VÍDEO
Clássicos
do cinema nacional em vídeoUma das maiores
carências do mercado brasileiro
de vídeo é o quesito Clássicos
do Cinema Nacional. Tente mostrar
a qualquer interessado da nova
geração Deus e o Diabo na Terra
do Sol numa boa cópia, em
vídeo. Ou Os Cafajestes na
glória do seu preto &
branco. Não existem ainda. Mesmo
assim, a Funarte, através do
Ministério da Cultura e orgãos
como a Cinemateca Brasileira,
RioFilme e TV Cultura, vem
lançando em vídeo um catálogo
de tesouros da nossa filmografia,
em cópias compatíveis com os
padrões de imagem exigidos hoje,
tanto pelo mercado quanto pelos
consumidores. Como parte da
agenda de eventos do II Festival
de Cinema Nacional do Recife, a
Funarte lança amanhã, no Recife
Monte Hotel, às 16h30, os
clássicos pernambucanos A Filha
do Advogado e Aitaré da Praia
além de, claro, apresentar o
resto do catálogo.
Para quem se
interessar, A Filha do Advogado,
de Jota Soares ("aos 20 anos
de idade", anuncia um
letreiro orgulhoso) é uma
história de amor bem resolvida
que funciona surpreendentemente
bem até os dias de hoje. Começa
com imagens do Recife nos anos 20
(uma raridade) e tem como mote um
advogado bem sucedido no Recife
que mantém um segredo: ele cria
uma filha que teve com uma
amante. Seu filho legítimo (o
próprio Jota Soares), um playboy
arruaceiro, conhece a menina e
passa a dar em cima dela. O filme
é mudo mas tem agilidade
suficiente para manter-lhe atento
sempre. Uma delícia.
Aitaré da
Praia não é tão bem resolvido
quanto A Filha..., mas apresenta
uma tentativa de filmar ação na
praia. O filme tem um sabor local
com cenas temperadas por
samburás, palhoças e jangadas.
O destaque aqui vai para a cena
real em que Jota Soares leva um
soco devastador de Ary Severo.
Além da dupla
de longas-metragens do chamado
Ciclo do Recife, a Funarte
também o seu catálogo, com
fitas obrigatórias como A
Falecida (1964), de Leon Hizman,
numa fita com imagem em P&B
perfeita, uma excelente
oportunidade de olhar para
Fernanda Montenegro nesta época
de Central do Brasil. Aqui, ela
está no auge da sua juventude,
mas com a mesma presença diante
da câmera. Sem falar no filme,
que é uma das melhores
adaptações de Nelson Rodrigues
para o cinema. Outra pérola é
Limite (1930), de Mario Peixoto,
um dos maiores momentos do nosso
cinema, apresentado aqui num
versão restaurada muito próxima
a original, especialmente em
relação à música. Entre os
títulos da Funarte destaca-se
também a série 100 Anos de
Humberto Mauro, com clássicos
como Argila (1940) e Braza
Dormida (1936).