ALAGOAS
Deputados
vão explicar sinais de riqueza
ao IRMACEIÓ - Os
três auditores do Tesouro
Nacional, que decidiram cobrar R$
4 milhões dos 27 deputados
estaduais alagoanos acusados de
sonegação de Imposto de Renda,
detectaram também sinais
exteriores de riqueza. Os
deputados foram notificados,
ontem, e terão 30 dias para
prestar contas e apresentar a
defesa justificando a compra de
helicóptero, fazendas, cavalos
de raça, carros importados,
apartamentos de luxo e
freqüentes viagens ao Exterior.
Os auditores,
enviados especialmente de
Brasília para investigar os
deputados, chegaram a Maceió 23
dias após denúncia que revelava
a existência de uma verba de
gabinete que os deputados
alagoanos podiam aplicar onde bem
quisessem. A verba é de R$ 13
mil mensais, valor que representa
o dobro dos salários dos
deputados. A Receita Federal sabe
que muitos deputados utilizaram a
verba de gabinete em obras
clientelistas, beneficiando
possíveis eleitores com telhas,
cimento, consultas médicas,
remédios, passagens e alimentos.
E que outros investiram em
patrimônio próprio.
O deputado
César Malta (PSD), primo da
ex-primeira-dama do País, Rosane
Collor, vai ter de explicar como
conseguiu comprar um helicóptero
no ano passado. "Comprei o
helicóptero nos Estados Unidos,
em sistema de leasing, e tenho um
sócio. Hoje, alugo o aparelho e
já estou ganhando um
"troquinho". A verba de
gabinete não enriquece ninguém.
Aqui, na Assembléia, não entra
pobre", afirmou Malta.
"Nunca usei o dinheiro em
benefício próprio. Tudo foi
gasto no gabinete ou doado para
entidades que lutam pela
cidadania".
Todos sabem que
a maioria dos deputados fizeram
patrimônio pessoal com a
verba", afirmou o deputado
Heloísa Helena (PT). O
presidente da Assembléia
Legislativa de Alagoas, João
Neto (PSDB), diz ter considerado
"execração pública"
o fato de o secretário-geral da
Receita Federal, Everardo Maciel,
ter divulgado a cobrança da
suposta dívida dos deputados. Os
deputados vão recorrer da
cobrança do IR.