SAÚDE
Cremepe
vai investigar maternidadeO Conselho Regional de
Medicina de Pernambuco (Cremepe)
vai designar um conselheiro para
apurar as denúncias encaminhadas
pelo Sindicato dos Médicos de
Pernambuco (Simepe) sobre
precárias condições de
trabalho no Hospital Materno
Infantil Cônego Pedro de Souza
Leão, em Cavaleiro, administrado
pela Secretaria de Saúde da
Prefeitura Municipal de Jaboatão
dos Guararapes (PMJG).
O presidente do
Cremepe, Jurandir Dantas,
informou ontem que o
representante irá até o local
para colher as informações
necessárias e, dentro de 30
dias, apresenta o relatório.
"Em nossa reunião,
decidimos se a denúncia será
arquivada ou será iniciado um
processo
ético-profissional",
explicou.
A reportagem do
Jornal do Commercio foi impedida,
ontem, de entrar nas
dependências do hospital, pela
administradora Ilma Rodrigues,
que afirmou estar cumprindo
ordens do secretário municipal
de Saúde, Renato Botto, que se
encontra em Brasília. Na PMJG
ninguém se pronunciou sobre o
caso.
"A
referida unidade se propõe a
atendimentos de emergência e
cirurgias, sem que, no entanto,
ofereça aos médicos as mínimas
condições de exercer suas
funções, pondo em risco a
saúde dos pacientes e a
atuação dos
profissionais", descreve um
trecho do ofício nº 13/98, do
Simepe, enviado ao Cremepe no dia
9 de março.
Entre as
denúncias, as médicas
anestesistas Libia Cadete e
Janine Aquino, lotadas no local,
reclamam da falta de um banco de
sangue para cirurgias, de
anestesias, de medicação
básica, além da reutilização
de materiais descartáveis em
pacientes. "Até gases de
limpeza são reutilizadas",
afirma Libia.
Janine Aquino
afirma que não há possibilidade
de se trabalhar num hospital onde
há mosquitos, cupins no quarto
dos médicos e falta gerador.
"Se faltar energia, a gente
tem que parar a cirurgia na
metade. O pior é que não há
ambulância em condições de
transportar o paciente para outro
hospital", reforça.
O presidente do
Simepe, Adaílton Vidal,
considera um absurdo a situação
da maternidade. "Vários
médicos registram queixas no
livro de ocorrências. O pior é
que o secretário de saúde,
Renato Botto, exige que os
profissionais façam cirurgias
sem a aparelhagem
necessária".
Apesar de não
ter podido parir o filho Diego na
maternidade por falta de
material, a dona de casa Cícera
Maria Pereira, 17 anos, diz não
ter do que se queixar. "A
primeira vez que eu vim aqui para
ter neném, não tinha anestesia,
nem material para fazer o parto.
Sem ambulância, nós tivemos que
pagar um táxi até o Imip, no
Coelhos".