REFORMA AGRÁRIA
Novos
assentados não terão acesso ao
ProceraBRASÍLIA - Os
novos assentados da reforma
agrária no segundo governo de
Fernando Henrique Cardoso irão
perder acesso à linha de
crédito mais barata do governo,
o Procera, e serão levados a
pagar parte do valor da terra e
dos investimentos recebidos. O
novo modelo de reforma agrária,
segundo informou ontem o
secretário de Desenvolvimento
Rural do Ministério da
Agricultura, Murilo Flores,
pretende reduzir o chamado
"paternalismo" na
política fundiária. Manterá a
concessão de recursos
subsidiados à implantação dos
sem-terra, mas eles terão prazo
para contrair empréstimos mais
caros no Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura
Familiar (Pronaf).
Dependerá do
Planalto decidir qual ministério
ficará responsável pelos R$ 3
bilhões do Pronaf em 99. O
controle desses recursos é
ambicionado pelo ministro da
Política Fundiária, Raul
Jungmann, que retorna hoje de
viagem aos Estados Unidos, aonde
foi em busca de novas fontes de
recursos para compensar o corte
de 50% no orçamento da reforma
agrária para 99. Segundo Flores,
será modificado o atual conceito
de emancipação dos projetos de
assentamento para permitir a
passagem do assentado do Procera
para o Pronaf. Segundo ele, essa
modificação é necessária
porque só podem ser cobrados os
créditos de implantação
concedidos aos assentados quando
o projeto é emancipado,
atendendo 42 exigências em
infra-estrutura consideradas
exageradas pelo governo.