- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

ARTIGO
"Plim Plim" no caixa

por PAULO ROBERTO CANNIZZARO*

Roberto Shinyashiki em seu livro Revolução dos Campeões, cita Rob Pike, que afirmou: "Três por cento pensam, 7% pensam que pensam, 90% pensam que não tem que pensar". No círculo da competitividade, as empresas e os gestores precisam de fato pensar mais; tudo porque hoje não se pode mais fazer as coisas simplesmente por fazer, repetindo as ações de modo mecânico. Os paradigmas nos tornam reféns da acomodação, e nos dias atuais, quem se acomoda fica para trás.

Não adianta por exemplo "reinventar a roda", Os mesmos sistemas de automação internos que já existem, controles padronizados superados, as mesmas estratégias, isto parece muito pouco para tornar uma empresa diferenciada ou ser capaz de seduzir clientes. É necessário muito mais: capacidade permanente de reatualização das empresas e seus funcionários, procurando fazer as coisas cada vez melhor, mais simples e objetivas, com um grau enorme de excelência, e sempre encantando e redescobrindo os clientes.

Muito do resultado do sucesso e do fracasso empresarial não acontece por acaso. Eles são criados pelo conjunto das atitudes institucionais do negócio, ótimas ou muito ruins. É o bom manejo ou desarranjo destas circunstâncias envolvidas (capital, pessoal, tecnologia, produção) que define a gênese destes resultados em toda organização.

Não há mais espaço para um time "mais ou menos", do tipo "café com leite", doméstico e trivial. Não importa você levar um monte de grandes idéias e projetos para seu chefe imediato ou mesmo para o dono da empresa, se não aprontou o plano de ação para implementá-los. Não fica validado que você saiba onde estão os problemas de seu departamento ou de sua empresa se não tomou a iniciativa de resolve-los.

Não é ser diferenciado você achar que falta unidade e conjunto no seu time, ou até que estejam mal definidas as estratégias de vitória, se não foi capaz de mudar o seu ambiente, tudo porque é parte desse conjunto que está disperso na consecução dos bons resultados. Como dizia o teólogo inglês William George Ward, no século passado: "Há os que se queixam só do vento. Os que esperam que ele mude. E os que procuram ajustar as velas". A empresa está interessadíssima em todas as suas idéias, mas sem que ela tenha que esperar por você ou que os ventos "mudem".

O que a empresa moderna quer agora é principalmente os resultados objetivos. E e alguém já disse que importa mesmo é que a máquina registradora do caixa faça aquele barulho "plim-plim". Enquanto não se ouve a sonoridade dela abrindo a gaveta para acolher o resultado do negócio, as coisas parecem ficar aéreas demais. Sua tarefa pois, não é somente atender o cliente. É encantá-lo com um atendimento de primeira linha.

Sua participação não é somente ouvir as reclamações dos consumidores, mas procurar satisfazê-los com toda a habilidade possível. Seu papel não é achar-se a estrela do time, mas promover todos os participantes da equipe para jogarem juntos, estimulando que cada um seja também imprescindível para a obtenção de um ótimo resultado. Sua tarefa não é tentar as coisas por tentar, mas solucioná-las mesmo.

O que adianta então é fazer as coisas acontecerem, lembrando o conselho de Aspley: "Existem os que fazem acontecer, aqueles para quem as coisas acontecem, os que observam acontecer e os que nem mesmo sabem que as coisas estão acontecendo". Assim faça, sempre fazendo um trabalho maravilhoso esplêndido. E não vale apenas começar, seguir e até mesmo continuar, sem chegar até o fim das coisas, produzindo sempre os melhores resultados. Paul Gotty, já dizia: "O sucesso consiste em: acordar cedo, trabalhar até tarde e... descobrir petróleo".

É dessa obstinação de descobrir esse "petróleo" que os gestores empresariais precisam "viver diariamente, absolutamente compromissados. Furto também a lição de Goethe quando falou sobre o compromisso com as coisas: "... Quando nos compromissamos, até a providência divina se põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge a nosso favor, como resultado da nossa decisão".

Só não podemos esquecer é que, na vida das empresas, esse preparo psicológico, essencialmente compromissado com uma visão crítica transforamdora e focada nos resultados, tem que bater lá na máquina no caixa, pois toda hora ela precisa fazer "plim-plim", obrigado!.

* Paulo Roberto Cannizzaro é consultor de gestão empresarial e titular da Cannizzaro & Associados


     

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