CULTURA
Suassuna
aposta numa dança híbridapor JOÃO LUIZ VIEIRA
Ariano Suassuna
dá prosseguimento a seu projeto
cultural Pernambuco/Brasil, que
define sua linha de ação à
frente da secretaria de Cultura,
com a estréia de A Demanda do
Graal Dançado, no Teatro
Arraial, a partir de hoje e todas
as quintas-feiras, às 21h. As
sessões serão gratuitas. A
coreografia é assinada por Maria
Paula Rêgo e a direção de arte
mostra o traço de Dantas
Suassuna.
O espetáculo
é um amálgama de dois gêneros
da dança - o contemporâneo e o
popular -, com interferências
mútuas de suas técnicas.
Segundo o escritor, essa idéia
de fusão já havia sido proposta
por ele nos anos 70 e só agora
arrisca uma versão mais radical
do objetivo. A história,
extraída de uma
novela-de-cavalaria do século
15, narra a aventura de 150
cavaleiros que partem em busca do
cálice do título.
Graal é o vaso
santo de esmeralda que, segundo
tradição corrente nos romances
de cavalaria, teria servido a
Cristo na última ceia, e no qual
José de Arimatéia haveria
recolhido o sangue que Cristo
jorrou quando o centurião lhe
deu a lançada.
A coreógrafa
diz que A Demanda do Graal
Dançado "pretende chegar a
uma linguagem brasileira de
espetáculo". Ela lembra que
há 16 anos vem convivendo com a
cultura popular e tentando achar,
à sua maneira, uma linguagem
onde a dança contemporânea
pudesse se juntar às danças
populares, criando, assim, uma
linguagem de dança própria e
brasileira.
Maria Paula
confessa que houve dificuldade em
trabalhar com bailarinos de
formações tão distintas -
Fernanda Lisboa, Valéria
Medeiros e a própria no
contemporâneo, e Pedrinho
Salustiano e Jaflis Nascimento no
popular -, mas ela acredita que o
norte era dispensar o mesmo
tratamento estético a ambos os
estilos.
A música de
cena acompanha essa caráter
híbrido, misturando Beethoven,
Villa Lobos, Zoca Madureira e
Antonio Carlos Nóbrega,
contando, inclusive, com a
participação luxuosa da banda
de Mestre Salustiano.