CINEMA (II)
Amar
é o melhor do programaNesta quinta-feira, a
mostra competitiva de curta
metragens têm continuidade com a
estréia do pernambucano Circo
Vicioso (16mm), de Renata
Nascimento e Juliana Rondon, uma
adaptação do conto Idiotas Que
Falam Outra Língua, de Rubem
Fonseca. O filme aborda um
triângulo amoroso de marido
/amante/esposa traída
interpretado por Ricardo Mourão,
Rejane Melo e Paula Francinete.
Ninguém da imprensa viu o filme
ainda.
O segundo da
noite é Litania da Velha (MA,
35mm), de Frederico da Cruz
Machado. O filme oferece imagens
expressivas de uma negra velha
cujo corpo parece simbolizar o
próprio tempo. Visualmente, o
filme é um deleite, com uma
personagem carismática que diz
tudo sem falar nada. Uma pena que
a narração em off para cegos
atrapalhe o filme (absolutamente
tudo que vemos na tela é
acompanhado por uma poesia
irritante).
Amar (RJ,
35mm), de Carlos Gregório, o
terceiro da mostra de hoje, é
excelente. Desenvolve a idéia de
João que ama Maria, que ama
fulana, honrando Drummond com
paixão. Texto perfeito do
próprio Gregório (que também
atua) mistura acidez e realismo
(observem a cena histérica ao
telefone), com atuações
inspiradas que fazem disto aqui
uma experiência mais
satisfatória do que muito longa
que tem por aí. É geralmente
descrito como clone de Pequeno
Dicionário Amoroso mas,
acreditem, é bem mais sólido.
Com Déborah Evelyn, Bianca
Byington e Maria Luisa Mendonça.