AMÉRICA LATINA
BID
empresta US$ 1,2 bi a oito
paísesCARTAGENA, Colômbia -
O Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) anunciou
ontem - durante o encerramento da
assembléia de diretores da
instituição em Cartagena -
empréstimos num total de mais
US$ 1,2 bilhão. O governo
brasileiro é um dos
beneficiados: receberá US$ 300
milhões para a melhoria de 6.800
quilômetros de rodovias. À
Argentina coube a maior fatia do
bolo - US$ 308,5 milhões para
desenvolvimento urbano e US$ 260
milhões para investimentos nas
economias das províncias de
Córdoba, La Plata, Mendoza,
Rosario e Tucumán.
As autoridades
mexicanas contarão com US$ 202,4
milhões para programas nas
áreas de educação, energia e
finanças. Ficou decidido ainda
que o Equador receberá US$ 62
milhões e a Guatemala, US$ 70
milhões, para levarem adiante
programas de habitação popular.
O Uruguai ficou com uma pequena
parcela, se comparada com os
demais países do continente:
terá US$ 17,5 milhões para
investir em segurança pública e
US$ 28 milhões para a
recuperação de La Aguada,
bairro histórico de Montevidéu.
O governo de El
Salvador arrematou US$ 34
milhões para obras de
infra-estrutura. E a Colômbia
será beneficiada com US$ 100
milhões para o setor de energia
e US$ 34,3 milhões para os
serviços de água e esgoto em
Cartagena.
ELEVAÇÃO -
Ficou adiada para os próximos
seis meses a elevação do teto
de 5% para 10% da carteira anual
de empréstimos do BID concedidos
diretamente ao setor privado, sem
garantias governamentais. De
acordo com o presidente da
instituição, Enrique Iglesias,
existe consenso em torno da
ampliação desse teto, mas falta
esclarecer alguns pontos.
A aprovação
do teto de financiamentos diretos
ao setor privado, proposta pela
administração do BID, era dada
como certa, inclusive pelo
ministro do Planejamento,
Antônio Kandir, que representou
o Brasil no evento e defendeu a
alteração do limite. Os países
menores resistiram à mudança,
que beneficiaria mais os países
grandes e com programas de
privatização significativos,
como é o caso do Brasil.
Essas nações
preferem manter um volume maior
de recursos para os investimentos
públicos do que destiná-los às
empresas privadas. Os 46 países
membros do BID também não
chegaram a um consenso sobre a
recapitalização do Fundo de
Operações Especiais, que doa
recursos para os países
latino-americanos menores
financiarem ações
comunitárias. Os países
doadores do BID, principalmente
os Estados Unidos - que financia
60% do fundo - não querem mais
dar recursos para o fundo e
propuseram que os mais ricos na
América Latina paguem mais pelos
empréstimos para gerar uma
receita adicional com esta
finalidade.
Como os países
emergentes, inclusive o Brasil,
discordaram dessa solução, a
saída em discussão era o uso do
capital que o BID tem em moeda
local dos países tomadores.
Ocorre que Brasil, Argentina,
Chile, Colômbia e México, que
acumulam cerca de US$ 1,5 bilhão
de capital em moeda local,
discordam dessa solução,
emperrando o avanço das
negociações. O presidente do
BID disse que nos próximos dois
anos o Fundo de Operações
Especiais receberá US$ 1,1
bilhão, mas não revelou as
fontes desse dinheiro.
ARGENTINA -
O projeto de reforma fiscal
apresentado pelo presidente
Carlos Menem três semanas atrás
não bastou para o FMI (Fundo
Monetário Internacional), com
quem a Argentina mantém um
acordo. Funcionários do Fundo
estarão no próximo dia 29 em
Buenos Aires para definir
"medidas corretivas" e
fazer uma série de exigências.
O FMI dirá para a Argentina
fazer um novo ajuste, devido às
suas contas públicas.
A principal
preocupação se deve ao fato de
o déficit na balança comercial
argentina ter superado os US$ 5
bilhões, o limite imposto no
acerto. Entre as exigências a
serem feitas pelo FMI estão o
aumento de impostos e a redução
do déficit fiscal.