INCENTIVOS
Senado
quer acabar com
"guerra" entre EstadosBRASÍLIA - A
"guerra fiscal" entre
estados e municípios para atrair
investimentos pode ter o seu fim
decretado pelo Senado. Já está
pronta para ser votada pelo
plenário da Casa uma emenda
constitucional que vai retirar
dos governadores e dos prefeitos
a liberdade para conceder
isenções fiscais e benefícios
para indústrias e transferir
essa atribuição para os
senadores. A Comissão de
Constituição e Justiça do
Senado (CCJ) aprovou ontem, por
unanimidade, a versão final do
parecer do senador Lúcio
Alcântara (PSDB-CE) à emenda
apresentada pelo senador Waldeck
Ornellas (PFL-BA) que, na
prática, transfere as
atribuições do Conselho
Nacional de Política Fazendária
(Confaz) para o Senado.
Se a emenda for
aprovada, o Congresso fará uma
lei complementar criando faixas
para a concessão dos incentivos
fiscais conforme a região do
país. Dessa maneira, os estados
das regiões Nordeste, Norte e
Centro-Oeste teriam um limite
maior para criar incentivos do
que os estados do Sudeste e do
Sul. Cada incentivo concedido
teria que ser aprovado pelo
Senado, mas a isenção pura e
simples ficaria proibida. Como os
senadores do Norte, Nordeste e
Centro-Oeste somam 51
parlamentares, contra apenas 21
das regiões Sul e Sudeste,
muitos senadores estão
combatendo a proposta, acusando-a
de ser uma maneira de acabar a
guerra fiscal, mas dando a
vitória definitiva para um dos
lados. Na linha de frente para
tentar derrubar a emenda, está o
senador José Serra (PSDB-SP).
Ele apresentou uma proposta para
que apenas o presidente da
República possa propor
incentivos, mas a emenda foi
rejeitada por Lúcio Alcântara.
Também
tentando limitar o poder do
Senado, o senador Vilson
Kleinubing (PFL-SC) apresentou
sugestão para que um incentivo
só possa ser concedido se tiver
a aprovação de dois terços dos
senadores, sendo que esse quórum
teria que ser obtido bancada por
bancada em casa estado.
"Isto só serve para
manietar o Senado e dificultar o
seu poder de deliberação",
rejeitou Alcântara. O próprio
relator acredita que as propostas
de Serra e Kleinubing, rejeitadas
na CCJ, devem ser reapresentadas
em plenário. Tanto Serra quanto
Kleinubing têm interesse na
aprovação de uma norma que não
apenas discipline a questão dos
benefícios estaduais, mas que
coíba sua concessão. Em sua
atual forma, os benefícios
prejudicam São Paulo e Santa
Catarina e podem chegar ao ponto
de comprometer as finanças dos
estados responsáveis pela
renúncia fiscal. "Não
podemos correr o risco de apenas
transferir a guerra fiscal dos
estados para o Senado. O Senado
não tem uma boa tradição de
dizer não ao pleito dos
estados", justificou o
senador Vilson Kleinubing.