-- - - - - - - -- - - - - - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

SECA

Alistado recebe só R$ 65,00 este mês

Os 211 mil alistados nas frentes de emergências nos 127 municípios pernambucanos atingidos pela seca não receberão este mês o pagamento integral da bolsa de R$ 80,00 como vinha acontecendo há quatro meses. A folha de novembro, que deverá começar a ser paga na próxima semana, destinará a cada alistado apenas R$ 65,00. Segundo o secretário de Planejamento, João Recena, que preside a Comissão Estadual de Combate a Seca, o Governo de Pernambuco não dispõe de recursos para dar a contrapartida no valor de R$ 3,1 milhões - que é a soma dos R$ 15,00 pagos pelo Estado a cada trabalhador - para complementar a folha. Ele disse que a situação financeira do Estado ainda está indefinida por conta da situação judicial criada após o bloqueio das contas do governo no Bandepe.

Recena adiantou que os R$ 13,7 milhões destinados para o pagamento de novembro já foram liberados pela Sudene. Ele conta que para não atrasar ainda mais o pagamento da bolsa ao trabalhador o Governo de Pernambuco decidiu preparar a folha utilizando apenas os recursos do Governo Federal. "O mesmo deverá acontecer em dezembro", explicou. De acordo com ele, os trabalhadores das frentes não podem ficar esperando que o Estado regularize sua situação financeira. "Por isso decidimos preparar a folha com os R$ 65,00 para cada alistado".

Recena disse ainda que há perspectivas do pagamento da bolsa de dezembro ser antecipado para que os alistados não sintam o impacto da falta dos R$ 15,00. Ele não quis precisar uma data para o pagamento pelo Estado do complemento da bolsa. "Assim que quitarmos esta folha vamos procurar resolver a questão da contrapartida do Estado", informou.

Para o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, Vavá Rufino, a redução da bolsa dos alistados além de ser preocupante repercute negativamente no Agreste e Sertão. Ele acrescenta que os R$ 80,00 não vêm sendo suficientes e que o homem do campo que atravessa momentos muitos difíceis. "O valor da bolsa não corresponde a real necessidade e a sua redução poderá provocar um enorme prejuízo. Reconheço que o Estado está em dificuldades, mas o efeito dessa medida será muito negativo e provocará uma enorme insatisfação entre os alistados", frisou.

O presidente da Comissão Municipal de Belo Jardim, Braz Soares, disse que ainda vai haver muita fome. "A situação é crítica não só em Belo Jardim mas em todos os municípios do Agreste e Sertão. Os trabalhadores estão passando fome e se a coisa piorar eles ameaçam saquear feiras e supermercados. Os 2.693 alistados que existem aqui no município estão apreensivos". O programa das frentes de emergência está previsto para ser encerrado no dia 31 de dezembro.


     

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