SECA
Alistado
recebe só R$ 65,00 este mêsOs 211 mil alistados nas
frentes de emergências nos 127
municípios pernambucanos
atingidos pela seca não
receberão este mês o pagamento
integral da bolsa de R$ 80,00
como vinha acontecendo há quatro
meses. A folha de novembro, que
deverá começar a ser paga na
próxima semana, destinará a
cada alistado apenas R$ 65,00.
Segundo o secretário de
Planejamento, João Recena, que
preside a Comissão Estadual de
Combate a Seca, o Governo de
Pernambuco não dispõe de
recursos para dar a contrapartida
no valor de R$ 3,1 milhões - que
é a soma dos R$ 15,00 pagos pelo
Estado a cada trabalhador - para
complementar a folha. Ele disse
que a situação financeira do
Estado ainda está indefinida por
conta da situação judicial
criada após o bloqueio das
contas do governo no Bandepe.
Recena adiantou
que os R$ 13,7 milhões
destinados para o pagamento de
novembro já foram liberados pela
Sudene. Ele conta que para não
atrasar ainda mais o pagamento da
bolsa ao trabalhador o Governo de
Pernambuco decidiu preparar a
folha utilizando apenas os
recursos do Governo Federal.
"O mesmo deverá acontecer
em dezembro", explicou. De
acordo com ele, os trabalhadores
das frentes não podem ficar
esperando que o Estado regularize
sua situação financeira.
"Por isso decidimos preparar
a folha com os R$ 65,00 para cada
alistado".
Recena disse
ainda que há perspectivas do
pagamento da bolsa de dezembro
ser antecipado para que os
alistados não sintam o impacto
da falta dos R$ 15,00. Ele não
quis precisar uma data para o
pagamento pelo Estado do
complemento da bolsa. "Assim
que quitarmos esta folha vamos
procurar resolver a questão da
contrapartida do Estado",
informou.
Para o
presidente da Associação
Municipalista de Pernambuco,
Vavá Rufino, a redução da
bolsa dos alistados além de ser
preocupante repercute
negativamente no Agreste e
Sertão. Ele acrescenta que os R$
80,00 não vêm sendo suficientes
e que o homem do campo que
atravessa momentos muitos
difíceis. "O valor da bolsa
não corresponde a real
necessidade e a sua redução
poderá provocar um enorme
prejuízo. Reconheço que o
Estado está em dificuldades, mas
o efeito dessa medida será muito
negativo e provocará uma enorme
insatisfação entre os
alistados", frisou.
O presidente da
Comissão Municipal de Belo
Jardim, Braz Soares, disse que
ainda vai haver muita fome.
"A situação é crítica
não só em Belo Jardim mas em
todos os municípios do Agreste e
Sertão. Os trabalhadores estão
passando fome e se a coisa piorar
eles ameaçam saquear feiras e
supermercados. Os 2.693 alistados
que existem aqui no município
estão apreensivos". O
programa das frentes de
emergência está previsto para
ser encerrado no dia 31 de
dezembro.