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ANO
2000 (II)
Surge
um novo conceito de famíliaDrogas
e doenças sexualmente
transmissíveis são assuntos
muito discutidos entre os jovens.
Mas na opinião de Maria Cláudia
Viçoso Silva, que nasceu em
1980, os adolescentes não se
previnem adequadamente da Aids.
"Todos acham que nunca vai
acontecer com eles", diz.
Considerando a faixa etária
entre 10 e 19 anos, os
adolescentes brasileiros são
hoje 32.064.631, ou seja, quase
um quarto da população. Desse
total, 84,9% dos adolescentes do
sexo masculino entre 15 e 19 anos
eram alfabetizados em 1991, data
do último censo do IBGE,
enquanto entre as meninas da
mesma faixa etária, a
percentagem era de 91%.
Entre os jovens de baixa
renda, o conceito de família é
diferente do que se vê como
padrão na classe média
brasileira, já que o núcleo
familiar que eles conhecem é
composto, na maioria das vezes,
só de um dos pais ou da avó.
"Mas eles pensam em casar,
constituir família e ter filhos.
O que se constata é que as
adolescentes estão engravidando
cada vez mais cedo nas famílias
de baixa renda. Talvez exista um
desejo consciente ou inconsciente
nessa gravidez, já que essas
meninas sentem que ganham status
sendo mães. É também, de certa
forma, a afirmação de sua
capacidade reprodutiva",
afirma Célia Matias.
Ela informa que entre os
adolescentes de baixa renda que
moram no Morro do Macaco e são
assistidos pelos projetos do Nesa
só um pequeno número consegue
chegar ao Segundo Grau. Por isso,
eles têm muito mais dificuldades
de conseguir emprego. "A
realidade deles é muito dura,
cruel e limitadora", lamenta
Célia Matias.
NAMORO OU
"FICAR" -
Ficar é o verbo mais usado nas
conversas entre os adolescentes
de 18 anos. Eles
"ficam" com elas uma
noite (que pode significar só
beijo na boca ou uma relação
sexual) e no dia seguinte não
têm mais nenhum compromisso.
"Acho errado as meninas
beijarem qualquer um, ficarem com
qualquer um. Elas não fazem uma
seleção", critica Ricardo.
Maria Claudia diz que as
meninas querem um namoro e os
meninos preferem
"ficar". "Com
isso, as pessoas estão mais
sozinhas. O namoro não existe,
só dura um dia. Não se pensa no
futuro e numa relação mais
duradoura. O casamento é visto
como temporário e pode durar
pouco", diz. Já os meninos
parecem gostar dessa espécie de
intimidade sem compromissos.
"Assim, os meninos conhecem
mais garotas. Mas acho que depois
dos 25 anos os jovens procurarão
um parceiro fixo para construir
uma família", diz Bruno
Marques.
Essa família, contudo, terá
contornos bastante diferentes da
tradicional. O IBGE informa que
um quarto dos domicílios
brasileiros têm hoje uma mulher
como chefe de família, o que
significa que esta geração
aprendeu a conviver com uma
figura materna menos dependente
financeiramente. "A
tendência é não se valorizar
mais o casamento, nem na igreja
nem no papel. Hoje, as mulheres
não se prendem mais por uma
obrigação", avalia Ricardo
Bandeira Moraes.
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