OPINIÃO (II)
Disputa
entre Rio e Miami pela sede da
Alca fica mais acirradaSAN JOSÉ - O
americano Mike Fitzgerald entrava
e saia das reuniões de negócios
com um crachá identificando-o
como representante da Xerox, e
uma etiqueta colada no paletó,
dizendo: "Miami sim, sí,
yes, oui". Em quatro
línguas, ele fazia campanha pela
sua cidade como melhor sede da
Área de Livre Comércio das
Américas (Alca).
Enfrentando um
batalhão de 90 empresários e
políticos da Flórida, a
brasileira Tereza Brandão
Teixeira, da Prefeitura do Rio de
Janeiro, freqüentava os mesmos
hotéis que Fitzgerald,
discretamente distribuindo
quadros comparativos, para
mostrar que os cariocas têm mais
a oferecer. Foi assim que a Costa
Rica - a "Suíça da
América Central" -
converteu-se na arena de uma
competição entre duas cidades
que querem o mesmo: ser o centro
das negociações entre 34
países americanos para criar uma
zona de livre comércio até o
ano 2005, abrangendo todo o
continente americano, menos Cuba.
Também estão
na disputa Panamá, México,
Jamaica, Colômbia e Peru. No
entanto, os dois concorrentes
mais fortes são Estados Unidos e
Brasil, que fizeram propostas
parecidas. Se dependesse de
lobby, Miami ganharia de longe.
Dos 1.300 empresários reunidos
na Costa Rica desde segunda-feira
passada, a maior delegação foi
a americana, com 250 pessoas.
Desses, um terço era da
Flórida. No grupo estavam o
governador e três prefeitos,
entre eles Alex Penelas, de
Miami.
O assessor de
Panelas, Tony Ojeda, já fez os
cálculos: se for eleita, Miami
ganhará US$ 15 milhões a mais
por ano. "Mais de três mil
pessoas visitariam anualmente
nossa cidade por causa das
negociações da Alca. E isso
representa maior movimento em
hotéis, restaurantes e lojas e
um número maior de
empregos", disse.
Ojeda também
argumenta que Miami tem a seu
favor uma população
multi-étnica: metade de seus 2,2
milhões de habitantes é de
origem hispânica. E a cidade já
é considerada um dos destinos
favoritos de exportadores e
turistas da América Latina.
Para montar o
escritório da Alca, Miami
ofereceu um espaço, linhas
telefônicas, celulares,
máquinas de fax, computadores,
acesso à Internet e até
estagiários das universidades -
tudo de graça. Prometeu também
US$ 250 mil, para gastos
adicionais, e descontos em
hotéis e passagens aéreas.
Sem tanto
alarde, a Prefeitura do Rio fez
uma proposta parecida: espaço no
Teleporto e equipamentos de
escritório gratuitos, além dos
mesmos US$ 250 mil para gastos
adicionais. De última hora, foi
negociado um seguro médico para
os negociadores da Alca, que
Miami não ofereceu. Segundo
Tereza, alguns hotéis prometeram
descontos, a TAM ofereceu
passagens por metade do preço, e
a Varig, uma redução de 20%.
Mas em transporte aéreo, todos
concordam, Miami é imbatível:
tem 82 vôos diretos e 219 de
conexões. O Rio tem menos da
metade: 39 diretos e 62 de
conexão.