- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

OPINIÃO (II)
Disputa entre Rio e Miami pela sede da Alca fica mais acirrada

SAN JOSÉ - O americano Mike Fitzgerald entrava e saia das reuniões de negócios com um crachá identificando-o como representante da Xerox, e uma etiqueta colada no paletó, dizendo: "Miami sim, sí, yes, oui". Em quatro línguas, ele fazia campanha pela sua cidade como melhor sede da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Enfrentando um batalhão de 90 empresários e políticos da Flórida, a brasileira Tereza Brandão Teixeira, da Prefeitura do Rio de Janeiro, freqüentava os mesmos hotéis que Fitzgerald, discretamente distribuindo quadros comparativos, para mostrar que os cariocas têm mais a oferecer. Foi assim que a Costa Rica - a "Suíça da América Central" - converteu-se na arena de uma competição entre duas cidades que querem o mesmo: ser o centro das negociações entre 34 países americanos para criar uma zona de livre comércio até o ano 2005, abrangendo todo o continente americano, menos Cuba.

Também estão na disputa Panamá, México, Jamaica, Colômbia e Peru. No entanto, os dois concorrentes mais fortes são Estados Unidos e Brasil, que fizeram propostas parecidas. Se dependesse de lobby, Miami ganharia de longe. Dos 1.300 empresários reunidos na Costa Rica desde segunda-feira passada, a maior delegação foi a americana, com 250 pessoas. Desses, um terço era da Flórida. No grupo estavam o governador e três prefeitos, entre eles Alex Penelas, de Miami.

O assessor de Panelas, Tony Ojeda, já fez os cálculos: se for eleita, Miami ganhará US$ 15 milhões a mais por ano. "Mais de três mil pessoas visitariam anualmente nossa cidade por causa das negociações da Alca. E isso representa maior movimento em hotéis, restaurantes e lojas e um número maior de empregos", disse.

Ojeda também argumenta que Miami tem a seu favor uma população multi-étnica: metade de seus 2,2 milhões de habitantes é de origem hispânica. E a cidade já é considerada um dos destinos favoritos de exportadores e turistas da América Latina.

Para montar o escritório da Alca, Miami ofereceu um espaço, linhas telefônicas, celulares, máquinas de fax, computadores, acesso à Internet e até estagiários das universidades - tudo de graça. Prometeu também US$ 250 mil, para gastos adicionais, e descontos em hotéis e passagens aéreas.

Sem tanto alarde, a Prefeitura do Rio fez uma proposta parecida: espaço no Teleporto e equipamentos de escritório gratuitos, além dos mesmos US$ 250 mil para gastos adicionais. De última hora, foi negociado um seguro médico para os negociadores da Alca, que Miami não ofereceu. Segundo Tereza, alguns hotéis prometeram descontos, a TAM ofereceu passagens por metade do preço, e a Varig, uma redução de 20%. Mas em transporte aéreo, todos concordam, Miami é imbatível: tem 82 vôos diretos e 219 de conexões. O Rio tem menos da metade: 39 diretos e 62 de conexão.


     

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