CRISE NA INDÚSTRIA
Continental
pode perder incentivos fiscaisA Continental do
Nordeste, que segunda-feira
demitiu 175 funcionários da
unidade de Paulista, informou à
AD/Diper que o corte de pessoal
vai significar o encerramento da
produção de fogões. A fábrica
vai continuar operando apenas com
a linha de depuradores de ar. As
demissões podem significar o
descumprimento das cláusulas do
projeto que garantiu à empresa a
isenção de 75% do ICMS, dentro
do Programa de Desenvolvimento de
Pernambuco (Prodepe).
Segundo
denunciou o Sindicato dos
Metalúrgicos, a Continental
teria se comprometido com o
governo estadual em abrir 450
vagas de emprego, para conseguir
o incentivo fiscal. Os
trabalhadores dizem ainda que,
por não pagar o ICMS, graças ao
incentivo, a Continental pode
dispor de R$ 14,2 milhões.
"Depois de verificarmos
quais os pontos do projeto que a
empresa deixou de cumprir, vamos
avaliar quais medidas poderão
ser tomadas", afirma o
presidente da AD/Diper, Sérgio
Ferreira.
A Continental
continua sem comentar as
demissões. O silêncio é tal
que nem os representantes do
Sindicato da Indústria
Metalúrgica e Metal-Mecânica de
Pernambuco (Simmepe) estão sendo
atendidos pela direção regional
da empresa. Na matriz, em São
Paulo, os funcionários dizem que
só o presidente da empresa,
Sérgio Barcellos, poderia se
pronunciar a respeito. Barcellos
estaria em Miami, nos Estados
Unidos.
RETRAÇÃO -
A queda no consumo de fogões
deve ter pesado na decisão da
Continental. Segundo dados da
Eletros, associação que reúne
os fabricantes de
eletrodomésticos, a venda de
produtos da linha branca -
geladeiras, freezers e fogões -
para o comércio, em fevereiro,
caiu 18,17% em relação ao mesmo
mês de 97. A Eletros identificou
ainda que as vendas de fogões
sofreram uma retração de 32,31%
em dezembro de 97, na
comparação com o que foi
comercializado em dezembro do ano
anterior.
De modo geral,
o comércio reduziu as encomendas
de eletrodomésticos à
indústria em um terço no
período entre fevereiro de 97 e
98. As vendas de equipamentos de
som e vídeo foram as mais
prejudicadas, registrando uma
queda de 42,07%. No acumulado do
ano, a linha branca já vai
contabilizando uma retração de
16,86% no mercado. Os números
apresentados pela associação
são nacionais, mas refletem a
situação atravessada pelo setor
em todos os Estados do País.
O comerciante
Fortunato Russo estima que houve
uma queda de 50% na venda de
fogões ao consumidor. De acordo
com ele, o declínio foi sentido
durante todo o ano passado, sendo
mais acentuado em dezembro.
"Estes produtos são dos
poucos que não sofreram
concorrência com os importados,
o que significa que esta
retração atinge apenas a
indústria nacional", diz o
empresário. Russo lembra ainda
que as donas de casa demoram até
15 anos para trocar os seus
fogões. Este prazo é mais longo
do que a substituição de outros
equipamentos domésticos.