- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - -_-Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

ALAGOAS
Deputados vão explicar sinais de riqueza ao IR

MACEIÓ - Os três auditores do Tesouro Nacional, que decidiram cobrar R$ 4 milhões dos 27 deputados estaduais alagoanos acusados de sonegação de Imposto de Renda, detectaram também sinais exteriores de riqueza. Os deputados foram notificados, ontem, e terão 30 dias para prestar contas e apresentar a defesa justificando a compra de helicóptero, fazendas, cavalos de raça, carros importados, apartamentos de luxo e freqüentes viagens ao Exterior.

Os auditores, enviados especialmente de Brasília para investigar os deputados, chegaram a Maceió 23 dias após denúncia que revelava a existência de uma verba de gabinete que os deputados alagoanos podiam aplicar onde bem quisessem. A verba é de R$ 13 mil mensais, valor que representa o dobro dos salários dos deputados. A Receita Federal sabe que muitos deputados utilizaram a verba de gabinete em obras clientelistas, beneficiando possíveis eleitores com telhas, cimento, consultas médicas, remédios, passagens e alimentos. E que outros investiram em patrimônio próprio.

O deputado César Malta (PSD), primo da ex-primeira-dama do País, Rosane Collor, vai ter de explicar como conseguiu comprar um helicóptero no ano passado. "Comprei o helicóptero nos Estados Unidos, em sistema de leasing, e tenho um sócio. Hoje, alugo o aparelho e já estou ganhando um "troquinho". A verba de gabinete não enriquece ninguém. Aqui, na Assembléia, não entra pobre", afirmou Malta. "Nunca usei o dinheiro em benefício próprio. Tudo foi gasto no gabinete ou doado para entidades que lutam pela cidadania".

Todos sabem que a maioria dos deputados fizeram patrimônio pessoal com a verba", afirmou o deputado Heloísa Helena (PT). O presidente da Assembléia Legislativa de Alagoas, João Neto (PSDB), diz ter considerado "execração pública" o fato de o secretário-geral da Receita Federal, Everardo Maciel, ter divulgado a cobrança da suposta dívida dos deputados. Os deputados vão recorrer da cobrança do IR.




   

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