- - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

ALAGOAS II
Impunidade alimenta crimes em Alagoas

BRASÍLIA - Chocado com o assassinato da deputada federal reeleita Ceci Cunha (PSDB), de 46 anos, o presidente Fernando Henrique Cardoso enviou a Alagoas o secretário-geral da Presidência, Eduardo Graeff, e o ministro da Justiça, Renan Calheiros. "A chacina atinge a todos. Sinto-me duplamente atingindo por ser ministro da Justiça e de Alagoas", disse Renan, que designou delegados e agentes da Polícia Federal para realizarem operações conjuntas com a Polícia Civil de Alagoas.

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), acompanhado de seis deputados federais, e o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), também participaram do velório e do enterro, em Arapiraca. "Ceci era uma pessoa extremamente dócil, trabalhadora, e a violência contra ela e sua família agride o Congresso e o País. Queremos que esse crime seja esclarecido o mais rapidamente possível" cobrou Temer.

O presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), estava indignado: "O Brasil inteiro foi atingido com uma violência carregada de ódio. Ceci e toda a sua família assassinada eram pessoas de origem humilde, com uma trajetória de trabalho. Estou partido, indignado e quem tem vergonha na cara tem de ajudar a polícia a esclarecer esse crime". Fernando Henrique a todo instante era informado sobre as investigações. Numa declaração endereçada ao povo alagoano, resumiu: "Esse crime foi uma violência contra o País. Vamos elucidar esse crime. Não foi só um crime contra Ceci Cunha, seu marido e seus parentes. As instituições também foram feridas", frisou, em conversa com Teotônio.

Em Maceió, O governador de Alagoas, Manoel Gomes de Barros (PTB), afirmou que a impunidade é a principal responsável pelos assassinatos de políticos locais, como a chacina na qual morreu Ceci Cunha. "A impunidade é a grande responsável pelo assassinato da deputada Ceci Cunha. Combatemos o crime organizado, mas ele ainda está presente. Só com socorro federal para aparelhar as polícias poderemos vencer essa batalha", afirmou Barros.

Desde 93, nove políticos alagoanos foram assassinados no Estado. Segundo o Fórum Permanente Contra a Violência de Alagoas, 75% dos assassinatos ocorridos no Estado, nos últimos quatro anos, não foram solucionados. A impunidade citada pelo governador é uma decorrência direta do desaparelhamento do aparato policial alagoano. Segundo a Polícia Civil, cerca de 80% das delegacias estão abertas, mas não operam por falta de telefone, rádio, carros e homens. "O presidente Fernando Henrique Cardoso não pode estipular limite financeiro para ajudar Alagoas a modernizar nossas polícias. Caso não ajude, será difícil os mocinhos vencerem os bandidos em Alagoas", afirmou o governador eleito, Ronaldo Lessa (PSB), que enviou telegrama a FHC cobrando solidariedade.

A senadora eleita Heloísa Helena (PT) lembrou que Ceci foi a primeira deputada federal alagoana. "Um chacina dessa minutos depois da nossa diplomação é um desacato às instituições e demonstra a arrogância do crime organizado no Estado", disse. O deputado estadual reeleito Antônio Albuquerque (PSD) resumiu: "O sentimento é de insegurança total. Foi uma chacina ousada, insana e covarde".


     

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