-- - - - - - - -- - - - - - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 18 de dezembro de 1998

ABASTECIMENTO

Material de adutora sob suspeita

Da Sucursal de Caruaru

SÃO JOAQUIM DO MONTE - Os constantes vazamentos ocorridos na Adutora do Prata começam a levantar dúvidas da população de Caruaru em relação à qualidade do material utilizado na construção da tubulação, que tem 35 quilômetros de extensão. Os usuários reclamam de que têm sido obrigados a ficar horas sem água nas torneiras, até que sejam feitos os reparos várias vezes por semana.

O mais recente rompimento da adutora aconteceu no Sítio Formigueiro, neste município, tendo início desde o último sábado, a menos de cem metros do local onde uma tubulação rompeu-se e foi consertada há uma semana. A proprietária do sítio, Marluce Coelho Ramalho Vasconcelos, 51, atribuiu toda a culpa do vazamento à Compesa. "É muito fácil querer jogar para o pequeno agricultor toda a culpa pelos constantes vazamentos, sem querer assumir os erros por um serviço malfeito", desabafou a agricultora. Ao lado do gerente regional da Compesa, em Caruaru, Judas Tadeu de Souza, dona Marluce disse ser esta a terceira vez que o vazamento acontece naquela local e que até agora a Compesa não conseguiu realizar um conserto definitivo.

A construtora Coliwal, empresa que realizou a obra, não se responsabiliza pela qualidade do material utilizado. "Realizamos outras adutoras de maiores proporções para a Compesa, utilizando tubos de outras marcas e com um número de vazamentos bem menor", disse o engenheiro Luciano Barreto, responsável pela obra e sócio da construtora. Segundo ele, a Compesa mantém um débito de R$ 916 mil com a empresa desde outubro. O contrato inicial estabelecia um prazo de 600 dias para a conclusão da obra, nós reduzimos para a metade. "Mesmo assim até agora foram registradas 16 danificações nas juntas da adutora, o que é um número aceitável para uma obra desse porte", avalia o engenheiro.

VÂNDALOS - Para o diretor técnico da Compesa, Artur Medeiros, não se pode responsabilizar a construtora e nem a Confab, fabricante da tubulação. "A empresa recebeu o ISO-9000", ressaltou. Ele assegura que os problemas registrados recentemente na tubulação são decorrentes da ação de vândalos. "O povo é inteligente e arruma uma solução para conseguir as coisas, por isso eu não estranharia se alguém tivesse ferramentas que pudessem forçar a abertura da tubulação", explicou, reconhecendo que esporadicamente podem ocorrer vazamentos.


     

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