ARGUMENTO FORTE (VI)
MST
faz vigília vigiada em BrasíliaBRASÍLIA - Os
integrantes do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem-Terra
(MST) permaneceram em vigília na
frente ao prédio do Ministério
da Fazenda. Pela impossibilidade
legal de permitir o acampamento,
na Esplanada dos Ministérios, a
Polícia Militar do Distrito
Federal solicitou a presença de
um representante do governador,
Cristovão Buarque (PT), para
negociar a saida dos
manifestantes. Como não houve
entendimento, os sem-terra
resolveram, até às 23h de
ontem, permanecer em frente ao
prédio. Hoje, dois
representantes do Ministério
Público deverão acompanhar as
negociações. De acordo com o
chefe do Gabinete Militar do
governador, coronel Paulo César,
o deputado Adão Preto (PT-RS)
foi indicado como representante
do Governo para negociar com os
manifestantes do MST.
Em Goiânia,
com um dia de atraso, cerca de
400 trabalhadores sem-terra
cercaram, ontem, a sede do
Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária
(Incra), em Goiás. Mas trocaram
a ocupação do prédio pela
entrega de um manifesto - com
pedidos genéricos -
reivindicando o assentamento de
3,5 mil famílias no Estado, e
evitaram um confronto com a
Polícia Militar.
"O que
eles querem nós também
queremos", afirmou o
superintendente do Incra, Marcelo
Afonso Silva, referindo-se à
lista dos sem-terra que exigindo
rapidez no processo de reforma
agrária e assentamento.
"Nós estamos aqui não para
invadir mas para
reivindicar", explicou
Wolmir Zanatto, um dos
coordenadores estaduais do
Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem-Terra (MST).
Apesar da
disposição de entregar o
manifesto e desistir do objetivo
de ocupar - divulgado ontem -, a
sede do Incra foi protegida por
soldados da tropa de choque da
PM. As armas dos soldados, mais
as enxadas empunhadas e bandeiras
agitadas, criaram um clima tenso
entre soldados e sem-terra.