- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

VÍDEO
Clássicos do cinema nacional em vídeo

Uma das maiores carências do mercado brasileiro de vídeo é o quesito Clássicos do Cinema Nacional. Tente mostrar a qualquer interessado da nova geração Deus e o Diabo na Terra do Sol numa boa cópia, em vídeo. Ou Os Cafajestes na glória do seu preto & branco. Não existem ainda. Mesmo assim, a Funarte, através do Ministério da Cultura e orgãos como a Cinemateca Brasileira, RioFilme e TV Cultura, vem lançando em vídeo um catálogo de tesouros da nossa filmografia, em cópias compatíveis com os padrões de imagem exigidos hoje, tanto pelo mercado quanto pelos consumidores. Como parte da agenda de eventos do II Festival de Cinema Nacional do Recife, a Funarte lança amanhã, no Recife Monte Hotel, às 16h30, os clássicos pernambucanos A Filha do Advogado e Aitaré da Praia além de, claro, apresentar o resto do catálogo.

Para quem se interessar, A Filha do Advogado, de Jota Soares ("aos 20 anos de idade", anuncia um letreiro orgulhoso) é uma história de amor bem resolvida que funciona surpreendentemente bem até os dias de hoje. Começa com imagens do Recife nos anos 20 (uma raridade) e tem como mote um advogado bem sucedido no Recife que mantém um segredo: ele cria uma filha que teve com uma amante. Seu filho legítimo (o próprio Jota Soares), um playboy arruaceiro, conhece a menina e passa a dar em cima dela. O filme é mudo mas tem agilidade suficiente para manter-lhe atento sempre. Uma delícia.

Aitaré da Praia não é tão bem resolvido quanto A Filha..., mas apresenta uma tentativa de filmar ação na praia. O filme tem um sabor local com cenas temperadas por samburás, palhoças e jangadas. O destaque aqui vai para a cena real em que Jota Soares leva um soco devastador de Ary Severo.

Além da dupla de longas-metragens do chamado Ciclo do Recife, a Funarte também o seu catálogo, com fitas obrigatórias como A Falecida (1964), de Leon Hizman, numa fita com imagem em P&B perfeita, uma excelente oportunidade de olhar para Fernanda Montenegro nesta época de Central do Brasil. Aqui, ela está no auge da sua juventude, mas com a mesma presença diante da câmera. Sem falar no filme, que é uma das melhores adaptações de Nelson Rodrigues para o cinema. Outra pérola é Limite (1930), de Mario Peixoto, um dos maiores momentos do nosso cinema, apresentado aqui num versão restaurada muito próxima a original, especialmente em relação à música. Entre os títulos da Funarte destaca-se também a série 100 Anos de Humberto Mauro, com clássicos como Argila (1940) e Braza Dormida (1936).


     

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