AVALIAÇÃO
Reforma
psiquiátrica tem bons resultadosPernambuco vem
apresentando resultados positivos
na implantação do novo modelo
de assistência psiquiátrica,
radicalmente contra os
manicômios, que vem sendo
desenvolvido em todo o mundo, nos
últimos anos. A observação é
do consultor da Organização
Mundial de Saúde (OMS) e do
Ministério da Saúde, Ernesto
Venturini, um italiano que há
seis anos visita instituições
de tratamento de doentes mentais
no Brasil para acompanhar a
reforma psiquiátrica. Ele passou
três dias no Recife e hoje
embarca para o Rio de Janeiro.
Segundo
Venturini, a diminuição de
internamentos nas unidades
psiquiátricas e o
desenvolvimento de serviços
alternativos que atendem ao novo
modelo de assistência são
"méritos do sistema de
saúde de Pernambuco e dos
profissionais". A
coordenadora de Saúde Mental da
Secretaria de Saúde do Estado,
Ana Simões, diz que os sete mil
leitos de hospitais
psiquiátricos existentes até
1992 - ano em que começou a ser
implantado o novo modelo de
assistência, por exigência do
Ministério da Saúde - foram
diminuídos para 3.500.
O consultor da
OMS destaca a importância dessa
redução lembrando que a
internação em hospitais
psiquiátricos representa o
segundo maior custo em saúde no
país. E Pernambuco, segundo ele,
era um dos estados com maior
gasto em internação
psiquiátrica, junto com São
Paulo.
A reforma na
assistência psiquiátrica surgiu
na Itália, há mais de 30 anos,
e Venturini é um dos seus
precursores. De acordo com Ana
Simões, o novo modelo quer mudar
a lógica de que o hospital
psiquiátrico é o lugar de
tratamento da pessoa que tem
algum distúrbio mental.
"Não somos contra a
internação psiquiátrica, mas
defendemos que ela deve ser feita
nos serviços gerais como para
qualquer doença",
justifica.