EMPREGO
Contrato
temporário esbarra em sindicatospor HELIANE ROSENTHAL
A adoção dos
contratos temporários de
trabalho e banco de horas poderá
se expandir para diversas
empresas do Estado. O único
entrave para que isso aconteça,
é a aceitação do acordo por
parte dos sindicatos de
trabalhadores. O que existe é um
temor de que funcionários
efetivos sejam substituídos
pelos temporários.
De acordo com a
advogada Maidi Preuss, diversas
empresas já a procuram para se
informar sobre os dois processos.
Porém os sindicatos têm
demonstrado uma indisposição
para validar esses contratos, e
pela lei, a participação dessas
entidades é indispensável.
Segundo ela, a recusa é baseada
em razões ideológicas ou
"alegadamente legais".
A advogada afirma que esse fato
trará prejuízos tanto para as
empresas como para os
trabalhadores desempregados, pois
eles perderão a oportunidade de
obter uma colocação no mercado
de trabalho.
Outro setor que
já demonstrou interesse no
contrato temporário foi o das
empreiteiras que prestam serviço
às empresas públicas de
infraestrutura, como Telpe e
Telebrás. Segundo o presidente
do Sindicato dos Trabalhadores em
Telecomunicações (Sintel),
Marcelo Beltrão, essas
empreiteiras demonstraram
interesse em utilizar o contrato
temporário, mas sob uma forma
com a qual o Sintel não
concorda.
Beltrão
explica que a intenção
apresentada é de eliminar o
trabalho formal, e substituí-lo
totalmente por temporários, pois
as empreiteiras dependem de
contratos com o Governo, que são
renovados anualmente. O
presidente do sindicato afirmou
que está disposto a conversar
apenas se as empreiteiras
conquistarem novos contratos
posteriormente, pois seria
necessário aumentar seu quadro,
e isso poderia ser feito através
do novo modelo.
O advogado
trabalhista Maurício Rands
explica que o ponto fundamental
da polêmica é a dificuldade em
fiscalizar que as empresas
realmente não demitam para
contratar temporariamente. Por
isso, ele aponta que os
sindicatos estão corretos em
não fecharem acordo nesse
momento. No que diz respeito ao
banco de horas, Rands no entanto,
acredita que a novidade é uma
boa ferramenta para evitar o
desemprego.
RECUSA -
De acordo com o presidente do
Sindicato dos Comerciários,
Severino Ramos, o contrato
temporário fere direitos
trabalhistas. Mesmo sem ainda ter
recebido qualquer proposta nesse
sentido, Ramos coloca que a
justificativa de que esse modelo
iria gerar empregos no setor é
"conversa fiada" das
empresas. Para ele, ao invés de
sacrificar os empregados com a
criação de um banco de horas,
por exemplo, os empresários
poderiam procurar outras
soluções como "abrir mão
dos lucros excessivos".
O presidente
afirma que as lojas Marisa e
Lobrás, pertencentes ao mesmo
grupo, teriam demitido uma média
de 18 funcionários, cada uma,
desde que a lei foi aprovada, em
janeiro deste ano. Ele denuncia
que a maioria dos demitidos
teriam sido pessoas com cerca de
20 anos na empresa. Segundo o
gerente de recursos humanos do
grupo em São Paulo, Nilson Biage
do Carmo, a denúncia é
infundada pois as demissões de
funcionários, com mais de dois
anos de casa, precisam ser
esclarecidas para direção
geral, e isso não foi
comunicado. "Desafio o
Sindicato a provar essas
acusações pois posso apresentar
os quadros funcionais dos
últimos seis meses, e demonstrar
que não houver
alteração", declarou do
Carmo.
O gerente
explicou ainda que a proposta da
empresa de contratar novos
funcionários por tempo
determinado servirá para
ampliação do quadro. Isso
porque estaria sendo programada
uma reformulação administrativa
que incluí a informatização
das lojas. Assim, em cada filial
seriam criados uma média de
cinco empregos, o que
nacionalmente, representa 600
novos postos de trabalho.