- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

OPINIÃO
Lampreia quer Alca sem barreiras

SAN JOSÉ, Costa Rica - O chanceler Luiz Felipe Lampreia produziu ontem a mais enfática definição, ao menos em público, de como o governo brasileiro encara a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). "Só interessa ao Brasil se Estados Unidos e Canadá abrirem efetivamente seus mercados para produtos brasileiros", disse ele. Em discurso no 4º Fórum Empresarial das Américas, encerrado ontem, o chanceler brasileiro começou por se defender da disseminada percepção de que o Brasil tem uma atitude negativa ante a Alca

"Seria uma atitude míope recusar de antemão algo de grande potencial. Isso não quer dizer que tenhamos uma visão romântica sobre tudo de bom que pode representar a Alca", disparou. Por fim, fechou o raciocínio dizendo que a integração hemisférica só interessa se propiciar resultados equilibrados e efetivo aumento no acesso dos nossos produtos aos mercados não só dos EUA e Canadá, mas de todos os países.

"Sem esse acesso ampliado, a Alca não faz muito sentido", disse Lampreia. Há, no discurso do chanceler, uma certa mudança de ênfase. Até agora, o Brasil vinha dizendo que aceitava a Alca, desde que houvesse tempo (pelo menos até 2005) para que a indústria brasileira se preparasse para enfrentar a concorrência da poderosa economia norte-americana.

Agora, Lampreia já diz que a Alca pode não interessar nem em 2005, a menos que os Estados Unidos, principalmente, levantem suas barreiras ao ingresso da produção brasileira. A nova ênfase foi exposta na presença de ninguém menos do que Thomas McLarty, o representante especial do presidente Bill Clinton para as Américas.

McLarty não fez comentários sobre a exposição do ministro brasileiro, o que parece refletir a posição defensiva do governo norte-americano, pelo fato de o Executivo não dispor do mecanismo chamado de fast track. Trata-se de uma autorização que o Congresso dá ao Executivo para negociar acordos comerciais que o Legislativo, depois, aprova ou rejeita em bloco, mas não emenda. Sem esse mecanismo, os parceiros norte-americanos relutam em fechar acordos com os EUA, devido ao risco de que o acertado seja depois alterado pelo Congresso.

Por isso, McLarty pouco falou de Alca. Preferiu jogar toda a ênfase em aspectos extra-comércio que deverão constituir o foco principal da 2ª Cúpula das Américas, que será realizada em abril, no Chile. São temas como educação, alívio da pobreza, fortalecimento das instituições, em especial do Judiciário e coordenação financeira entre os países americanos, de forma a acomodar melhor esse fluxo de comércio e capitais internacionais que caracteriza a economia contemporânea.

McLarty citou a crise asiática como exemplo de que esse tipo de coordenação é necessário. Tese que soará como música aos ouvidos do presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, que vem defendendo coordenação similar desde a posse, não apenas nas Américas, mas no mundo todo.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes