi uma
chacina ousada, insana e
covarde".