- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - ---Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

SAÚDE
Cremepe vai investigar maternidade

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) vai designar um conselheiro para apurar as denúncias encaminhadas pelo Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) sobre precárias condições de trabalho no Hospital Materno Infantil Cônego Pedro de Souza Leão, em Cavaleiro, administrado pela Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Jaboatão dos Guararapes (PMJG).

O presidente do Cremepe, Jurandir Dantas, informou ontem que o representante irá até o local para colher as informações necessárias e, dentro de 30 dias, apresenta o relatório. "Em nossa reunião, decidimos se a denúncia será arquivada ou será iniciado um processo ético-profissional", explicou.

A reportagem do Jornal do Commercio foi impedida, ontem, de entrar nas dependências do hospital, pela administradora Ilma Rodrigues, que afirmou estar cumprindo ordens do secretário municipal de Saúde, Renato Botto, que se encontra em Brasília. Na PMJG ninguém se pronunciou sobre o caso.

"A referida unidade se propõe a atendimentos de emergência e cirurgias, sem que, no entanto, ofereça aos médicos as mínimas condições de exercer suas funções, pondo em risco a saúde dos pacientes e a atuação dos profissionais", descreve um trecho do ofício nº 13/98, do Simepe, enviado ao Cremepe no dia 9 de março.

Entre as denúncias, as médicas anestesistas Libia Cadete e Janine Aquino, lotadas no local, reclamam da falta de um banco de sangue para cirurgias, de anestesias, de medicação básica, além da reutilização de materiais descartáveis em pacientes. "Até gases de limpeza são reutilizadas", afirma Libia.

Janine Aquino afirma que não há possibilidade de se trabalhar num hospital onde há mosquitos, cupins no quarto dos médicos e falta gerador. "Se faltar energia, a gente tem que parar a cirurgia na metade. O pior é que não há ambulância em condições de transportar o paciente para outro hospital", reforça.

O presidente do Simepe, Adaílton Vidal, considera um absurdo a situação da maternidade. "Vários médicos registram queixas no livro de ocorrências. O pior é que o secretário de saúde, Renato Botto, exige que os profissionais façam cirurgias sem a aparelhagem necessária".

Apesar de não ter podido parir o filho Diego na maternidade por falta de material, a dona de casa Cícera Maria Pereira, 17 anos, diz não ter do que se queixar. "A primeira vez que eu vim aqui para ter neném, não tinha anestesia, nem material para fazer o parto. Sem ambulância, nós tivemos que pagar um táxi até o Imip, no Coelhos".


     

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