- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

CRISE NA INDÚSTRIA
Continental pode perder incentivos fiscais

A Continental do Nordeste, que segunda-feira demitiu 175 funcionários da unidade de Paulista, informou à AD/Diper que o corte de pessoal vai significar o encerramento da produção de fogões. A fábrica vai continuar operando apenas com a linha de depuradores de ar. As demissões podem significar o descumprimento das cláusulas do projeto que garantiu à empresa a isenção de 75% do ICMS, dentro do Programa de Desenvolvimento de Pernambuco (Prodepe).

Segundo denunciou o Sindicato dos Metalúrgicos, a Continental teria se comprometido com o governo estadual em abrir 450 vagas de emprego, para conseguir o incentivo fiscal. Os trabalhadores dizem ainda que, por não pagar o ICMS, graças ao incentivo, a Continental pode dispor de R$ 14,2 milhões. "Depois de verificarmos quais os pontos do projeto que a empresa deixou de cumprir, vamos avaliar quais medidas poderão ser tomadas", afirma o presidente da AD/Diper, Sérgio Ferreira.

A Continental continua sem comentar as demissões. O silêncio é tal que nem os representantes do Sindicato da Indústria Metalúrgica e Metal-Mecânica de Pernambuco (Simmepe) estão sendo atendidos pela direção regional da empresa. Na matriz, em São Paulo, os funcionários dizem que só o presidente da empresa, Sérgio Barcellos, poderia se pronunciar a respeito. Barcellos estaria em Miami, nos Estados Unidos.

RETRAÇÃO - A queda no consumo de fogões deve ter pesado na decisão da Continental. Segundo dados da Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletrodomésticos, a venda de produtos da linha branca - geladeiras, freezers e fogões - para o comércio, em fevereiro, caiu 18,17% em relação ao mesmo mês de 97. A Eletros identificou ainda que as vendas de fogões sofreram uma retração de 32,31% em dezembro de 97, na comparação com o que foi comercializado em dezembro do ano anterior.

De modo geral, o comércio reduziu as encomendas de eletrodomésticos à indústria em um terço no período entre fevereiro de 97 e 98. As vendas de equipamentos de som e vídeo foram as mais prejudicadas, registrando uma queda de 42,07%. No acumulado do ano, a linha branca já vai contabilizando uma retração de 16,86% no mercado. Os números apresentados pela associação são nacionais, mas refletem a situação atravessada pelo setor em todos os Estados do País.

O comerciante Fortunato Russo estima que houve uma queda de 50% na venda de fogões ao consumidor. De acordo com ele, o declínio foi sentido durante todo o ano passado, sendo mais acentuado em dezembro. "Estes produtos são dos poucos que não sofreram concorrência com os importados, o que significa que esta retração atinge apenas a indústria nacional", diz o empresário. Russo lembra ainda que as donas de casa demoram até 15 anos para trocar os seus fogões. Este prazo é mais longo do que a substituição de outros equipamentos domésticos.


     

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