DENÚNCIA
Municípios
na divisa entre PE e PB são
locais de desova de corpospor DANIEL OLIVEIRA
Correspondente
ITAMBÉ -
Mais de 100 corpos
não-identificados de pessoas
assassinadas foram abandonados
entre os município de Itambé
(PE) e Pedras de Fogo (PB) de
dezembro de 97 a 98. As polícias
de Pernambuco e Paraíba já não
têm mais dúvida de que a
região se tornou alvo preferido
para desova de cadáveres. Na
maioria das vezes, os corpos são
encontrados em terrenos baldios,
nos canaviais da região ou às
margens de uma estrada de terra
que liga Itambé a Santa Rita
(PB) e na maioria das vezes
estão perfurados à bala.
A polícia
pernambucana acredita que pode
estar ocorrendo uma guerra entre
quadrilhas na região. A escrivã
Claudete Moraes informou que
mesmo quando os crimes acontecem
em via pública dificilmente
aparecem testemunhas. Segundo
ela, as vítimas identificadas
têm em torno de 17 e 25 anos e
estão ligadas a roubo ou
tráfico de drogas. Também é
difícil aparecer parentes
reclamando os corpos. "Pela
nossa experiência, o que vem
acontecendo aqui têm as
características de queima de
arquivo promovida por
quadrilhas", explicou.
O delegado
Marcelo Martins, de Pedras de
Fogo, acrescentou que quase todos
os corpos encontrados nos
canaviais da região são de
marginais que atuavam nas
regiões metropolitanas de Recife
ou João Pessoa. Dos últimos 13
corpos encontrados nos canaviais
próximos à vila Fazendinha, em
Pedras de Fogo, seis ainda não
foram identificados. Ele acredita
que a localização de Pedras de
Fogo e Itambé é propicia para a
desova de corpos, por haver
várias vias de acesso ligando as
cidades a Pernambuco e Paraíba.
A estatística
de crimes na região é
assustadora. Cerca de oito
homicídios de autoria
não-identificada são
registrados por mês nos dois
municípios. A polícia alega
falta de equipamentos e de
pessoal para realizar
investigações. Nas duas cidades
- que juntas têm população de
60 mil habitantes - trabalham
apenas oito policiais civis,
incluindo os dois delegados e as
suas escrivãs. O policiamento
ostensivo da região é feito por
oito PMs.
EXTERMÍNIO -
A população local comenta que
os crimes que vêm ocorrendo são
praticados por homens encapuzados
e há desconfiança na região
que eles pertençam a grupos de
extermínio. "Não sei quem
está por traz disso, mas já
percebi que com o aumento do
número de assassinatos caiu o
índice de roubo na cidade",
relatou o comerciante S.A.S, de
Itambé, que já teve seu
estabelecimento assaltado quatro
vezes. De acordo com ele, esta
espécie de milícia só existe
porque falta segurança policial
nas duas cidades. "O meu
receio é que deixemos de ser
assaltados e passemos a ser
extorquidos", avaliou. O
comerciante diz que suas
suspeitas se devem ao fato de ter
recebido uma visita de dois
homens no mês passado que lhe
ofereceram segurança contra
roubo.