.......................................................................... Jornal do Commercio, Recife, 15 de março de 1998
  EDUCAÇÃO
Adeus às dificuldades no aprendizado

por MARCONY ALMEIDA

A lição deixada por Darcy Ribeiro de levar educação a todas os jovens é a fonte de inspiração da pedagoga Rogéria Cardoso Picado. Ela está desenvolvendo o projeto Pró-Vencer, onde dez profissionais trabalham em conjunto orientando crianças com dificuldades no aprendizado. São psicólogos, psiquiatras, teraupeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, neuropediatras, psicomotricistas, odontólogos, entre outros que farão um acompanhamento paralelo à escola.

A idéia de criar o projeto surgiu quando Rogéria acompanhou o tratamento de uma criança portadora da Síndrome de Down. Ela percebeu que, com essa experiência, poderia desenvolver o aprendizado da criança com problemas. O Pró-Vencer foi criado com a intenção de atender crianças e adolescentes com dificuldades pedagógicas, como notas baixas, falta de atenção em sala de aula e indisciplina, além de deficiências mentais. "As dificuldades enfrentadas pelos alunos podem estar associadas a problemas em casa, com a família, ou até mesmo de saúde. E, nas escolas, não há acompanhamento específico para cada caso", diz a pedagoga.

Ela considera o atual modelo educacional arcaico e unilateral. Muitas das dificuldades do educando partem daí. No Pró-Vencer, os alunos são acompanhados por profissionais que fazem uma espécie de triagem para descobrir quais os tipos de distúrbios que a criança enfrenta. O espaço funciona em sete salas e numa espaço para atividades lúdicas e de expressões corporais, na Torre. O atendimento leva duas horas diárias, sempre depois do horário das aulas na escola. A partir daí, crianças com esquizofrenias, autistas, eplépticas, hiperativas, com agressividade, dislexia e distúrbios no comportamento, entre outros, recebem o tratamento, até que sejam diagnosticados progressos.

DIFERENCIAL - Um dos grandes diferenciais do projeto Pró-Vencer está no trabalho com a família. Segundo Rogéria Picado, não adianta tratar o adolescente se o seu distúrbio surge de problemas com os parentes. Com isso, os pais também poderão ter um acompanhamento psicológico, em conjunto com o adolescente, para que o resultado do tratamento surta efeito. Ela considera que a grande maioria dos diagnósticos detectados nos adolescentes originam-se dos familiares.

"Qualquer que seja a dificuldade do aluno, de natureza biológica, psicológica ou social, há meios para se ajudar", garante Rogéria Picado. Apesar de ser pioneiro no estado e estar apenas começando, a pedagoga pensa em expandir seu projeto para outros estados do Brasil. Em Pernambuco, ele conta com o apoio de empresários como Beto Kelner e Luiz Schettini Filho. O pagamento das mensalidades é feito de acordo com o comprovante de renda da família, obedecendo a uma taxa mínima de R$ 50,00.

Serviço

Pró-Vencer
Rua João de Deus, 109, Torre.
Telefone: 227.1945
Horário: 8h às 20h (segunda a sexta-feira)
8h às 12h (sábados)

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