- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

ARTES CÊNICAS (II)
Deborah Colker traz Rota para a próxima semana

Deborah Colker, uma das mais comentadas coreógrafas brasileiras do momento, pisa no linóleo do Teatro Guararapes nos próximos dias 27 e 28 para apresentar sua mais recente experimentação com a dança atlética que desenvolve. Traz Rota, a terceira produção da companhia que leva seu nome e que já tem no currículo os bem-sucedidos Velox e Vulcão.

As infinitas possibilidades de exploração de caminhos pela dança contemporânea e a presença em cena do maior símbolo da invenção humana, a roda, dão o tom e o título do espetáculo que estreou no ano passado, em Curitiba. Para este ano também estão previstas diversas excursões.

Rota descreve seu giro (e seu curso) em torno dos grandes eixos de sustentação do trabalho da coreógrafa Deborah Colker: a utilização do gesto, síntese do movimento, como um poderoso elemento de expressão cênica; a apropriação de movimentos oriundos de outras práticas do corpo; e as reflexões sobre as forças que regem o movimento, gênese da dança. Mas incursionam também pelo balé clássico e pelo jazz, promovendo, em 53 minutos e dois atos, uma ocupação radical do espaço cênico.

O espetáculo soma 13 bailarinos, que evoluem por seis movimentos de manobras arriscadas e seqüências de excepcional vigor físico. O primeiro ato é marcado por uma bem-humorada homenagem às vertentes eruditas da música e da dança. No segundo ato, a concentração vai para o teste da gravidade. Em cena, o emblema de todo o espetáculo: a própria roda.


     

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